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Ânsia da escrita
Flora Fernweh

Aquela fração de hora que precede o trabalho do escritor é um momento de reconexão consigo, de afirmar para si mesmo com palavras subentendidas “eu consigo”, de busca por vestígios de inspirações escondidas nas veredas profundas de sua existência e na espera do fluxo de consciência tardio. A primeira frase costuma ser um parto, a primeira oração acontece no primeiro momento em que as linhas deram a luz ao pensamento contido. Não é fácil ser longínquo sem se perder de vista, não é simples abrigar o infinito e ser parte fundamental dele, sem se deixar ganhar pela tentação do labirinto cujos caminhos se formam instante após instante. Palavra doída e minuciosa que cambaleante dá luz ao texto, tamanho jorrar de sentimentos daquele que se sentiu na obrigação de lacrimejar em tinta, os felizes tesouros que ganharam o registro no papel. Começar até pode ser árduo, mas o entendimento de que existe um início e um final para tudo, se encarrega de conduzir a palavra até o sucinto e certeiro ponto final. Há certas coisas que são muito mais fortes do que a possibilidade de um pensamento desorganizado e mal-resolvido de seu rumo. O ímpeto da escrita vence as barreiras da inércia e vibra como potência criadora, vivificando toda réstia de monotonia aparente. Escrever é estar em um constante estado de alerta, é resistir ao impulso de se deixar levar pelo cansaço do mundo. É ser um pescador em águas tranquilas sem se abater pelo sono, na certeza de que a recompensa está à sua frente e que pode emergir em qualquer minuto, e ao mesmo tempo, ser o peixe radiante e sonhador que mergulha em seu universo único e imprevisível. Nascer com um dom, lapidá-lo exaustivamente para que seu efeito ressoe em cada canto, mas cessar por breves intervalos de tempo e esquecer de alimentá-lo, é criar uma encruzilhada muito original, lar da retumbante letargia que pode demorar a desaparecer, que pode desprezar a força criativa do ócio e provocar um estranho e irrevogável esquecimento. É muito material amorfo acumulado perto dos recônditos desconhecidos da alma, tal matéria sem cor nem forma espera ansiosamente por mãos que possam esculpi-la e transformá-la em símbolo, cor ou melodia. Aquilo coça, não perde a primeira oportunidade de vir à tona. É sobretudo, lidar com a obrigação de ser quem és por meio da manifestação artística dos seus sentidos. É sobre chegar ao fim da linha e ser perpassado pela sensação que se estende muito além daquele simples trovejar de ideias que geraram um trabalho comprido. Mais do que isso, é sentir que o trabalho está cumprido, e que voltei a viver o que nasci para ser.


Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
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