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A imitação é considerada uma das principais formas de aprendizado, pois na observação, as crianças interiorizam padrões e reproduzem em seus comportamentos nos gestos aprendidos. A imitação é uma forma positiva de aprendizagem que contribui para o desenvolvimento da linguagem, habilidades cognitivas e sociais.
Segundo Papalia e Feldman (2013) a principal forma de aprendizagem é por meio da imitação das pessoas com quem se relaciona. Devemos considerar que o desenvolvimento está
diretamente ligado às experiências; não é linear e que pode ser alterado (avançar ou declinar) a partir dos fatores sociais,econômicos e culturais. A infância é marcada pela observação e imitação, sendo assim, o modelo é a principal fonte para construção de personalidade e temperamento, que são fatores fundamentais para estabelecer boas relações.
Embora temperamento e personalidade não tenham a mesma definição, estão diretamente ligados. O temperamento é um “padrão" geneticamente determinado de comportamento relacional que mantém certa estabilidade ao longo do tempo a partir de reações cerebrais herdadas" (Bee, 2003). O temperamento pode ser classificado popularmente como “fácil” ou “difícil”. Se for mais tranquilo,possivelmente receberá mais reforços positivos e seguirá assim para as próximas fases, atraindo para si mais atenção e elogios. O contrário poderá gerar afastamento, pois, as crianças
com temperamento dito “difícil” necessitam de mais atenção e acolhimento. Tal temperamento pode ser considerado como um fator de vulnerabilidade, pois demonstra mais fragilidade nas relações, podendo causar situações de irritabilidade,desregulação emocional, piorando as relações interpessoais e consequentemente atraso no desenvolvimento da linguagem e da comunicação.
A personalidade é influenciada por fatores genéticos, ambientais e sociais. Nesse
sentido, o ambiente familiar como primeiro e mais significativo influenciador do
comportamento, pois, na família que vivência as primeiras experiências sociais. No
espaço familiar a criança desenvolve a sua identidade. Já o ambiente escolar, aparece como segunda sociedade, porém, não devemos
desconsiderar sua importância. Estes são dois espaços importantes e que agem diretamente na formação social da criança. Segundo a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) em seus 7 (sete) eixos, a criança poderá conviver, brincar,participar, explorar, expressar e conhecer. Experiências que são essenciais na
formação psicossocial da pessoa. É importante que esses espaços estejam ao alcance de todas as crianças. Portanto, família e escola devem ser organizadas para reforçar mais atitudes positivas.
O reforçamento constante e poucas variáveis apresentaram melhores resultados (rotina, como momentos previamente organizado). Ambientes bem planejados proporcionam estabilidade, previsibilidade e consequentemente segurança. Estabelecer padrões de comportamento será fundamental para regulação, maturação emocional e afetiva das crianças; tornando-as adultos mais capazes de lidar com as próprias frustrações inerentes à vida.
Nos cinco primeiros anos de vida é crucial a presença materna (o cuidado, o cheiro, o toque) segundo a teoria de Bowlby, pois, a sensação de abandono é devastador no processo do desenvolvimento psicossocial da pessoa, inclui-se o processo de desenvolvimento escolar. Na atualidade as crianças vão cada vez mais cedo para escola, por conta das demandas das famílias. Por tanto, o ambiente
escolar deverá ser em primeiro lugar um ambiente de acolhimento para as crianças e suas famílias; o planejamento deve ser elaborado para esse fim. O mesmo deverá
também atender as necessidades dos profissionais da escola; com recursos mais
urgentes (tatames, brinquedos, equipamentos de tecnologias e profissionais
formados) a depender de cada unidade escolar.
Na citação a seguir observamos que a privação de uma ambiente saudável pode gerar “incapacidade de estabelecer relações com outras pessoas, de sorrir para
outras pessoas e de reagir às brincadeiras” (Bowlby, 2006). Podendo ainda desenvolver sentimento de vingança, retraimento, personalidade instável, necessidade exagerada de afeto, propensão à depressão, dificuldade de planejamento a longo prazo, comportamento impulsivo, psicopatia, dificuldade de
demonstrar afetividade, apatia, dificuldade de interpretar fatos de acordo com a realidade; vemos que os traumas deixam marcas profundas e prejudicam o desenvolvimento psicossocial dos indivíduos negligenciados na infância.
Segundo, Papalia; Feldman (2013) quanto mais adequadas forem as circunstâncias,melhores serão as chances de um desenvolvimento rico de possibilidades. Pois, nenhuma pessoa nasce pronta, mas, possível de ser moldada. Cabe a nós adultos o autoconhecimento e a responsabilidade de modificar nossas ações no presente, com os olhos no futuro. Paremos, então, de julgamentos que nos desgastam e
aproveitemos o tempo para avaliar e planejar novos rumos. Crianças que vivenciam ambientes acolhedores, com cuidados básicos (higiene e saúde); ambientes seguros (sem riscos a vida); com as famílias mais estruturadas, poderão estabelecer limites equilibrando e ajudando as crianças a crescerem emocionalmente, capazes de pensar e entender as decisões (mesmo as desagradáveis). Estes consequentemente serão alunos mais responsáveis (cada um na sua fase), pois entenderão que o mundo não gira em torno de si, mas, que todos temos o direito à participação e responsabilidade sobre o mesmo.
No ambiente escolar será possível: explorar, organizar, adaptar e equilibrar, são
capacidades essenciais para a vida adulta, segundo Piaget. É urgente que fique claro que algumas habilidades só serão desenvolvidas na escola, pois, é na interação com os outros que encontramos possibilidade estimular pensamento crítico, comunicação verbal, imaginação, atenção, raciocínio lógico, equilíbrio emocional, tolerância, respeito, senso de justiça, e tantas outras habilidades que são fundamentais. A escola é mais que um espaço de instruções intelectuais, disseminação de saberes ou reprodução de conteúdos, é um espaço de construção
de relações, vínculos e construção de memórias.
Sem a participação efetiva e afetiva das famílias o fracasso escolar é quase certo; o
baixo desempenho, indisciplina, ansiedade, desmotivação, desinteresse; a autoestima fica fragilizada, na ausência dos familiares. Para a criança é fundamental sentir-se “parte” no espaço familiar e escolar. Que possamos juntos, famílias e escola construir caminhos mais tranquilos, acolhedores em que ambos os lados sejam respeitados nas suas especificidades e potencialidades. Que nossos sonhos se encontrem nas esquina (do futuro) em busca de dias melhores.
REFERÊNCIAS:
BEE, H. A criança em desenvolvimento. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.
BOLWBY, J. Cuidados maternos e saúde mental. 5. ed. São Paulo: Martins fontes,
2006.
PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 12. ed. Porto Alegre:
AMGH, 2013.
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