Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
ENCOLHENDO O MUNDO
DIRCEU DETROZ

Inquestionavelmente a Internet continua sendo a maior invenção conhecida desde o último quarto do século XX. Estranhamente o seu inventor Timothy John Berners-Lee, até hoje não foi agraciado com um Prêmio Nobel. O que coloca o Nobel em xeque, por premiar tantas pessoas sem mérito algum.

Já com os subprodutos da Internet, os questionamentos aparecem com frequência no mundo dos filósofos e pensadores. O primeiro deles é a Globalização. Ao nascer, a Globalização foi confundida com um planeta maior. Completamente integrado. Alguns chegaram a admitir que viveríamos um novo iluminismo de ideias.

Hoje é sabido que a Globalização nem se aproximou disso. Pior. Com a globalização, o Capitalismo que sempre teve mais defeitos do que virtudes, foi engolido pelos mercados financeiros. Produzir perdeu importância quando os lucros foram conectados.

Agora vivemos o auge de outro subproduto da Internet. As redes sociais. De novo, a sensação que se tem, é de um mundo em coletividade. A ideia como na Globalização, talvez, até seja essa. A realidade mostra que não. Nas redes sociais, apesar de conectados, somos milhões de florestas individuais não compartilhadas.

Hipnotizados não percebemos que ocorre justamente o contrário. Estamos encolhendo o mundo ao tamanho de um quarto, uma cama, um caixa de sapato, um caixa de fósforos. O que a individualidade fará com a Raça Humana, é a grande incógnita da atualidade.

Dias desses vi uma postagem interessante. Dois telefones celulares representado pai e filho, ou mãe e filha supostamente num museu olhando para um quadro que mostrava um telefone convencional. A legenda era: “Viu filho(a), nossos antepassados usavam rabos”. Esquecendo-se que eles próprios usam uma espécie de goma que cola nas mãos.

É possível que as redes sociais reduzam o individualismo além das caixas de fósforos. Provocando outras visitas a museus. Desta vez, para ver como se brincava de esconde-esconde, bola, pular corda, cabra cega, bola de gude. Ou, para saber que ovos não são botados por supermercados. Quem é do tempo das petecas de palha de milho?

Algo pior pode acontecer. Imaginem as futuras gerações procurando por vídeos no Google para saber como era. Novamente pais e filhos visitando museus. E a legenda: “Era assim que nossos antepassados falavam”. Não nascerão cordas vocais nos dedos. Sem uso, as que temos certamente deixarão de funcionar.

Temo que nossa individualidade nos leve para um beco sem saída. Para um túnel sem luz no fim. Um mundo conectado por dedos mudos e sem ideias, seria sim coisa de imbecis. E infelizmente, mais uma vez, Umberto Eco estaria com a razão.


Biografia:
Sou catarinense, natural da cidade de Rio Negrinho. Minhas colunas são publicadas as sextas-feiras, no Jornal do Povo. Uma atividade sem remuneração.Meus poemas eu publico em alguns sites. Meu e-mail para contato é: dirzz@uol.com.br.
Número de vezes que este texto foi lido: 65667


Outros títulos do mesmo autor

Crônicas A pandemia do egoísmo DIRCEU DETROZ
Poesias Oceanos no centro da Terra DIRCEU DETROZ
Crônicas Da placenta ao Antropoceno DIRCEU DETROZ
Crônicas A garota dos coturnos voltou DIRCEU DETROZ
Crônicas Os ossos esquecidos DIRCEU DETROZ
Poesias MUROS DIRCEU DETROZ
Crônicas O monstro, a ciência e as reflexões DIRCEU DETROZ
Crônicas Nossa inteligência é ficção DIRCEU DETROZ
Crônicas Os biosferanos DIRCEU DETROZ
Crônicas Um desengonçado Daniel DIRCEU DETROZ

Páginas: Próxima Última

Publicações de número 1 até 10 de um total de 1024.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
O Sábio - Deborah Valente Borba Douglas 66747 Visitas
A múmia indígena - J. Athayde Paula 66573 Visitas
Poente doente - Anderson C. D. de Oliveira 66333 Visitas
DIFICULDADES DE MEMORIZAÇÃO E RETENÇÃO NA TERCEIRA IDADE - Ismael Monteiro 66252 Visitas
Talvez - Mayra Alcione Musa Fonseca 66246 Visitas
Esporte Clube - Helio Valim 66218 Visitas
O que e um poema Sinetrico? - 66186 Visitas
Curso Como Pensar Acessibilidade na Literatura - Terezinha Tarcitano 66151 Visitas
Chico deu continuidade às obras de Kardec - Henrique Pompilio de Araujo 66144 Visitas
Só mais amarguras - Luiz Fernando Martins 65957 Visitas

Páginas: Próxima Última