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AINDA SONETOS
Antônio Oliveira Pena

1.     Soneto

Nuvem ligeira a desfazer-se em paz;
a andorinha dos ares, a andorinha
voando baixo, baixo, à tardinha,
e a fazer ninhos nos velhos beirais!

Chuva a regar até a erva daninha;
vento a correr pelos canaviais,
por mar e céu, areia, pelo cais;
a beleza que apenas se adivinha!

Rios, jardins, montanhas, céus azuis,
e toda a natureza, exuberante;
e o sol a pino, fonte a verter luz...

Tudo nos fala de um poder fecundo,
de uma energia lúcida e vibrante,
que arquitetou e abençoou o mundo!

2.     Em dias de um abril

Andar contente, em dias de um abril,
pelas campinas verdes recendendo;
olhar-lhes as flores e as ir colhendo,
debaixo deste claro céu de anil...

Beber da água fresca de um cantil;
provar frutos silvestres, revivendo
a infância mágica; e ir percorrendo
caminhos que se perdem, pueril.

Descansar de um arbusto à sombra amena;
sentir no vento o cheiro da açucena;
e assim ficar, despreocupado, em paz —

enquanto brilha, arde o sol, a pino,
e alegre canta o riacho cristalino
à sombra destas matas tropicais!

3.     Noite alta

Noite alta, de luar e arminho
a enfeitiçar o coração da gente...
Há flores alvas ocultando o espinho,
pétalas brancas indo na corrente...

Sombras de arbustos tremem no caminho
por onde vou, nem triste nem contente,
e onde reluz a areia, de mansinho,
e mesmo as pedras, muito docemente...

Oh! dorme, dorme à luz da lua cheia,
velada por uns poucos (e por mim),
a natureza o seu sono sem termo...

Uma folha, adiante, corcoveia;
e este barulho é o vento; e é o vento, enfim,
o murmúrio das almas pelo ermo...

Do livro: O ritmo da palavra, que integra o volume: O invólucro da noite — Poemas reunidos, 2010.


Biografia:
Antônio Oliveira Pena, nascido em Santa Rita de Jacutinga, MG, conquanto naturalizado fluminense, precisamente de Barra Mansa, é professor e poeta. Em 1999, estreia com Poemas - Poesia da juventude e Esboço, reeditado em 2004 acrescido dos livros: O ritmo da palavra, Vertigem e Nau submersa, este último posteriormente aumentado. Em 2010, com o patrocínio da Secretaria de Cultura de Volta Redonda, publica O invólucro da noite - toda a poesia até então, a que se somam, ainda, o livro que empresta o nome ao volume e o opúsculo Recado. Também em 2010, o Grêmio Barra-mansense de Letras edita Frêmito - também poesia, seguido de Haicais, épica & sonetos, em parceria com José Fleming e Menulfo Nery Bezerra. Criado pelo poeta, o blog poetaantoniopena.blogspot.com resume o fazer poético desse autor da cidade de Volta Redonda ainda desconhecido do grande público.
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