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Clandestinos - A carta de Suicídio
Wellington Almeida

Clandestino: Roger Maciel – Carta de suicídio


Antes de escrever está carta, eu pensei várias vezes. Pensei em minha mãe e em minha irmã principalmente. Em como elas conseguiriam seguir em frente depois da minha morte. Mas foi aí que me dei conta que não poderia pensar em como seria sem mim aqui. Porque isso seria duvidar da
decisão que tomei á pouco.

E tudo que eu não quero agora é uma dúvida.

Refleti sobre os diversos modos em como me matar. Eu estava procurando uma morte rápida e sem dor, de preferencia que fosse acordado. Que eu pudesse ver o fato sendo consumado. A minha estranha preferencia é primeiro: uma escolha que eu faço. E segundo: porque morro de medo de morrer e não saber o que se seguira depois. É meio uma psicopatia querer ver as pessoas chorar por você, mas no meu caso eu gostaria de vê-las simplesmente pelo gosto de saber que um dia fui amado.

Minha mãe querida, não chore. Eu estou bem. Isso eu lhe garanto. Sim, sentirei saudades dos beijos de boa noite que não irei receber mais. Do leite morno das noites, e das quais que os monstros vinham me atormentar e você estava sempre ao meu lado, me protegendo de qualquer ameaça; visível ou não.

Minha protetora e segunda mãe, minha eterna irmã. Eu lhe agradeço por sempre me apoiar nas coisas que mesmo sabendo que seria um fracasso, me animava em continuar. Das vezes que acordava para me levar á escola. Essa é uma lembrança que não saí da minha cabeça.

Posso estar agora, neste exato momento fazendo uma incrível burrice. Entretanto, não quero de jeito nenhum ter as crises de choro que apenas meu acabado travesseiro abafava.

Não se culpem. Não é por causa de ausência de vocês que vou fazer isso, simplesmente perdi a vontade de viver. E sei que isso é um privilegio meu. Poder viver.

Agora vamos ao modo que escolhi para morrer. Vou pular de um prédio alto o suficiente para que a queda seja rápida e letal. Não estou sendo frio ou duro demais com todos vocês simplesmente quero deixar de existir.

Não quero que pense que cada momento que falavam em morte me arremetia ao pensar nela, nadar em seu mar escuro de tristeza sem fim.

Isso é o meu deixar de viver, deixar de sofrer para que algo novo floresça assim que eu partir para um lugar melhor. Amo vocês.
                                                                                   Roger.





















Todos os fatos narrados são meramente ficcionais.


Biografia:
Meu nome é Wellington Almeida,nasci no estado de são paulo, mais fui criado no interior do Paraná. Onde com muito orgulho surge deliciosas histórias para entreter-me e me fazer flutuar nas maravilhosas facetas da escrita.
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