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Sentado no carro o coração em festa,
naveguei no asfalto da infame floresta,
a fugir da armadilha de um dia de azar
buscando o aconchego sereno do lar
O sangue nas veias selvagem caudal,
procurando a calma desejando o mal,
habitante único deste mundo abstrato,
retirei do absurdo meu próprio retrato
Afundei no abismo de meu inconsciente,
e não vi nem um rastro que guie que oriente,
não vi a saída do grande marasmo,
a cidade é o produto de um brutal orgasmo,
Do brutal orgasmo de um ser depravado,
que gerou um demonio e dois anjos alados,
que feroz agride e nos beija na testa,
que nos põe tontos o coração em festa
Guilherme Percello
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