Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
Bar do Barba *
Rafael da Silva Claro

Esse era o local obrigatório das saideiras -quando era cedo ou a sede permanecia- para uma noite de sábado. Frequentávamos essa espelunca por puro costume, pois a Vigilância Sanitária faria hora extra lá. O Barba era o, digamos, proprietário do empreendimento do ramo do entretenimento etílico. O atendimento era péssimo, até mesmo para a escória da sociedade. A comida, provavelmente, possuía coliformes fecais acima do permitido na lei. O pobre infeliz que aventurava-se a morder uma coxinha, contrairia uma infecção estafilocócica. A chapa para o preparo de lanches apresentava rastros de, argh, baratas. A prova do extermínio delas, era a lata de Baygon, estrategicamente posicionada.

O banheiro era, lógico, um capítulo à parte. A toalhinha de rosto, de tão usada, ficava permanentemente úmida e encardida. Essa conjuntura formava um caldo cultural perfeito para a proliferação de bactérias. A cordinha da descarga merecia um teste de carbono 14. Enfim, o, por assim dizer, “toilette” era um ambiente a ser evitado.

O fundo do boteco era onde a mágica acontecia. Para adentrar esse espaço, você tinha que vencer uma portinha. Quem passasse para lá, se isolava do resto do mundo e era brindado com um irritante videokê. Esse lugar era um tipo de bunker, de modo que, se caísse uma bomba atômica, lá fora, apenas sobreviveriam as baratas e quem ali estivesse. Nas paredes, quadros com imagens intrigantes, um pisca-pisca que mal iluminava o, vá lá, ambiente, a pretensa inscrição “Show de Luzes” e o inexplicável aviso “Ambiente Familiar”. No videokê, além dos péssimos cantores (inclusive eu), havia o momento Barba. Nesse episódio, o dono do duvidoso estabelecimento comercial, assassinava canções outrora belas. Ele era bovinamente aplaudido .

Esse refúgio, pessimamente frequentado, era, obviamente, um forte candidato a esconderijo de potenciais arquivos vivos. Ali, como em qualquer bar, saía uma briga generalizada de vez em quando. Mas não se podia chamar a Policia. Se qualquer autoridade visse o lugar, pediria sua interdição.

O Bar do Barba ficava em Guarulhos, e lá, determinadas pessoas fazem a “justiça” com as próprias mãos. Essa justiça condenou o Barba. Tentaram continuar o negócio sem ele, mas não era a mesma coisa. O bar fechou.


Biografia:
Ensino secundário completo. Trabalhei em várias empresas, fora da literatura. Tenho um blog, onde publico meus textos: “Gazeta Explosiva” Blogger
Número de vezes que este texto foi lido: 33806


Outros títulos do mesmo autor

Ensaios Guia Politicamente Incorreto da Pandemia Rafael da Silva Claro
Ensaios Na pressão Rafael da Silva Claro
Ensaios Nadando de braçada Rafael da Silva Claro
Ensaios Dois Papas Rafael da Silva Claro
Ensaios O Clarividente Rafael da Silva Claro
Ensaios Polícia e ladrão Rafael da Silva Claro
Crônicas Retrospectiva 2020 Rafael da Silva Claro
Ensaios Espiral do silêncio Rafael da Silva Claro
Ensaios Rodrigo Maia nunca mais Rafael da Silva Claro
Crônicas Ócio criativo Rafael da Silva Claro

Páginas: Próxima Última

Publicações de número 1 até 10 de um total de 83.

  Envie este texto por e-mail
Digite seu nome:
Digite seu endereço de e-mail:
Digite o nome do destinatário do e-mail:
Digite o endereço de e-mail do destinatário:

escrita@komedi.com.br © 2021
 
  Textos mais lidos
viramundo vai a frança - 48528 Visitas
IHVH (IAHUAH) e ISV (IASHUA) - Gileno Correia dos Santos 42870 Visitas
Sem - ANDERSON CARMONA DOMINGUES DE OLIVEIRA 41915 Visitas
NÃO ERA NADA - Alexsandre Soares de Lima 40795 Visitas
Pensamento 21 - Luca Schneersohn 40438 Visitas
Os Morcegos - Nato Matos 40155 Visitas
Guerra suja - Roberto Queiroz 40029 Visitas
O Trenzinho - Carlos Vagner de Camargo 39982 Visitas
A PRAIA DO PROGRESSO - Rosângela Barbosa de Souza 39787 Visitas
MILA, A MENINA QUE MORAVA DENTRO DE UM COGUMELO - Saulo Piva Romero 39741 Visitas

Páginas: Próxima Última