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TERRA SECA - VIDAS SECAS
João carlos de oliveira

Já dizia o velho ditado popular; que o homem sertanejo é um forte!
E, deveria sê-lo mesmo, diante do quadro desolador de estiagem e seca, que se verifica no Norte de Minas Gerais.
Considerada por muitos, como a pior das secas dos últimos 70 anos, o quadro de estiagem reinante nesta região, a exemplo do Nordeste Brasileiro, vem deixando um quadro desolador de destruição de pastagens, de plantações, e de rebanhos, em toda a região.
Quer como produtor, seja como profissional do quadro das ciências agrárias, tenho acompanhado de perto, o drama de muitas famílias, pequenos proprietários de terras, e mesmo, de médios produtores rurais, diante do quadro de verem a morte dos seus animais, sem poderem fazer quase nada.
Sem colheitas, sem pastagens e forrageiras, a situação se agrava, uma vez, que em muitas localidades e propriedades, verifica-se, também, a falta de água potável.
Os córregos do Norte de Minas, que na sua maioria, já eram semi-perenes em anos normais de chuvas, diante do quadro de seca atual, secaram de vez.
Os barramentos das águas pluviais, representados pelos tanques escavados e por represas de terra batida, que na verdade, não chegaram nem mesmo a encher de água este ano, também já secaram quase todos.
Sou testemunha, de quadros desoladores em muitas propriedades rurais, onde os solos agora desnudos, outrora, ocupados por pastagens e lavouras, viraram um só torrão de terra vermelha.
Os ventos oceânicos, que à esta estação do ano, sopram da direção Leste-Oeste, promovem verdadeiras nuvens de poeira vermelha, em muitas fazendas.
Tendo nascido no Norte de Minas, deveria também, por convicção e por força das circunstâncias, ser um destes homens fortes desta enorme região.
Até que pensava sê-lo até então, entretanto, descobri, que por trás do “ homem forte “ , que deveria existir em mim, na verdade, existe também, um homem sentimento, e muitas foram as vezes, em que já fui traído por ele, diante de determinadas situações.
Dias do mês de Agosto de 2013, chegando à uma propriedade rural, situada no Município de Janaúba, MG, a convite profissional do seu proprietário, montava à cavalo, para dar um giro pelas pastagens, para verificar a situação de mortandade ( diagnóstico ) das mesmas.
Como contava com a confiança do proprietário da Fazenda, que nem mesmo reside no Norte de Minas, andava sozinho pelas pastagens, quando deparei com um quadro triste, que me deixou mal e cabisbaixo, por muitos dias.
Deparei-me, com uma vaca, que em posição de joelhos, se encontrava debruçada sobre o corpo inerte do seu filho ( bezerro ), na tentava reanimá-lo, lambendo o seu corpo.
O animal ( bezerro ) berrava – era como se pedisse socorro -, e diante de um quadro febril, e com pulso acelerado, dava seus últimos suspiros.
Como profissional, logo percebi, pelo seu estado nutricional, que aquele pequeno animal, ainda lactante, que agonizava ali na minha frente, estava morrendo de fraqueza, devido a desnutrição provocado pela fome.
Pelo estado físico e nutricional da sua mãe, a vaca, também observei, que não havia leite em suas tetas, e que a própria sobrevivência dela, muito provavelmente, era questão de mais alguns dias.
Vagueei o meu olhar em derredor, e confrangeu-se-me a alma. Desci do meu cavalo, escorei o meu corpo sobre o estribo da sela, e não resisti às lágrimas, que inundaram-me, o rosto.

Moc, 10/2013.

E-mail: zoo.animais@hotmail.com










Biografia:
Nem mesmo cairá uma unica folha de uma árvore, se caso não exista uma razão para tal!
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