Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
SES’SEN’TA
manoel serrão da silveira lacerda

Ó qu’eu por amor à ti vida fiz-me o verso a borracha, a escrita poesia, o corpo e ánima: [a] fala e o Sujeito com a palavra. Fiz-me o zéfiro e a tormenta, o sonho e o pesadelo, o ruído e o silêncio, a luz e a sombra. Fiz-me pouco a pouco o sonho da paz e o sono sem medo da noite.

Fiz-me Sol, o céu, o sal, o cio, dias rútilos –, sementes, plantei-me em ipês de flores amarelas, Fiz-me o modular do bem-ti-vi e o revoar do colibri beija-flor.

Águas... águas de abril, chuva benta, rios correntes, fiz-me o vaivém das ondas e dos mares n'áreia: Fiz-me oceanos e os litorais. Fiz-me o protoplasma d’onde advém ao mundo: o homem.

Fiz-me Crença e Descrença, a rocha do fraco, o riso do forte, o fogo-fátuo, o sulco do cenho, a lepra da face quão a cura no amor.

Fiz-me a [I]mago, a purga de Hades, o ósculo amagor, o Eden-, Fiz-me o Pai, o Filho, o Espírito, o Santo belo da dor.

Construção... obra em curso: ou o ninguém por merecer, valer a pena conhecer-, Fiz-me a essência, o existir do ser acontecer.

Fiz-me prantos e revoados cantos, os “Todos” e os “Nenhuns” do meu onthos, - fiz-me o apego, o liberto, o desejo e o desapego. Ó incompreendido? Fiz-me ser a compreensão do Ser que se descobre até no aquilo que aparece como já tendo sido. Ó vida, tenho pressa.

Tenho pressa? Não vês que o tempo urge para o quê me resta?

Não vês que pó pra sê-lo uma só prece no poema é o que me presta?

Não vês que todo o homem não é mais que um sopro, tenho pressa? Ó tempo, diz-me: o que me resta? O que me resta?

Ó nada há mais são na minha carne, mas devora-me a carne? Nada há intato nos meus ossos, mas quebra-me os ossos?

Inda débil, couraça coberta de pelos aos farrapos... Ó tempo, perguntas em aberto: o futuro? É o hoje! Ó não dei voltas, não escondeis de mim a vossa face... Ó tempo sem pressa aos ses’sen’ta? Tu me pesas!









Biografia:
Número de vezes que este texto foi lido: 65700


Outros títulos do mesmo autor

Poesias PEDRA DE TOQUE manoel serrão da silveira lacerda
Poesias SES’SEN’TA manoel serrão da silveira lacerda
Poesias D’OSGEMEOS manoel serrão da silveira lacerda
Poesias PHARMÁCIA - A MORTE DE MERCÚRIO CROMO – CAPÍTULO [I] [ manoel serrão da silveira lacerda
Poesias O SILÊNCIO DO MUDO manoel serrão da silveira lacerda
Poesias BONS LENÇÓIS manoel serrão da silveira lacerda
Poesias O PANÓPTICO AXÉ MUSIC manoel serrão da silveira lacerda
Poesias ANEL D’ÂMBAR manoel serrão da silveira lacerda
Poesias A VIOLÊNCIA E O MUNDO MODERNO manoel serrão da silveira lacerda
Poesias MERCADO CENTRAL manoel serrão da silveira lacerda

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última

Publicações de número 31 até 40 de um total de 64.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
O Senhor dos Sonhos - Sérgio Vale 66092 Visitas
A margarida que falou por 30 dias - Condorcet Aranha 66085 Visitas
MENINA - 66083 Visitas
sei quem sou? - 66078 Visitas
O estranho morador da casa 7 - Condorcet Aranha 66078 Visitas
Viver! - Machado de Assis 66068 Visitas
Jornada de trabalho: - Alexandre Triches 66067 Visitas
Os Dias - Luiz Edmundo Alves 66063 Visitas
Só mais amarguras - Luiz Fernando Martins 66062 Visitas
Menino de rua - Condorcet Aranha 66057 Visitas

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última