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A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE CORRE!
Saul Mariano de Souza

Vesti meu terno de domingo singular;

Botei perfume de alfazema pra agradar;

Corei meu rosto de cobiça de encontrá-la;

Saí de casa com meu passo de esperança;

Cheguei bem cedo na pracinha sem tardança;

Sentei num banco do jardim para esperá-la;

"Tem que ser hoje! Vou dar fim ao meu anseio!"

Colhi três ramos de determinada flor;

Lembrei palavras pra dizer com muito amor;

Provi meu peito do frescor daquele instante;

Cantei poemas e canções por distração;

Contei estrelas no horizonte em oração;

Sorri pra lua, com prazer no meu semblante.

"É só esperar pra ser feliz! Verá! Verá!"

Traguei fumaça de cigarro como um louco;

Senti pontadas de suspeita pouco a pouco;

Cruzei as mãos, adivinhando a má verdade;

Baixei meus olhos carregados de certeza;

Desfiz meu peito com soluços de tristeza;

Deixei cair três ramos murchos de saudade.

"Ela não veio! Santo Deus. . . ela não veio!"

Sequei meu rosto amolecido pelo pejo;

Ergui meu vulto fatigado de desejo;

Rumei meus passos no retorno à solidão;

Despi meu corpo umedecido da garoa;

Deitei meus sonhos num colchão largado à toa;

Dormi com a dor do desengano, da ilusão.

"Ela virá! Sei que amanhã ela virá!. . ."


Biografia:
Nascido em Petrópolis-RJ em 05/04/44 Escolhido como destaque do ano em 1975 na poesia! Se tornou Membro da Academia Teresopolitana de Letras. http://poetasaulmariano.site.com.br
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