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O que há lá fora vovô?
Matilde Diesel Borille

_ O que há lá fora vovô? _ perguntou Violeta, com tom de voz em ritmo de canção suave, estando sentada nos pés da montanha da mesa da sala.
_ É noite, minha querida. Quando amanhecer te levarei a um passeio inesquecível, para que saiba o que há lá fora, para que saiba e sinta o que há nos pés de uma montanha de verdade.
_ O que há nos pés de uma montanha de verdade vovô?
_ Depende da montanha... _ respondeu Baba.
Baba, o vovô da pequena Violeta, como de costume, se abaixou para conversar com a neta. Esse era o jeito que ele arrumara para mantê-la atenta às suas palavras. Como bondoso vovô que era, começou a falar com bondade e pausadamente.
_ Imagine, minha menina, uma pedra gigante e quadrada no meio do nada, ou, uma colossal pedra riscada, com riscos do tipo feito a lápis, como os riscos dos teus desenhos, ou ainda, uma pedra pontuda, como um dedo apontando para o céu, enorme, alta, alta, alta...
_ Grande como o dedo de Deus vovô?
_ Isso Violeta! A Montanha do Dedo de Deus. Vamos visita-la amanhã combinado?
Excitada pela aventura do dia seguinte a garotinha demorou a dormir, ficou brincando embaixo da mesa, naquela espécie de casinha ou caverna secreta, sentindo-se protegida, achando que não estava sendo vista... imaginando que no dia seguinte por causa do sol forte se esconderia embaixo de uma árvore...
Quando por fim conseguiu adormecer, Baba envolveu sua imagem com todo o seu bem querer, em seguida, sentou-se à beira da cama e começou a chorar baixinho, acariciando o rosto da pequena e adorada neta.
_ Querida Violeta, há um lugar impalpável à tua imaginação e este está dentro de você. Que a piedade divina te guarde!
Quando o sol nasceu, Violeta se virou de lado para dormir mais um pouquinho. Baba, como sempre já estava acordado, ele amava a sensação de prazer experimentada ao ser afagado pelo sol no momento em que ele nascia.
Havia luz desse sol amigo na metade da cozinha, quando Baba, preparando sanduíches, foi surpreendido pelo pequeno corpo de Violeta se estendendo para ele, cegamente.
_ Bom dia vovô! Dom pode ir também?
_ Sim. Vamos todos. Eu, você e Dom.
_ E Deus, né vovô?
_ Sim! Claro! Deus nos conduzirá.
A pequena Violeta, ela é toda sentimentos e emoções, tato e sensações e caminha com uma varinha que abre todas as portas. É delicada, doce, terna... tem leveza de pés e de mãos e de alma, cabelos amarelos e fofos, a pele como a janela da casa da montanha sem cortinas, e olhos âmbares privados da visão.
Já completou seis anos, e desde o berço, vive imersa em um universo tátil, está aprendendo o Braile que é um sistema de escrita e leitura tátil para as pessoas cegas e todos os dias tem uma missão: não ver e aprender.
Baba, a cada dia busca pela felicidade que se obtém pela vida simples, isso inclui ser luz para os olhos da netinha. Ela necessita de mediadores para saber sobre o que está ao redor dela, para aprender a ver com os sentidos e atribuir valores e significados ao que descobre ou aprende.
Dom, é um cão, falante, comunicativo e guerreiro, que sempre povoa a imaginação de Violeta. Um cão-guia, um companheiro imprescindível para ela.
Violeta dessa vez tomou café rapidamente, então Baba pegou seu chapéu de homem da montanha, conferiu se o lindo boné infantil de Violeta estava sobre a cabeça dela, fechou a porta e saiu explicando à neta que naquela manhã o céu estava mais bonito e azul que qualquer outro dia.
_ Como os olhos da mamãe?
E então, soltando um suspiro, Baba respondeu sem se abaixar.
_ Sim, como os olhos da tua mamãe: límpido, profundo e inesquecível!
Sempre que Violeta comparava a beleza do céu com os olhos da mãe, uma lágrima sentida aquecia o coração de Baba, era lágrima escondida, lágrima de saudade da filha que partira para o inefável céu azul.
E lá foram os três amigos num passeio de carro.
Brincando com Dom no banco traseiro, Violeta não viu o tempo passar, somente quando o carro parou é que se deu conta de que provavelmente chegaram aos pés da montanha.
_ Chegamos vovô?
_ Sim, querida.
Baba abriu a porta do carro e somente Dom desceu. Violeta, emocionada, perguntou com aquele tom de voz em ritmo de canção suave.
_ O que há lá fora vovô?
_ Aos pés da montanha do Dedo de Deus há um verde que abre os braços.
_ E dentro do verde vovô?
_ Há um reino de flores.
_ E sobre o reino de flores?
_ Quedas d’água incríveis!
_ E sobre as quedas d’água incríveis?
_ A perfeição! Um Deus sobre nós, sobre tudo!
A partir daquele momento, Violeta, a garotinha que tem o nome da famosa flor roxa levou de 10 a 15 minutos para desabrochar. Dona de uma imaginação inesgotável, ela, sempre tendo Dom por guia, tocou nas pedras, sentiu as fragrâncias dos perfumes das flores e ouviu os barulhos das quedas d’água.
Quando o Sol estava por cima deles, ao meio-dia, Baba, sentindo fome, se aproximou da neta e de Dom com a sacola de sanduíches.
Encontrou a netinha entre o silêncio das flores que tanto a atraiam.
A pequena e encantadora Violeta cheirava e sentia a textura de um lírio. Então Baba pensou: Não há nada mais puro e tão belo! E deixou cair uma lágrima de alegria.
Violeta não viu, mas sentiu, então Baba foi surpreendido pelo pequeno corpo da netinha se estendendo para ele, cegamente e alegremente.
_ Eu estou adorando vovô!


Biografia:

Este texto é administrado por: MATILDE DIESEL BORILLE
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