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O dom da dúvida
Você duvida?
Bia Cantanti

Não há nada que possa tirar a tranquilidade do que uma dúvida a nos aporrinhar. Dúvida que coça, dúvida que incomoda, dúvida que incendeia, dúvida que preocupa. Também tem a dúvida que questiona, que toma espaço, que nunca dorme, que nos transforma.

Em toda dúvida, existe um dom. O dom de duvidar. Duvido disso, duvido daquilo, duvido de um pouco de tudo e de tudo um pouco. Duvido da profundidade de um acontecimento, da verdade de uma palavra, do caráter de alguém. Duvido de mim mesmo, duvido do tempo, da duração de um mundo, do frágil futuro, do incerto presente, de um passado ausente.

Duvido! De quê? De mim ou de você? Eis a questão. A dúvida é produto bruto interno, é a estampa da insegurança, da falta de confiança. Ou, em outras palavras, é duvidando que se aprende, pois quem duvida, experimenta o diferente, ousa em perguntar, se lançar, em simplesmente... mergulhar.

A dúvida é boa e ruim. É amarga, mas pode até ser doce. É amarga, quando abala as estruturas que estavam fincadas lá dentro. É doce, quando se trata de gostar de alguém, mesmo na dúvida. A dúvida é esperança, ao mostrar as novas possibilidades. É fim, quando se tem que abandonar pessoas e fazer novas escolhas. Ela rasga os tecidos internos, abrevia existências vãs, seja de algo ou de alguém, ela treme as vigas da alma, e as vezes pode fazê-las desmoronar.

Eu gosto da dúvida. Ela me faz um agente inquisidor, buscando sempre o que há mais à frente. Buscando sempre, a resposta para uma interrogação enervante, ou para uma pergunta displicente, mas coerente, procurando calar um murmúrio incessante, ou um grito estridente.

A dúvida é tudo o que não é, é tudo o que faz falta, porque não se conhece, não se tem certeza, é um tipo de saudade de alguma coisa que não se sabe, ao certo, se existiu, ou se viveu. É se fazer perguntas incômodas, é escarafunchar, procurar pêlo em ovo (por que não?). Será que ele (a) gosta de mim? Será que eu vou conseguir? Será que o acontecido estremeceu nosso relacionamento? O que esta pessoa quer de mim é o que estou dando a ela? Se eu escolher este caminho, terei sucesso? O que eu de fato desejo: correr contra o vento ou andar calmamente? O que ela (e) quis dizer com isso? Será que tal pessoa está pensando em mim? Quero ser um executivo de sucesso, viajar pelo mundo e trabalhar sem parar, ou ser um escritor, que depende dos outros para viver, mas que tem ideias incríveis? Quero ser magra e obcecada pela perfeição ou um tipo meio-termo e feliz?

Ainda tem a dúvida que sempre será: você nunca saberá o que a outra pessoa está pensando de verdade, se alguém do seu passado gostava ou não de você de fato, e se tivesse escolhido outro caminho, como seria hoje. Não saberá se a vida lhe traria outras surpresas, se tivesse apertado outros botões do livre arbítrio, e tampouco saberá se aquela pessoa, que você amava tanto, ainda estivesse viva, como seria a sua vida e a dela. Essas dúvidas nunca serão esclarecidas, pois fazem parte do processo de ser quem se é. São naturais e insolúveis! Não são problemas; deixe-as, ou então jamais viverá em paz. Não importa mais fazer estas perguntas.

Duvide do que é benéfico e positivo para você: o que desejo para a minha vida? Quem eu sou? Como me sinto em situações como esta? Porque esta pessoa não me faz bem? O que quero fazer para melhorar como pessoa? Duvide, mas não desconfie. Pergunte, mas não insulte. Busque matar a sede da sua dúvida, porém não queira ir além dos seus limites. Ouça a dúvida, perceba a sua intuição na dúvida, coce a coceira da dúvida. Sobretudo, respeite a dúvida. Ela também é um processo interno seu, ela é a pimenta que faltava no seu insosso prato do dia.

Portanto, a dica valiosa que deixo é: duvide. Hoje, amanhã e sempre. E que venham as perguntas!


Biografia:
Formada em Letras, fascinada por Linguagem. Escritora iniciante, gostaria de trocar ideias com profissionais desta área pelo blog: www.muitomaisbiacantanti.blogspot.com
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