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RETRATO NA PAREDE
Sérgio Clos

O que vejo não é o que sinto. O que sinto não é o que vejo. O que penso que seja talvez não seja realmente. Tudo é muito confuso apesar das supostas certezas.
Pairam muitas dúvidas sobre a nossa perfeição. Talvez sejamos uma máquina perfeita capaz de perceber mesmo que sutilmente nossas imperfeições. São as nossas falhas de caráter, de ética. São as nossas maldades latentes que lutamos para controlá-las.
Fingimos que somos caridosos, mas na verdade não o somos. Somos egoístas. Entretanto, tal egoísmo é uma carapaça de proteção. O mundo é verdadeiramente cruel nos dois sentidos: objetivo e subjetivo. Somos desonestos, pois elegemos os desonestos. A nossa inteligência usa o potencial de desonestidade dos políticos para atender as nossas demandas. Fingimos ser fiéis, mas nossas mulheres sabem que não o somos. As mulheres cuidam do mundo e nós o povoamos. É da nossa natureza.
Sempre tentamos trabalhar menos e ganhar mais.
O trabalho braçal não nos encanta. O trabalho enobrece o homem? Tenho cá minhas dúvidas. Na entrada do campo de concentração de Auschwitz estava escrito: “O trabalho liberta.”.
Fabricar legiões de escravos para suprir as ânsias sempre foi tônico nesse mundo.
Somos tão imperfeitos que brigamos entre nós pelos mesmos demônios que nos oprimem.
Seria bom esquecer tudo, ser otimista, distribuir amor, mas não é o que temos feito sempre? Talvez não.
Queremos nos ocupar com outros assuntos, entretanto, costumeiramente, caímos na vala do debate infrutífero.   
Somos intolerantes com os intolerantes.
No fundo queremos sempre mudar o que não pode ser mudado.
Fingimos viver um dia de cada vez, mas na realidade ficamos umbilicados no passado sempre esperando pelo futuro. Na verdade, ou, inconscientemente, sabemos o que deve ser feito, só não o fazemos por pura teimosia mesmo.
Vivemos tanto tempo e não aprendemos muita coisa.
Apegamos-nos à letra morta dos discursos vazios para impor algo que nem nós e nem os que escreveram fizeram-se convictos.
Somos carentes, precisamos de atenção e reconhecimento e quando esses não vêm, culpamos o mundo, mesmo assim ele não nota a nossa presença. Passar despercebido é horrível.
As incertezas de Sócrates deveriam ser as nossas também.
E, no final, é certo que nos transformemos somente num retrato na parede.
Até elas ruírem...


Biografia:
Cronista e articulista. 64 anos
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