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Procuram-se amoladores IX
Pandora Agabo

O que faz os professores acreditarem que trabalhar em grupo é melhor? O incrível é que eles realmente acham que é algo que nos beneficia e o engraçado é que ninguém avisa que eles estão redondamente enganados.

— Quero grupos de quatro. Cinco estourando.

Todos na turma começaram a se mobilizar, para encontrarem seus parceiros de grupo. Eu apenas abaixei a cabeça, como um gesto que substituísse eu levantando uma plaquinha com o escrito "não estou disponível".

Os alunos demoraram mais que o necessário para se organizarem e, enfim, a professora parou na frente da turma e perguntou:

— Alguém ficou sem grupo?

Ninguém levantou a mão, inclusive eu, por mais que estivesse sem grupo. Eu queria passar despercebida, quem sabe, se eu tivesse saco, fizesse esse trabalho sozinha e entregasse assim mesmo. Por que a professora recusaria o meu trabalho? Eu não sou a traumatizada-deprimida? Então não ia custar nada, mas a questão é que eu não sou uma aluna invisível, por mais que eu tenha trabalhado imensamente em ganhar esse título.

— Bárbara, você ta em algum grupo? - a professora perguntou.

Neguei com a cabeça com uma tremenda cara de sonsa, quando por dentro eu estava morrendo de ódio pelo meu plano ter falhado.

— Professora... - a Lúcia levantou a mão.

— Diga. - a professora lhe passou a palavra.

— Abre uma exceção, deixa a gente com 6 integrantes e coloca a Bárbara aqui.

Não, não, não, não...

— Pode ser? - ela perguntou pra mim.

Aquiesci, mas querendo que alguém me acertasse com um ferro na cabeça.

Peguei meu material e migrei até uma carteira próxima aonde o grupo da Lúcia estava reunido.

— Então... - Eleonora, a nerd do grupo, começou a falar - Eu tava pensando que podíamos reunir umas três vezes, uma pra programarmos o trabalho, reunirmos as ideias e tudo; outra para executarmos o trabalho e uma última para fazermos os devidos ajustes. O que vocês acham?

Ninguém tinha nenhuma ideia melhor e então abraçaram a primeira que surgiu.

— Mas o que é pra fazer mesmo? - Olívia perguntou coçando a cabeça com o lápis.

— É para fazermos uma experiência que coloque em prática os conceitos que aprendemos durante a aula e depois redigirmos o texto. - Eleonora a respondeu - Só que aí vamos precisar da casa de alguém, porque vamos fazer a maior sujeira. Quem se habilita?

Eu bem que poderia me habilitar, mas não estava afim.

— Ah, pode ser na minha casa. - Lúcia ergueu a mão - Só dizerem quando, que nós vamos.

— O quanto antes.

Maravilha. E eu que pensei que nunca mais teria que pisar naquela casa...


Este texto é administrado por: Sabrina Queiroz
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