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Morcegóvia
Rafael da Silva Claro

Em 1993, o Corinthians tinha tudo para ganhar a final do Paulistão, deixando o Palmeiras seguir o 17º ano na fila (sem ganhar campeonatos). O Porco teria que ganhar no tempo normal e na prorrogação. Impossível. Eu, na certeza da vitória, comprei o ingresso para a numerada inferior do Morumbi, a fim de invadir o gramado após o apito final. Eu atravessaria o gramado de joelhos, bandeira nas costas, como em 77. Eu seria uma espécie de torcedor símbolo, a minha imagem seria reprisada sempre. Aquele jogo seria histórico, porque manteria o Palmeiras em jejum.

Tudo roteirizado e armado, porém esqueceram de “combinar com os russos”, ou melhor (pior), com os palmeirenses. A partida foi um desastre. Tempo normal, 3 a 0. Nem fiquei pro final da partida, mas a lotação tinha uma televisãozinha sádica exibindo um torturante “último prego no caixão”. Tentei fingir indiferença com o trágico jogo. Contudo, parecia óbvio que eu era um corintiano frustrado fugindo do Morumbi. Saí rápido dali, antes que a surra (figurativamente) que meu time estava levando, dentro de campo, virasse um espancamento (literalmente), nas proximidades do Cícero Pompeu de Toledo, apenas por eu vestir uma camiseta do Timão. Deu tudo errado. O ronco do motor da Kombi tornava aquela viagem ao Centro interminável e dramática.

Noite de sábado, para esquecer a derrota eu estava conformado que dali pra frente o que restava era pipoca com Fanta, Supercine e Corujão. Tudo mudou quando um amigo apareceu chamando para ir no Morcegóvia. O nome é fantasmagórico, entretanto o lugar,,, errr,,, também.

Morcegóvia é a reencarnação do lendário Madame Satã (marcou época nos anos 80). Em 93, na escola, um amigo falou que o Madame iria reabrir. Estive lá muitas vezes (anos 90), considero que foi um dos melhores lugares que fui, mesmo no, que muitos consideram, decadente Morcegóvia.

O sábado teve um plot twist (mudança radical), um cavalo-de-pau.

Sei que a Polícia fechou e a Prefeitura lacrou a Casa algumas vezes. Não sei o porquê, só sei que não foi culpa minha. A casa mudou, várias vezes, de nome, sendo que a última vez que estive lá, o nome voltou a ser Madame Satã, mas, testemunham, não era a mesma coisa.

O Morcegóvia era movido a rock (pós-punk), cerveja barata, vodka falsificada e vinho de garrafão. Só coisa fina! A casa funcionava num casarão antigo, o ambiente e aspecto meio medieval e seus frequentadores se vestiam como vampiros, bruxas ou no estilo da Era Vitoriana. O mais básico era roupa preta e óculos escuros (de noite).

Minha única característica parecida com a de um vampiro é eu poder dizer: nasci no século XX, no milênio passado.

Domingo, parecia um passado muito remoto -um pesadelo- a derrota do meu time. Em 2020, o duelo se repetirá (em uma final). Essa parada (quarentena), certamente, favoreceu o time do Parque São Jorge, espero que seja uma ducha de água fria nas pretensões palmeirenses. Por fim, almejo que o campeonato não termine com o fantasma de uma nova derrota, nem bruxas e vampiros de verdade.


Biografia:
Ensino secundário completo. Trabalhei em várias empresas, fora da literatura. Tenho um blog, onde publico meus textos: “Gazeta Explosiva” Blogger
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