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Só mais amarguras
Luiz Fernando Martins

Eu ao mesmo tempo que não culpo os meus pais, também não os perdoo, por me trazerem a vida e não terem me ensinado nada. Vejo como dois adolescentes que ainda estão aprendendo a viver, sou grato pela comida e pela moradia, porém tenho raiva de ter permitido de não ter lutado antes por um tratamento digno de um filho, de uma atenção, etc. Parece muito que foi uma gravidez acidental, mas não foi, foi a terceira gravidez, por que não parou na segunda? Por que não usaram preservativo, se foi intencional por que deram nascimento e não me ensinaram nada. Tudo bem que eles não haviam muito estudo na época, mas é por isso mesmo que preservativo existe, não consigo entender como as pessoas não planejam nada, vivem por impulsos e agem sem responsabilidades. Espero que pelo menos eles estejam satisfeitos com suas vidas agora, por que eu não estou com a minha. Desempregado, ainda terminando a merda do ensino médio técnico que não acaba e pra melhorar minha situação crises existenciais cada vez mais constantes. Eu não acho que a terra seja uma espécie de exame, que faça sentido ter que passar por tamanho sofrimento para no fim chegar-se a felicidade, até por que, pelo menos no meu caso é impossível mantê-la. Parece que a vida me força a me isolar, à não desejar contato humano, à muitas vezes desejar a morte. É insuportável a sensação de estar em um estado vegetativo, estar esperando para que eu possa conquistar a liberdade, mesmo que ilusória. Pelo menos eu não teria de lidar mais com outras pessoas, eu as respeito, porém preferia não ter que conviver com mais ninguém, pelo menos por um tempo. Por mais que o argumento de que se existem realidades ainda mais duras seja possível, o quê está uma merda está uma merda e ponto final.

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