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Conjuração Lunar - parte 7
Caliel Alves dos Santos

Resumo:
A conjuração está chegando ao final, a sorte está lançada.

A luz era intensa em seu rosto, um gongo soava em sua cabeça. Depois da luz diminuir sua intensidade, ele percebeu que estava numa sala úmida, algemado e amordaçado, recostado a um canto do catre em posição fetal. A sua volta estava Leopold e dois guar-das. Ambos cochichavam quando perceberam que o espião havia acordado. O líder da conjuração estapeou o rosto de Tobias, depois retirou sua mordaça. O militar piscou os olhos, depois focou nos seus captores.
    — Não esperei que mandassem outro tão rapidamente, tivemos que antecipar os nos-sos preparativos — disse Leopold.
    — Cristophe, Cristophe, sabe muito bem que a UTE não brinca em serviço — res-mungou o agente secreto ironicamente.
    — Este cão ainda tem bom humor — retrucou o conjurado sorrindo entre os dentes, com uma bicuda, ele silenciou o seu interlocutor.
    — Devemos matá-lo Grande Líder? — perguntou um dos guardas apontando uma submetralhadora na testa do militar.
    — Ele ainda pode nos ser útil — respondeu Leopold secamente.
    — Não acha que ele deve ser perigoso Grande Líder? Afinal de contas ele eliminou o Haaji no hotel, um dos seus melhores mercenários — aconselhou o outro guarda.
    Depois de hesitar por um instante, o próprio lunar pegou a arma e mirou Tobias.
    — Uou, uou, uou, esperem — falou o agente secreto sorrindo de modo desvairado.
    — Porque este idiota está a sorrir? — observou um guarda.
    — Deve estar se tremendo de medo.
    — Não seus idiotas, o outro implorou até o último momento antes de nos dar tudo o que sabia, tem algo errado aqui — e como o outro não parava de rir, Leopold ficou ainda mais pensativo —, diga logo cão sarnento, o que está escondendo?
     — Sorria você está sendo filmado! — ironizou Tobias.
     — Não blefe comigo seu... — antes que pudesse aplicar uma coronhada no prisionei-ro, uma enorme explosão sacudiu a saleta, as luzes se piscaram por alguns segundos, su-ficientes para o espião se levantar e contra-atacar os seus adversários.
    O primeiro a morrer foi o guarda a sua direita, estrangulado pelas algemas. O segundo morreu com um chute desferido no abdômen, indo morrer chocando sua cabeça contra a quina da porta. Só restava o Grande Líder. Entretanto ele tinha uma submetralhadora, e Tobias estava no lado errado da arma.
   — Parece que é o fim da linha pra você — disse o conjurado arreganhando os dentes alvos por debaixo de seu espesso bigode.
    Por descuido do velho militar em apertar logo o gatilho ou por acaso de uma nova explosão, está muito mais perto que a anterior, fez o tiro atingir o bíceps esquerdo ao invés do coração do agente secreto. Ambos tombaram no chão. Leopold entretanto ha-via caído mais distante da arma e mais perto da porta. Enquanto as luzes piscavam como vagalumes, ambos os inimigos se encaravam. Tobias não podia usar a arma, mas podia muito bem ser mais forte que o alto oficial de 53 anos.
    O outro preferiu debandar. Rapidamente, o espião retirou a lente de contato do olho esquerdo e a amassou com as pontas dos dedos e a colocou na fechadura da algema. Depois disso ele molhou a mesma de saliva. Depois de alguns segundos, a goma foi ad-quirindo uma forma cada vez mais metálica. Em poucos segundos, a goma metalizada rompeu a algema. Tobias pegou a submetralhadora e empreendeu uma corrida.
    Pelos corredores labirínticos da antiga mina abandonada, atual QG dos conjurados, tiroteios e gritos ecoavam ensurdecedores. No entanto, o militar não perdia sua presa de vista. Leopold não estava mais em pleno vigor físico, além do grande stress de ter os seus planos abortados de maneira tão drástica e definitiva. O conjurado ao perceber que não podia se desvencilhar de seu perseguidor, montou tocaia atrás de um tubo de refri-geração.
    — Como descobriram nossa localização? — gritava o velho lunar enquanto disparava sua pistola.
    — Através de transmissão em sinal analógico, minha lente de contato é uma câmera com um microtransmissor de ondas de rádio, esse tipo de transmissão está obsoleto na própria Terra, foi fácil burlar as defesas — mais três tiros foram disparados. — Com esses já foram cinco, você sabe que essa pistola só tem mais dez balas não é?
    — Ah! Maldito, tome isto, tome seu cão — dizia o velho enquanto disparava sem parar.
    — Game over — disse Tobias de modo triunfante. — Saia com as mãos pra cima, e largue a pistola, não queremos que se machuque à toa.
    A pistola foi jogada bem perto do agente secreto, Leopold saiu de trás do tubo com as mãos erguidas para o alto, mas com as mãos fechadas.
    — O que está escondendo aí?
    — O jogo nunca acaba para homens como eu...
    Ao abrir os dedos, era visível uma granada. O clipe girava no dedo indicador da mão esquerda do velhote. Sua feição havia contraído um aspecto doentio. Ele discursou:
    — O sacrifício de todos os meus homens não será em vão, e mesmo que eu caía neste dia, meu nome será escrito na história com sangue e honra, urgh...
    Não pôde completar, o teto desabou em cima dele, seguida da explosão da granada. Destroços ensanguentados voaram na direção de Tobias que se protegeu adentrando outro corredor. O agente secreto tocou a sua lente de contato, e textos informacionais em realidade aumentada apareceram. No canto superior direito da tela estava a imagem de um líder de esquadrão liderando um ataque aos conjurados. Na tela dividida a es-querda, a central de inteligência da UTE explicando em que nível estava a invasão.
    Um scanner tridimensional mostrou a que distância a cavalaria se encontrava dele. Leste, dobrando dois corredores em direção ao próximo andar ele pegaria um grupo de conjurados com a guarda baixa. Tobias apressadamente verificou o pente da sua arma e correu na direção oposta, passando por cima da sepultura improvisada pelo destino.


Biografia:
Comecou a escrever depois de um concurso em sala de aula. Dois anos depois ele publicou seu primeiro livro.
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