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Exercendo a liderança baseada no poder de Deus
Cezar Andrade Marques de Azevedo

A administração reside na arte de gerenciar e liderar. Gerenciar é a capacidade de dispor os recursos para o propósito da organização, enquanto liderança, segundo Hunter, é “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum” (Hunter, James C. O Monge e o Executivo. Uma história sobre a essência da administração. 10° Ed, Rio de Janeiro. Sextante, 2004. p 25), é fazer coisas por meio de pessoas.

Em sendo uma habilidade, pode ser aprendida, contudo o exercício da influência sobre outro ser humano só é possível quando contamos com a sua disposição mental em favor do que está sendo proposto. Para que sua vontade possa ser voluntária é preciso exercer autoridade, visto que o poder é a imposição de fazer e a autoridade resulta na influência pessoal sobre o subordinado para motivá-lo a fazer.

O caminho mais curto para conseguir algo é obrigar a fazer, mas este tipo de atitude tende a desgastar o relacionamento a ponto de causar um processo de insubordinação. Os que exercem poder sobre seus subordinados costumam dar sua ordem sempre com algum tipo de ameaça implícito, do tipo: “se não fizer será despedido”, “se não trabalhar, não será pago horas extras” e assim por diante. Gente assim não está atenta às necessidades de seus comandados, sendo sua maior preocupação a conclusão da tarefa.

O líder pode mudar sua atitude e, neste caso, desenvolver um comportamento que propicie o exercício da autoridade, visto ser o comportamento uma escolha. Esta mudança de atitude é sábia porque as conseqüências da imposição resultam em baixo nível de comprometimento, de auto-estima e de confiança, produzindo um trabalho de péssima qualidade, bem como mal estar no relacionamento entre o liderado e seu líder. A mudança de atitude é necessária porque a tarefa deve ser realizada, mas enquanto ela é executada, relacionamentos precisam ser construídos.

Para desenvolver relacionamentos, a primeira arte a ser aprendida é a de ouvir com atenção o que diz o liderado, pois quando isto não é feito emite-se a mensagem que a opinião do liderado não é importante, negando seu valor na resolução do problema. Quando se ouve, a intenção é compreender suas legítimas necessidades, que podem ser classificadas segundo Maslow, em ordem crescente de prioridades, como: rudimentares, o comer, beber e vestir-se; elementares, habitação e segurança; sociais, fazer parte de um grupo e ser amado; psicológicas, ter auto-estima; e espirituais, ser alguém realizado.

Identificadas as necessidades legítimas, o líder deve empenhar todas suas energias buscando continuamente atendê-las. Este comprometimento lhe é um ato de sacrifício que demonstra o apreço que se tem por seus liderados, visando seu bem estar. Este ato tem por base o amor, que é uma atitude positiva e manifesta capaz de propiciar uma resposta comportamental baseada na vontade. É quando as ações se harmonizam com as intenções que as atitudes são coerentes, influenciando positivamente os liderados. Neste sentido Jesus declarou:

“Vós não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” (Jo 15:16)

Drucker (1986) já havia chamado atenção para a principal tarefa da administração, que é o de atender uma finalidade produtiva comum. Cabe ao administrador, enquanto no exercício de sua liderança, buscar o atendimento das necessidades legítimas de seus liderados, razão do Senhor exortar para a importância de produzir fruto permanente, fruto este que é obra do Espírito Santo no coração daquele que administra segundo o poder de Deus (I Pd 4:11). Este fruto, que objetiva a construção de relacionamentos duradouros, se desdobra em nove facetas:

“o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; ...” (Gl 5:22b,23a)

O amor, que encabeça a lista, não se trata de um sentimento, mas de uma atitude que não exige nada em troca, por isso chamado de amor incondicional conforme definição desta palavra segundo o original grego, transliterado por “ágape”. Este comportamento tem sua origem na percepção que o homem é a imagem, conforme a semelhança de Deus, portanto devendo ser tratado com todo respeito e apreço, não importando sua atitude. O sentimento pode variar, mas o comportamento não, por ser um ato de vontade, sendo esta a razão do amor ser a base da influência exercida pelo líder sobre seus liderados.

As demais variantes do fruto do Espírito são atributos do amor visto sob outra ótica, por isso todas elas se baseiam no comportamento adotado. Por gozo entende-se a satisfação de estar com o liderado, resultante do calor humano, pois não há ninguém que não tenha algo a acrescentar. Nós somos seres interdependentes e não podemos fugir a questão levantada por Deus a Caim: “onde está seu irmão?” (Gn 4:9). Paulo, escrevendo aos Corintios fala do valor de cada membro em particular para o conjunto do corpo, demonstrando que o menor é revestido de maior honra e que qualquer parte que seja não pode prescindir da outra. Se os olhos se rebelarem contra as mãos, basta um cisco para chamar a ajuda delas para que os olhos sejam guiados, enquanto persistem suas trevas momentâneas (I Co 12). Em uma empresa, qualquer cargo ou função ocupada por um indivíduo visa atender a uma necessidade desta organização, sendo imprescindível sua participação, caso contrário não teria sua existência assegurada. Deixe o café de ser feito ou o banheiro de ser limpo e imediatamente se percebe o valor destas tarefas menores para o bem estar de todos.

A paz reflete a ausência de animosidade, permitindo o entendimento harmonioso entre as partes. Ela é fundamental para o exercício da comunicação, pois neutraliza o preconceito, tão maléfico para a compreensão mútua. Jesus fez menção do exercício contínuo do perdão como base para o relacionamento (Mt 18:22), ensinando que sua aplicação se tornou possível por causa do perdão recebido da parte de Deus (Mt 18:27). É preciso entender que Deus renunciou Seu direito de punir o homem na mesma proporção do delito que este cometera, por ter satisfeito Seu senso de justiça na bendita pessoa do Senhor Jesus Cristo, que assumiu este castigo em lugar do homem. Por este ato Deus reconciliou-se com a humanidade, ato este extensivo a todo aquele que o aceita pela fé, sendo declarado justo perante Deus (Rm 3:24). Assim o erro deve ser tratado com firmeza e honestidade, sem ressentimento, antes respeitando o direito de plena defesa. O ressentimento age como câncer, correndo o relacionamento, motivando a desconfiança e promovendo a discórdia. Uma regra útil para lidar com situações problemáticas é manter o foco sobre o problema, não sobre o indivíduo, buscando soluções eficazes para neutralizar o erro, promover o acerto e reforçar o controle.

Ser longânimo é agir com generosidade e nobreza para com o liderado, pois o relacionamento deve ser baseado na sinceridade, franqueza e honestidade. Esta atitude é reforçada pela benignidade, que é ser brando e agradável no trato pessoal, pois o sábio Salomão já aconselhava que “a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15:1), mesmo “porque a ira do homem não opera a justiça de Deus” (Tg 1:20), razão do seguinte conselho do apóstolo Tiago: “todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar” (Tg 1:19).

A atitude seguinte esperada do líder é a qualidade de agir com apreço e atenção, pois todo indivíduo busca ser amado e integrado no meio que pertence. Atos de bondades motivam a pessoa a dar o melhor de si, como foi o caso da velhinha que, ao ofertar na casa do tesouro, Jesus elogiou publicamente seu feito, demonstrando que seu ato fora em superior qualidade a todos os outros que tinham ofertado naquele dia (Lc 21:3,4). Por outro lado o líder estar atento ao ensino do Senhor, quando falou que a repreensão deve ser feita a sós (Mt 18:15), evitando humilhar seu liderado, afetando sua auto-estima.

Num mundo onde pouco valor se dá ao contrato firmado, cabe ao líder agir com fidelidade, que é a qualidade pela qual ele cumpre com suas obrigações para com seus liderados, demonstrando seu comprometimento para com eles, sustentando suas escolhas. O líder deve conceber seu local de trabalho como um jardim, no qual são criadas as condições para o crescimento sadio das plantas, preparando-as para que os frutos possam ser colhidos com qualidade. Assim, o exercício da liderança visa construir as condições favoráveis para o aperfeiçoamento contínuo, permitindo que seus subordinados tenham segurança que não haverá mudanças repentinas, injustificadas, antes recebam treinamento adequado e sejam motivados ao crescimento profissional e pessoal.

A mansidão é uma qualidade desejável ao líder por transmitir aos liderados a serenidade necessária para lidar com situações adversas, complexas e difíceis. Mediante uma atitude tranqüila, o líder torna-se um porto seguro em meio às crises, alguém com quem se possa recorrer quando as coisas não estão caminhando bem. Com isso se tem à última e fundamental qualidade, que é o exercício do domínio próprio, qualidade esta resultante do conhecimento de causa sobre as questões que lhe são afeta a liderança. O domínio próprio reside no exercício da autoridade, que é bem distinta daquela conhecida pela administração secular. Esta confunde a autoridade e o poder como uma só coisa, definindo-a como sendo “meios de manipular, usar e controlar os outros” (Rush, 2005, p 10). Autoridade, contudo, resulta na influência pessoal sobre o subordinado para motivá-lo a fazer, portanto, não é com atos de forças que será produzida esta motivação, mas atos comportamentais que tem por base o amor incondicional.

Resumindo, administrar segundo o poder que Deus dá (I Pd 4:11) exige do líder a manifestação do fruto do Espírito para que sua influência possa realmente atender as necessidades legítimas de seus liderados. O exercício deste tipo de liderança resulta em uma equipe comprometida, leal e criativa, que produz resultados com qualidade e relacionamentos duradouros. Este líder age baseado no amor incondicional, fundamentado em atos de vontade gerados pelo Espírito de Deus, por isso ele age:

. com calor humano, satisfeito por estar em contato com seu liderado, convicto que o ser humano é uma obra prima da parte de Deus e interdependentes uns dos outros;
. sem animosidade, livre de ressentimento, tendo seu coração pacificado, perdoando as faltas cometidas, sendo firme e honesto no trato pessoal;
. com generosidade e nobreza, respeitando seus subordinados independente do cargo ou função que exerça;
. com benignidade, sendo pronto no ouvir, brando na palavra e tardio no irar;
. com bondade, recompensando publicamente as atitudes positivas e repreendendo sempre em particular pelos erros cometidos;
. com fidelidade, cumprindo com suas obrigações e criando um ambiente favorável ao desenvolvimento profissional e pessoal de seus liderados;
. com mansidão, lidando com serenidade nas situações adversas, complexas e difíceis;
. exercendo domínio próprio sobre seus sentimentos e atitudes, influenciando o comportamento de seus liderados mediante seu exemplo de vida.

Ninguém manifestará estas qualidades de modo natural, antes exigirá intensa disciplina para a mudança do comportamento, contudo o líder será recompensado pela alegria indescritível, pois o Senhor Jesus ensinou que a verdadeira liderança se exerce mediante a disposição de servir, nunca por conta do desejo de ser superior ao seu semelhante, dando Ele próprio como exemplo daquele que exerce este tipo de conduta (Mt 20:25-28).

Para que estas qualidades se transformem em hábito, resultando na solidificação do caráter do líder, este deve estar consciente que precisará passar por quatro estágios (Hunter, James C. idem. p 123,124):

. estágio em que não há consciência do hábito ou tem por ele profundo desinteresse;
. estágio que se tem consciência da necessidade de mudar o hábito, mas não possui habilidade para esta mudança. Neste estágio todo esforço empreendido aparenta ser antinatural e desanimador;
. estágio que se torna experiente no exercício da habilidade aprendida;
. estágio que o hábito adquirido se torna natural, incorporado ao caráter, portanto, sendo feito de forma inconsciente.

Assim, o caminho para o exercício da liderança é penoso, exige grande dose de disciplina e sacrifício pessoal, mas produzirá como resultante a habilidade de influenciar os liderados para que trabalhem como uma equipe, visando atingir os objetivos que atendam ao bem comum.



Biografia:
O autor é casado com Karin, professora mestre em Língua Portuguesa e tem dois filhos: Adan e André. Sua formação é em Administração de Empresas, Teologia e Ciências Contábeis, com mestrado em Administração de Empresas pela PUC.PR. Atualmente é Secretario Municipal de Finanças de Campo Novo do Parecis.MT. Seu site pessoal é www.cezar.azevedo.nom.br
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