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Clandestinos - Meu Nome é Ninguém
Wellington Almeida


Clandestina: Rafaela.
Idade: 14 anos.

O que fazer quando todos te abominam? Eles querem você o mais longe quanto possível. Não que você seja alguém desprezível, mas você simplesmente não é Ninguém.

Você mesmo que não queira será visto como um ser abominável. ‘’Aquelas criancinhas detestáveis ainda estão aí?’’ Perguntou certa vez uma senhora rica que havia ordenado a sua empregada que nos doasse um saco de arroz, e um de feijão que estava na despensa que pertencia exclusivamente a empregados. Era eu quem pedia sempre.

Eu queria que meu irmão tivesse futuro, tivesse algo de bom com o que se lembrar depois. Quando a empregada abriu o portão da imensa casa estendi as mãos para pegar os dois sacos; ambos pesados, ambos a solução que eu teria que carregar.

Entretanto, os dois caíram no chão no mesmo momento que a empregada fechou a portão em nossa cara. Ela os havia jogado. Eles se permaneciam espalhados de um lado a outro da calçada, eu agachei com cuidado e os peguei enquanto minha outra mão carregava a razão do meu viver: meu irmãozinho.

Como todas as manhãs, eu acordava sozinha. Levantava, calçava os chinelos e me trocava. A mesma roupa todos os dias. Simplesmente porque era meu uniforme do colégio. Simplesmente porque eu estava fadada a vesti-lo todos os dias enquanto eu não terminasse o ensino médio. Talvez não terminasse. Talvez não conseguisse viver até lá para poder completa-lo.
Eu vivia com meu irmão em uma casa de madeira.

Mamãe estava afogando-se em um poço de depressão. O jantar era por minha conta. As nossas roupas – ou aquelas que nós possuíamos, era eu quem devia lavá-las. Eu não sabia o que era o tal mundo que diversas vezes minha mãe falara para nós. Agora eu o conheço e da maneira mais triste que uma criança pode ser apresentada a algo novo e doloroso.

Justamente por causa de um relacionamento que acabara mal. Um casamento de sete anos vividos bem o suficiente para que no sétimo ano, meu pai se envolvesse com outra mulher. Nós desconhecemos as razões do coração, muito embora o combustível que o movimente não seja a razão e sim a emoção.

Na minha vida não sobrou um lugar para a emoção. Viver de acordo com as emoções diárias. Viu um amigo... Oh! Que legal. Certo? Não, errado. Não existem amigos. Existem pessoas insensíveis que estão virando as costas para você. Existem pessoas gentis e generosas neste mundo? Se você viu alguma, por favor, me dizem o nome e quais são elas! Porque quando meu estômago roncou e eu tive vontade de comer um simples pão, nem que fosse amassado ou até mesmo queimado – isto mesmo, quando a fome te encontra não resta dignidade, o que a gente precisa para encher a barriga é comida e pelo que eu saiba dignidade não vai enchê-la.

Eu queria que essa situação chegasse ao fim, entretanto os finais não são o que define um verdadeiro fim ao sofrimento, o que acaba de vez com ele mesmo é encontrar uma solução e isso não é simples. Simples é sofrer.






























( todos os fatos aqui apresentados são ficcionais)


Biografia:
Meu nome é Wellington Almeida,nasci no estado de são paulo, mais fui criado no interior do Paraná. Onde com muito orgulho surge deliciosas histórias para entreter-me e me fazer flutuar nas maravilhosas facetas da escrita.
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Publicações de número 21 até 30 de um total de 55.


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