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"O" faz tudo
ROGÉRIO RIVELLINO SABIONI

Resumo:
Nada jeitoso, ele tenta mudar este panorama...

"O" FAZ TUDO

Sabe aqueles dias, que estamos entediados, e para passar o tempo, resolvemos que se comprar algo, esta sensação passará.
Então lá vou eu, olhando, tentando lembrar algo que há muito preciso mas nunca tenho tempo, e quando tenho tempo não lembro, tipo um abridor de latas novo, porque só lembro que o velho tá uma "B..." quando vou usá-lo. Estou fazendo meu backup pessoal, e nada. Entrei naquelas lojas onde as pessoas põem o nome de "tem Tudo", porque o cara que entrar lá, e sair sem encontrar o que procurava deveria ser premiado. Os caras pensam em tudo, certo que 95% da loja ou o produto não serve pra nada, ou caso sirva, não dura uma semana.
Começou minha saga. Vi, na prateleira um "veda rosca", e como se tivesse salvado o dia, lembrei do vazamento embaixo da pia do banheiro, e pensei na cara de satisfação que olharia para minha mulher quando lhe dissesse que "CONSERTEI" o vazamento. Hoje seria o dia, pela primeira vez ela se renderia aos meus dons.
Pensa num cara ansioso por chegar e começar minha "obra".
Chegando, fui direto à minha caixa de sapato onde guardo um alicate, duas chaves de fenda, martelo, potinho com alguns pregos e parafusos. Sei que ao primeiro olhar parece modesto meu lado faz-tudo, mas, hoje, apenas hoje seria diferente.
Quando me dei conta já estava com a cabeça dentro do gabinete minusculo da pia, me contorcendo para achar a posição que proporcionasse desatarraxar aquela porca gigante. Meu, sem brincadeira, aquilo era tão antigo, que tinha mais ferrugem que veda rosca. Um guerreiro não desiste nunca, já suando feito uma chaleira, enrosquei a manga da camisa na dobradiça da porta, e já rasguei minha camisa, uma das melhores, pois tão ansioso que estava, esqueci de trocar para começar o serviço. impressionante que depois que rasgamos a camisa, paramos e vamos troca-la, como se aquele ato ridículo fosse resolver algo. Agora, vestido a rigor para execução do trabalho, depois de muito custo, consegui soltar a tal da porca. Limpei com cuidado, passei o veda-rosca, montei e "voilà". Liguei a torneira e quando estava pronto para esfregar meu troféu na cara da minha mulher, vi temerosamente quando uma gota desceu pela lateral do sifão e pingou dentro daquele potinho nojento que ficava ali para colhe-los. Foi quando pela primeira vez, depois de mil anos reparei com cuidado que o vazamento não vinha daquela reunião anual da ferrugem, até porque seria impossível sair qualquer coisa por toda aquela ferrugem. Através do meu tino apuradíssimo, percebi que o pingo saía da base da pia, deixando claro o vazamento vinha da parte externa do ralo. Com prazer desfiz o primeiro serviço, e pensei que ainda salvaria o dia, e no final da tarde, sentaria como Morgan Freeman e Tim Robbins em "um sonho de liberdade" e tomaria minha cerveja vendo a faixada do barraco do vizinho da frente que é a unica coisa que consigo enxergar da garagem de minha casa. Voltando ao trabalho, o ralo estava preso a pia de uma maneira, que os físicos teriam dificuldades em explicar como louça e ferro são capazes de se fundirem. Não havia meio de tirar o tal do ralo, e tive a estupida idéia de tentar bater para soltar, na primeira pancada a cuba da pia desceu, soltando da pedra e caindo no fundo do armário. Soltei internamente um "PQP" pois não poderia dar este gostinho a "Ela". Pensei "caral..." que cagada, e agora? A porcaria da cuba não saia do gabinete, pois as portas eram menores. Nossa, que vou fazer? Rapidamente com a destreza de um leopardo, tive outra estupida ideia. Vou tentar soltar o gabinete, com minhas chaves de origem chinesa. Vou pular esta parte. Já deu pra perceber que não consegui, e o pior, o pessoal começou a chegar em casa, e aquela cerveja que eu tomaria ao por do sol, já estava cancelada. Pensei, pensei, e percebi que a única forma de resolver era admitir minha incapacidade, e contratar alguém amanhã, segunda, para passar o certificado de minha incompetência. Isso era inadmissível, não iria desistir assim, então fechei com chave de ouro, a única maneira de tentar minimizar os efeitos era, retirar a pedra que estava presa a parede. no primeiro movimento que fiz, a pedra rachou ao meio, sendo que parte ficou presa na parede e a outra parte caiu com o bico em cima do dedão do pé, quebrando-o na hora. Comecei a rolar de dor no chão de nosso único banheiro. Nisso "Ela", ao ouvir o barulho veio na minha direção e ao chegar a porta, gritou "Meu Deus" o que aconteceu?
Um tigre não perde suas listras, então numa rapidez de pensamento impressionante, disse que estava vindo para o banheiro com minhas ferramentas para consertar o vazamento, quando tropecei no tapete que ela insiste em deixar na porta, e tudo que ela via era o resultado.


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