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AURÉLIO E O BICHO DE SETE CABEÇAS NO REINO DA GRAMÁTICA
Saulo Piva Romero

HOUVE UM TEMPO EM QUE AURÉLIO ESTAVA COM MUITA DIFICULDADE DE ENTENDER AS LIÇÕES QUE A SUA PROFESSORA DE LÍNGUA PORTUGUESA EXPLICAVA NAS AULAS.
O MENINO NÃO SE INTERESSAVA NEM UM POUCO EM ESTUDAR A GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA E MUITO MENOS AS SUAS REGRAS COMPLICADÍSSIMAS, TANTO QUE DURANTE AS EXPLICAÇÕES DA PROFESSORA, AURÉLIO ENTRAVA EM ALFA E COCHILAVA ATÉ A AULA TERMINAR.
CERTO DIA, ENQUANTO A PROFESSORA COMEÇAVA A EXPLICAÇÃO SOBRE ACENTUAÇÃO GRÁFICA, OS OLHOS DO MENINO COMEÇARAM A FICAREM PESADOS E RAPIDAMENTE SE FECHARAM E ASSIM AURÉLIO TEVE UM SONHO E EMBARCOU NUMA VIAGEM A UM LUGAR TÃO DISTANTE DE ONDE SE ENCONTRAVA NAQUELA HORA.
ELE HAVIA SE DESCONECTADO COMPLETAMENTE DA AULA DE GRAMÁTICA QUE NA SUA VISÃO ERA UMA CHATICE.
AURÉLIO ESTAVA MUITO OFEGANTE E MUITO CANSADO, POIS, DURANTE AQUELA COCHILADA COM OS BRAÇOS CRUZADOS SOBRE A CARTEIRA E A CABEÇA REPOUSANDO NO LIVRO DE GRAMÁTICA, HAVIA DESEMBARCADO NUM REINO MUITO ESTRANHO E AO MESMO TEMPO DIFERENTE DE TUDO O QUE ELE JÁ TINHA VISTO ATÉ AQUELE MOMENTO.
AURÉLIO DESPERTOU E QUASE FOI ATROPELADO POR UM BANDO DE LETRAS QUE CORRIAM DESESPERADAMENTE FEITO UMA MANADA DE ELEFANTES.
AURÉLIO NÃO ESTAVA ENTENDENDO O QUE REALMENTE ESTAVA ACONTECENDO E MUITO MENOS COMO ELE HAVIA CHEGADO ALI.
ELE SÓ CONSEGUIU IDENTIFICAR QUE ERAM AS LETRAS DO ALFABETO QUE HAVIA APRENDIDO HÁ POUCO TEMPO.
AS LETRAS CORRIAM ENFILEIRADAS E FALAVAM EM PORTUGUÊS, MAS LOGO ATRÁS DELAS, O MENINO REPAROU QUE AS TRÊS ÚLTIMAS LETRAS FALAVAM DIFERENTE DAS DEMAIS LETRINHAS. ELAS SE CHAMAVAM K, W E Y.
AURÉLIO NÃO AGUENTANDO A CURIOSIDADE, FOI SE APROXIMANDO DE MANSINHO E QUANDO CHEGOU MAIS PRÓXIMO DELAS, CRIOU CORAGEM E PERGUNTOU PARA A LETRA A QUE COMANDAVA O EXÉRCITO DE VINTE E SEIS LETRAS E PERGUNTOU:
– QUE REINO É ESSE?
E A ESBAFORIDA LETRA A DISSE:
SEJA BEM-VINDO AO REINO DA GRAMÁTICA, MENINO! MAS, DEVO LHE DIZER QUE ESCOLHEU UM PÉSSIMO MOMENTO PARA NOS VISITAR, POIS, ESTAMOS ENFRENTANDO O MAIOR DESAFIO DE NOSSAS VIDAS, POIS, O TERRÍVEL BICHO DE SETE CABEÇAS SE LIBERTOU DA TORRE DO CASTELO EM QUE ESTAVA PRESO E PASSOU A NOS PERSEGUIR E PROMETENDO VINGANÇA. ELE SE APODEROU DE TODOS OS LIVROS DE GRAMÁTICA DO NOSSO REINO E PROMETEU QUEIMÁ-LOS E COM ISSO VAI MATAR NÃO SÓ O ALFABETO DO QUAL FAÇO PARTE, MAS, TAMBÉM IRÁ ACABAR COM O SUJEITO, O PREDICADO, O VERBO, PRONOME, O ADJETIVO, O SUBSTANTIVO E TODOS OS OUTROS ELEMENTOS QUE FAZEM PARTE DA NOSSA GRAMÁTICA.
AURÉLIO QUE DETESTAVA AS AULAS DE GRAMÁTICA FICOU FELIZ E DEU UMA SONORA GARGALHADA E DISSE:
– QUE MARAVILHA! ASSIM, EU NUNCA MAIS TEREI QUE FICAR NA SALA DE AULA OUVINDO CHATICES!
MAS, AURÉLIO É IMEDIATAMENTE REPREENDIDO PELA LETRA A, QUE ENCABEÇA O ALFABETO.
– MENINO! NUNCA MAIS REPITA UMA COISA DESSAS, POIS, UM REINO SEM SUA LÍNGUA E SEM SUA GRAMÁTICA, É UM REINO MORTO.
AURÉLIO VIU QUE SUA ATITUDE NÃO HAVIA SIDO CORRETA E IMEDIATAMENTE PEDE DESCULPA AO ALFABETO E SE OFERECE PARA AJUDÁ-LOS A DERROTAR ESSE BICHO DE SETE CABEÇAS QUE QUER DESTRUIR O FABULOSO REINO DA GRAMÁTICA.
TODO O ALFABETO ACEITA O PEDIDO DE DESCULPAS DO MENINO E A LETRA A DIZ QUE SE O BICHO DE SETE CABEÇAS VENCER A GUERRA CONTRA OS ELEMENTOS DA GRAMÁTICA, A LÍNGUA PORTUGUESA SUMIRÁ PARA SEMPRE.
– ESSE MONSTRO JÁ TENTOU FAZER ISSO, UMA VEZ, MAS GRAÇAS A UMA BONECA DE PANO, QUE TAMBÉM NOS VISITAVA NESSA ÉPOCA, NOS AJUDOU A TRANCÁ-LO NOVAMENTE NA TORRE MAIS ALTA DO CASTELO.
QUANDO A LETRINHA A TERMINOU DE CONTAR A VITÓRIA DA BONECA DE PANO SOBRE O BICHO DE SETE CABEÇAS, AURÉLIO COMEÇOU A SE SENTIR UM VERDADEIRO SUPER-HERÓI.
ENTÃO, ELE ORGANIZOU O EXÉRCITO DAS LETRAS DO ALFABETO INCLUINDO AS TRÊS LETRINHAS ESTRANGEIRAS K, W E Y, POIS, COM A COLABORAÇÃO DELAS, O EXÉRCITO DAS VOGAIS E CONSOANTES FICARIA MAIS FORTALECIDO. ASSIM, AURÉLIO DEIXOU A PREGUIÇA DE LADO E JUNTO COM O ALFABETO E COM A AJUDA VALIOSA DE TODAS OS ELEMENTOS QUE FAZEM PARTE DA GRAMÁTICA, COMEÇOU A RESOLVER TODOS OS EXERCÍCIOS DE FORMA ORGANIZADA E FAZENDO USO DA SUA INTELIGÊNCIA, POIS SÓ ASSIM, ELE IRIA LIBERTAR O REINO DESSE BICHO DE SETE CABEÇAS MALVADO, QUE TINHA COMO OBJETIVO FAZER COM QUE TODOS OS SEUS HABITANTES CAÍSSEM NO POÇO DO DESCONHECIMENTO, POIS CADA UMA DAS SETE CABEÇAS LANÇAVA SOBRE AS CRIANÇAS DO REINO DA GRAMÁTICA , UM ENCANTO QUE ESVAZIAVA TODOS OS CONHECIMENTOS QUE ELAS TINHAM CONQUISTADO AO LONGO DOS ANOS. ESSES ENCANTOS DEIXAVAM AS CRIANÇAS PREGUIÇOSAS E DESINTERESSADAS DE RECEBEREM CONHECIMENTOS SOBRE AS REGRAS GRAMATICAIS DA LÍNGUA FALADA NAQUELE REINO.
ASSIM, O MENINO VESTIDO NA SUA FANTASIA DE SUPER-HERÓI COM CAPA E TUDO, ORDENOU QUE AS LETRINHAS DO ALFABETO E TODOS OS ELEMENTOS GRAMATICAIS MARCHASSEM EM DIREÇÃO AO BICHO DE SETE CABEÇAS QUE ESTAVA ESVAZIANDO TODOS AS CABEÇAS DE TODAS AS CRIANÇAS DAQUELE REINO.
ENTÃO, EM CADA PASSO QUE O EXÉRCITO DA GRAMÁTICA DAVA, AURÉLIO RAPIDAMENTE RESOLVIA UM EXERCÍCIO SOBRE UMA DETERMINADA CLASSE GRAMATICAL E ASSIM, ELE QUE DETESTAVA GRAMÁTICA PASSOU A VÊ-LA COM BONS OLHOS. ASSIM A CADA EXERCÍCIO QUE ELE CONSEGUIA SUPER UMA CABEÇA DO FEIOSO BICHO CAÍA POR TERRA COMO SE TIVESSE SIDO ARRANCADO PELA LÂMINA DE UMA ESPADA.
TODA VEZ QUE AURÉLIO SUPERAVA UM DESAFIO GRAMATICAL, O BICHO SE RETORCIA COMO UMA MINHOCA NA SUPERFÍCIE DA TERRA.
ESSE BICHO DE SETE CABEÇAS ERA MUITO TEIMOSO, MESMO TENDO PERDIDO UMA DAS SUAS CABEÇAS, NÃO DAVA REFRESCO PARA A MENTE DE AURÉLIO, MAS O MENINO HAVIA TOMADO GOSTO PELA GRAMÁTICA E FOI DESTRUINDO CABEÇA POR CABEÇA DESSE BICHO MALVADO QUE QUERIA FAZER COM QUE O REINO DA GRAMÁTICA DESAPARECESSE DEFINITIVAMENTE DO MAPA PARA SEMPRE.
DE REPENTE AURÉLIO ACORDA AOS PULOS, E OLHA PARA O SEU LIVRO DE GRAMÁTICA SOBRE A CARTEIRA E VÊ O ALFABETO COM TODAS AS VINTE E SEIS LETRAS O SAUDANDO POR ELE TER SIDO VENCIDO O TEMIDO BICHO DE SETE CABEÇAS E ASSIM GARANTIDO A LIBERDADE E A VOLTA DO CONHECIMENTO PARA DENTRO DAS CABECINHAS DE TODAS AS CRIANÇAS DAQUELE ESTRANHO E AO MESMO TEMPO ENGRAÇADO PAÍS, ONDE AS LETRAS DO ALFABETO E AS CLASSES GRAMATICAIS PODIAM SE COMUNICAR ATRAVÉS DA FALA COM TODOS OS SEUS HABITANTES.
QUANDO AURÉLIO ERGUE OS SEUS OLHOS DE VOLTA A REALIDADE, A PROFESSORA O PARABENIZA PELA NOTA DEZ QUE ELE CONQUISTOU NA AVALIAÇÃO DE GRAMÁTICA.
ASSIM, DAQUELE DIA EM DIANTE, AQUELE MENINO PREGUIÇOSO E DESINTERESSADO PASSOU A AMAR AS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA TOMANDO GOSTO PELA GRAMÁTICA E AS SUAS REGRAS QUE PARA ELA NÃO ERA MAIS UM TEMIDO BICHO DE SETE CABEÇAS E SIM UMA FONTE DE SABEDORIA INFINITA.


Biografia:
Saulo Piva Romero, professor de Língua Portuguesa e Poeta, 46 anos. Nasceu em São Paulo no dia 9 de março de 1972. Começou a escrever poesias aos 18 anos. É formado em Letras pelas Faculdades Associadas do Ipiranga com Licenciatura Plena em Língua Portuguesa, Inglesa e Literatura.Em 2000 publicou seu primeiro livro Vida, amor e esperança.
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