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Madonna sessentona e outras verdades
(os ídolos também envelhecem!)
Roberto Queiroz

Li esta semana no Uol entretenimento, na Folha de São Paulo e no Estadão que a pop star Madonna (outrora também conhecida como material girl) completou 60 anos sem perder a polêmica, a provocação, defendendo o feminismo mais do que nunca, e ainda permanece um amuleto para as grifes de moda. É verdade. Mas também "em termos".

Acredito, sim, que tanto Madonna (como a geração da qual fez parte e era um símbolo maior) perderam parte de sua relevância cultural. Os fãs mais ferrenhos certamente já estão se coçando para responder a este humilde cronista: "quem é este babaca para difamar a diva do pop?". E desde já respondo: "não sou difamando ninguém; são apenas fatos".

Ou em outras palavras: o tempo passa (e as prioridades do mundo também).

Quem acompanhou Madonna, como eu, em clipes como Vogue, Holiday, La isla bonita, Like a prayer e companhia ilimitada, sabe que ela sempre foi uma sexista de mão cheia. Seu álbum Erótica e seu documentário Na cama com Madonna (que conta com a presença de estrelas de hollywood do quilate de Antonio Banderas e Kevin Costner) são provas vivas disso, bem como sua carreira como "atriz" em longas como Corpo em evidência (que eu considero um Instinto Selvagem B), Evita, Olhos de serpente, Procura-se Susan desesperadamente e Quem é essa garota?

A ensaísta e crítica social norte-americana Camille Paglia, que preferia (como modelo de beleza) a cantora Debbie Harry, da banda Blondie, dizia que Madonna era, em muitos aspectos, "um grande engodo, uma grande enganação produzida pela América". E não estava totalmente errada. Ver e ouvir Madonna em The Girlie Show no Maracanã em 1993 foi, na maior parte, um suplício. Sua voz sempre foi melhor gravada em álbum mixada e remixada. Que me perdoem os fanáticos pela musa, mas isso era um fato! E detalhe: lembro-me até hoje das vozes poderosas de suas backing vocals, acompanhando-a para cima e para baixo durante toda a apresentação.

Polêmicas e gostos à parte, é entretanto perfeitamente entendível o porquê da (hoje) sessentona ainda atrair as atenções de tanta gente, das mais diferentes idades e estilos. Madonna era cara-de-pau no melhor sentido do termo. Dá a cara à tapa durante toda a sua carreira, e nunca fugiu da raia no quesito "causar". Já se autocrucificou como Jesus Cristo durante uma turnê, já fez beijo lésbico, já ousou dirigir W.E. sobre o rei da Inglaterra que preferiu abdicar do trono e casar com uma plebeia, até mesmo casou-se com um dos maiores bad boys de hollywood, o ator Sean Penn. Em suma: Madonna encara qualquer guerra particular que se apresente à seu alcance. E até aí nenhum problema.

Contudo, o mercado cultural (como tantos outros mercados) também envelhece e se reconstrói, criando novos mitos e fenômenos de temporada. E é nesse momento que os fãs em demasia não conseguem entender que a cena cultural (e fonográfica) precisa mostrar uma nova geração, antenada com as tecnologias e comportamentos do momento. Portanto, Madonna (por razões óbvias) sai perdendo. Não por maldade, mas simplesmente por conta da passagem do tempo.

Madonna deu lugar à Justin Timberlake (com quem dividiu tela em 4 minutes), à Taylor Swift, à Pharrell Williams, à Katy Perry, à Bruno Mars e principalmente à Lady Gaga (que muitos chamam de "sua sucessora"), entre tantos outros artistas do pop. É verdade que ela, a diva do pop, se reinventa a cada novo álbum, flerta com o rap, com a disco music e com o que mais surgir de interessante e vendável, mas... Ainda é uma criatura de outros tempos, metendo o bedelho numa casa nova.

Vivemos tempos de you tube, de twitter, de instagram, de MSN, de iphones grudados nos rostos de alienados nerds, de crownfundings. Madonna é anterior a tudo isso e por mais que sua prole a tente manter antenada ela sai perdendo para os "filhos da tecnologia". Cá entre nós: não gostaria de ser um Caetano Veloso, um Elton John, um David Bowie (este, infelizmente, já falecido) vivendo na selva de jovens que dormem com celulares ligados enquanto lançam suas carreiras de forma independente nas redes sociais (para, depois, conseguirem contratos milionários).

A diva chegou aos 60 e provavelmente chegará aos 70, 80 (Gilberto Gil está quase lá) e quem sabe mais... Fato. Porém, outro fato: o mundo não é mais o mesmo e a amplitude cultural atingida por ela não é a mesma. Por mais que ela ou sua entourage assessora tentem provar o contrário.

A questão: isso não é o fim do mundo, muito menos o fim da mulher que junto com Michael Jackson ditou as bases do mercado fonográfico das últimas quatro décadas (aproximadamente).

Logo, fãs: por favor, menos!!!


Biografia:
Crítico cultural, morador da Leopoldina, amante do cinema, da literatura, do teatro e da música e sempre cheio de novas ideias.
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