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O ator mais icônico da minha geração
(R.I.P Rutger Hauer)
Roberto Queiroz

Certos artistas não deveriam morrer. Nunca. Não, é sério! Podem me chamar de maluco se quiserem...

Chega a mim, atrasada, a informação de que o ator Rutger Hauer faleceu no último dia 19 de julho. E a recebo com uma enorme tristeza. Digo isso sem a menor puxação de saco. Era fã de carteirinha do ator e digo mais: não conheço outro ator que tenha sido mais icônico do que ele (pelo menos, dentro da geração a qual pertenceu). Seu carisma deveria ser ensinado nas escolas de interpretação (se fosse possível, é claro!). E podem ter certeza que hollywood - e me refiro à hollywood clássica, não essa versão pop e super-herói de hoje em dia - deve muito de seu legado cultural a artistas como ele.

A carreira de Rutger Hauer se confunde com a minha adolescência (mais especificamente a época em que meu pai comprou nosso primeiro aparelho de VHS e eu o programava quase todo dia para gravar aqueles filmes preciosos e raríssimos que só a madrugada televisiva da época - no caso, os anos 80 e 90 - passava). E todas as vezes que o filme anunciado era com ele meus olhos brilhavam, pois já ficava na expectativa para saber como ele iria me surpreender. E era sempre uma surpresa boa.

Ele foi praticamente um pouco de tudo atrás das telas: mendigo, homem que vira lobo à noite, policial corrupto, santo beberrão, presidiário, gladiador, replicante, serial killer, treinador de uma matadora de vampiros, caçador de recompensas, espadachim cego, monge, milionário excêntrico que vive de caçar pessoas por esporte, etc etc etc. Em seu perfil no IMDb constam mais de 170 créditos (e eu, obviamente, ainda não assisti a todos eles. Mas pretendo!). Se existe uma palavra que o classifique com exatidão é: camaleônico.

Contudo, é inegável que seu maior sucesso aqui no Brasil foi interpretando o replicante Roy Batty no eterno cult Blade Runner: o caçador de andróides, do diretor Ridley Scott (um filme, aliás, que mesmo após tantos anos não perdeu sua condição de clássico da sétima arte). Durante anos, todas as vezes que reassisti o filme, ficava na minha cabeça a ideia de que ele, o andróide, fosse o verdadeiro protagonista do filme. Prova de seu talento.

Entretanto, iludem-se aqueles que o resumem única e exclusivamente a tal personagem. Ele possui, isso sim, uma galeria notável de tipos os mais diversos, do mais boa praça ao mais repulsivo dos vilões (que, por sinal, são os momentos de sua carreira os quais este que vos escreve mais gosta). Dito isto, deixo abaixo uma pequena lista de relíquias para que os cinéfilos leitores deste humilde artigo possam deleitar-se quantas vezes assim desejarem:

Falcões da noite, de Bruce Malmuth (1981)
O casal Osterman, de Sam Peckinpah (1983)
O feitiço de Áquila, de Richard Donner (1985)
Conquista sangrenta, de Paul Verhoeven (1985)
A morte pede carona, de Robert Harmon (1986)
Fuga de Sobibor, de Jack Gold (1987)
Fúria cega, de Phillip Noyce (1989)
Juggers - os gladiadores do futuro, de David Webb Peoples (1989)
Aliança mortal, de Lewis Teague (1991)

...e isso só para ficar no gostinho!

Com a virada dos anos 2000 passei a perder contato com sua filmografia. E também é bem verdade que seu nome começou a desaparecer dos letreiros dos cinemas, bem como o de figuras igualmente marcantes do cinema oitentista como Burt Reynolds, Charles Bronson, Bruce Dern, entre outras feras. Em outras palavras: o chamado cinema de ação passou a seguir outros caminhos digamos "mais comerciais" (para não dizer o que eu estou realmente pensando).

Mesmo assim ainda é possível, graças ao mundo mágico da internet, se deparar com pérolas como Hobo with a shotgun (2011), de Jason Eisener, que nasceu como um fake trailer dentro do projeto Grindhouse, capitaneado pelos diretores Quentin Tarantino (responsável pelo episódio À prova de morte) e Robert Rodriguez (responsável pelo episódio Planeta terror). E ele também deu as caras em blockbusters mais recentes, como Batman begins, de Christopher Nolan e Sin City: a cidade do pecado, de Frank Miller e Robert Rodriguez, mas já como coadjuvante, sem o mesmo brilhantismo.

Hauer falece aos 75 anos, mas deixando a impressão de que ainda tinha muito a contribuir à sétima arte (embora os estúdios e diretores não pensassem o mesmo e lhe legassem papéis cada vez menores). Fica na memória dos fãs lembranças de um ator magnífico, que namorava a câmera (eu, pelo menos, sempre tive essa impressão dele!) e não titubeava diante de desafios, fossem quais fossem.

Vai com Deus, Roy (quer dizer, Rutger)!

Em tempo: se continuarmos perdendo grandes nomes do cinema com a velocidade que vêm acontecendo nos últimos anos, será que ainda estarei frequentando cinemas na próxima década? Tenho minhas dúvidas.


Biografia:
Crítico cultural, morador da Leopoldina, amante do cinema, da literatura, do teatro e da música e sempre cheio de novas ideias.
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