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Amável
Aquiles Rapassi

Foi no fim do caminho, não te lembras?
Tinhas olhos morenos e uma blusa de rendas
          A minha doce boneca intocada

Vaguei a conhecer olhos fulgentes
Que não eram os teus, infelizmente.
          Tu eras a pátria procurada

Mas de sorriso longo e imaculado
Tornastes a mim um homem desesperado
          Pois estás longe a me matar

E tu sabes que minhas preces
São para que tu regresses
          E acabe o meu penar

E quando te achar por aí na cidade
A girar à toda velocidade
          Ainda que morra de medo

Quero teu abraço mais pesado
E os teus lábios apaixonados
          A confessarem um segredo

Que tu me queres a todo instante
Que tu não vives sem mim como teu amante
          Da boca da noite ao nascer do dia

E tu que tens altura abreviada, como uma criança
Imaginas como seria a nossa dança?
          Infindável, em uma viçosa alegria

E o nosso sorvete cremoso na madrugada?
Guardo o sabor da tua língua gelada
          Que me despertou tanto querer

E assim será: sempre a te adorar
E meu corpo ébrio louco a te buscar
          Em intensidade, morto de prazer.


Biografia:
aquiles.rapassi@gmail.com
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