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O Que há Para nós Dois?
Wellington Almeida

Resumo:
Quando Lis foi traída por seu noivo, ela nunca imaginou que o fim deste relacionamento afetaria tanto sua vida social e intima ao ponto de se excluir de sexo, e paqueras. Mas, quando finalmente descobre um lugar onde poderá libertar-se de sua prisão intima, ela verá que há mais além dela mesma. O que há para nós dois é um conto erótico sobre libertação e mágoas do passado.

Clara tenta me persuadir de que realmente estou doente, o problema é que não sei se estou tentando fazê-la acreditar nisso, ou se eu mesmo não acredito em mim.

– Eu não estou com depressão, é só um momento que prefiro ficar sozinha. Isolada. – eu digo, tentando convencer minhas únicas duas amigas que me resta.


– Mas querida, você está sozinha já faz mais de dez meses! – disse Clara erguendo as mãos para cima num esclarecedor gesto de impaciência.
Eu realmente amo minhas únicas duas amigas. Elas me dizem o que preciso ouvir e não o que quero ouvir. Depois de um relacionamento difícil muito das verdades que se escondem por de trás de mascaras de fingimento aparecem repentinamente.

– Sabe de uma coisa? Vou falar logo antes que eu perca a coragem. – Clara diz.


Ela arqueia os ombros e inspira e expira exageradamente, nitidamente tomando coragem para dizer o que está mente.


– Quando terminei com meu ex-namorado há três anos, fiquei completamente sozinha porque me afundei na lama da depressão e meu único passatempo era com ele. – Clara me olha nos olhos por um momento e desvia o olhar para as mãos pousadas no colo, e continua: – Enfim, eu estava precisando, como você esta precisando agora, desesperadamente de algo que me distraísse, foi então que descobri a Galeria Boys.

Não estou entendendo nada, porém permito que ela prossiga.

A Galeria Boys é uma agência de garotos de... – ela tropeça nas palavras ao falar e para bruscamente.

– De programa?! – concluo sua frase, estupefata.


Ela arregala os olhos e voa com a mão para tampar minha boca.

– Não... quer dizer,sim! Eu os chamo de Garotos companhia, mas não precisa gritar para os quatro ventos. – ela diz. Sua testa vincando de constrangimento.

– Mas... Quer dizer isso é meio que loucura.

– Posso te falar primeiro como tudo funciona? – Ela pergunta completamente sem paciência.

– Diga. – eu a estimulo.

– Primeiro escolhemos o garoto. Podemos variar a escolha e o cardápio sempre que quisermos. Podemos escolher um rapaz safado ou um aparentemente sem graça que nos respeita e que apenas serve como acompanhante ou algo do tipo, pra nos dar carinho e tudo mais...

Observo seus gestos e sua inquietação sentindo o êxtase em suas palavras.


- Só que... – os traços do seu rosto mudam enquanto ela vomita em cima de mim todo o resto.

– É que primeiro, precisamos visitar a Galeria Boys e depois disso é que escolhemos o garoto por foto.

– Como assim visitar primeiro? – pergunto realmente interessada.

Clara levanta-se e me pega pelo braço como se quiséssemos fugir sem pagar a conta. Ela deixa uma nota de cinquenta reais depositada em cima da mesa com o copo de vidro servindo com peso para ela não voar e sai.


Sua mão agitasse violentamente dando sinal a alguém para que pare. Logo um táxi estaciona em nossa frente.


– Aonde vamos? – tento perguntar, sem sucesso algum.


Quando o táxi para descemos rapidamente como se fossemos perder algum show e é então que vejo um nome escrito em um letreiro enorme com cores pulsando envolta de um retângulo com pequenas lâmpadas coloridas. Está escrito: GALERIA BOYS.
Minha garganta está completamente seca e só quando adentramos o sofisticado prédio que descubro pra onde ela me trouxe.

Isso aqui é o lugar onde se contrata os Garotos de Companhia. E sinto o sangue fugir do meu rosto quando de repente vários rapazes molhados apenas de sunga preta aparecem para nos conduzir passeio adentro.


Passamos por uma ponte feita com um material que simula o gelo. É fantástico, parece que vamos quebrar o piso feito pelo gelo falso e despencar no abismo de piscinas quentes lá de baixo.
Entramos em um elevador. Todos aqueles belíssimos rapazes sumiram durante o trajeto; porta-elevador. Durante os minutos inacabáveis que se estendem enquanto estou no elevador fito sem parar Clara que quase chora de rir diante de minha reação estupefata.

Quando o elevador se abre, realmente vejo uma visão que jamais esquecerei. Há um longo corredor, quase que uma passarela. Acima de nossas cabeças, feito uma verdadeira vitrine, está os quase vinte e quatro homens sequencialmente enumerados. Do meu lado esquerdo, estão os doze homens, e do meu lado direito o restante deles.

Há uma música ecoando no amplo corredor servindo como um estímulo aos homens que dançam desinibidos.

A primeira vitrine é de um homem branco, loiro com uma sunga bem colada nas suas partes intimas, deixando o pênis protuberante no meio daquele paraíso de partes bem definidas. Seu abdômen é maravilhoso, tanto quanto sua coxa bem volumosa. Seu sorriso é mel para as abelhas. Uma placa cor de prata esconde o que só pode ser o seu nome.

Na segunda vitrine me perco com o próximo garoto, que aliais é de deixar qualquer uma sem fôlego.

Sua pele é deliciosamente morena. Seus olhos são de um preto forte. A junção da perfeição de seu corpo com sua forte presença me atiçam ferozmente. Ele esta com uma cueca do Superman, embora eu ache na maioria dos casos uma perca de tempo se satisfazer com homens vestidos de Super-heróis, essa cueca lhe caiu muito bem.

Ele move sua mão em todo o espaço possível do seu corpo, percorrendo seu abdômen, seu pênis coberto pela cueca, e por fim fica de costas mostrando sua força por meio dos seus bíceps definidos.

Percorremos o longo corredor apenas eu e clara e os homens, ninguém mais. Uma privacidade animadora. Quando chegamos ao último garoto, vejo que preciso desesperadamente de alguém para me fazer companhia. Embora aqui esteja cheio de homens maravilhosamente bem distribuídos, sinto um vazio que só agora me pareceu. Expulso a ideia e observo o último colírio de homem.

O garoto esta vestindo um short de um tecido emborrachado que deixa a parte inferior do tronco destacando-se das demais partes. O tecido é azul na maior parte e preto dos lados.

Deixando assim as outras partes nuas, que para detalhar melhor é repleto de pelinhos por todo o peitoral, abrangendo os mamilos escuros e o caminho até o começo da sua genitália.

A cor da sua pele é de um branco exagerado que por fim das contas é extremamente sexy.
Outro elevador nos espera. Entro ao lado de clara sem dizer uma única palavra. Quando finalmente se abre, estou suando pacas.

Recebemos uma espécie de revista. Este conforme está escrito na parte superior as imagens é o cardápio de garotos. Um nome um pouco exagerado demais, que depois entendo o por que de ter esse nome.

Assim como nas vitrines os nomes dos garotos não foram postos aqui. Apenas as informações mais relevantes na hora da escolha.

Folheio bastante encontrando diversos tipos de rapazes, desde brancos, negros e outros. Com informações ao lado da imagem do garoto podemos escolhê-lo de acordo com nosso gosto.
Presto atenção em um deles, a ficha diz:

Vinte e três anos, branco, olhos verdes e 1,88 de altura. Cabelos pretos.

Depois vem uma pequena auto-descrição, ou seja, uma pequena frase feita principalmente para chamar a atenção do cliente. E realmente chama minha atenção.

‘’Sou o que você procura. Escolha-me e não irá se arrepender. Eu garanto. ’’

Somos encaminhadas á uma mesa redonda de vidro com drinques e com um envelope pardo. Destacando-se entre os objetos da mesa; duas canetas, e dois papeis brancos pousados ao lado do envelope pardo. Nos copos estão Uísque, e outra bebida levemente misturada ao líquido marrom.

Bebo devagarinho e fito o papel branco á minha frente.

– O que devo fazer com a caneta e o papel? – pergunto a Clara.


– Escreva o número do garoto que escolheu. O número que estava no canto direito da imagem num quadrado. – Ela fala, enquanto afasta o seu papel e dispara pra mim: – Está noite é só para você!

Pego o papel e a caneta e escrevo o número 32. O garoto que escolhi foi o da frase interessante e perturbadora.

Logo um uniformizado garçom pega os copos e os leva. Depois volta e captura meu envelope rapidamente.

Sinto uma estranha sensação de liberdade e de vergonha simultaneamente. Entretanto quero provar o que me é distante. O que fará com que o vazio que sinto suma. E de uma vez por todas.

Sou conduzida a outro corredor, este é tão escuro que sou capaz de tropeçar á qualquer momento. Minha mão soa tanto que limpo-a na minha roupa freneticamente. Pareço uma adolescente nervosa. O tempo é a única coisa que faz meu coração bater rápido quase que saindo pela boca.

Paramos a poucos centímetros de uma porta. Tudo aqui me parece tecnologicamente avançado. E é. A porta a minha frente de repente desliza para o lado enfiando-se em um compartimento feito para ela, obviamente.

No cômodo há apenas um telefone e uma poltrona que imagino ser confortável.

– Sente-se e aproveite! – diz o homem ao meu lado. Então ele deixa o quarto e sai.

A porta abre e se fecha rapidamente.


Biografia:
Meu nome é Wellington Almeida,nasci no estado de são paulo, mais fui criado no interior do Paraná. Onde com muito orgulho surge deliciosas histórias para entreter-me e me fazer flutuar nas maravilhosas facetas da escrita.
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