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Quando a Consciência pôde falar...
“O mundo lá fora apenas vende luxúria
E esta é a realidade que ele tanto oferece...
E o mundo aqui dentro sente uma fúria
Quando um sonho...de tão puro...não acontece...
Lá fora tudo se esconde na aparência...
E aqui dentro dói ser apenas verdadeiro.
Lá fora tentam destruir a tua inocência,
E aqui dentro você a destrói primeiro.
E na única vez que esta voz te fala,
Esta voz só te pede isto: me cala!
Lá fora é forte quem luta pela glória,
E aqui dentro você nem ao menos se nota...
Lá fora não basta conquistar uma vitória,
E aqui você só não quer mais uma derrota...
Lá fora você olha tantos amigos...
Aqui dentro é a solidão que te vê.
Lá fora podem existir muitos perigos...
Aqui dentro o único perigo é você.
E na única vez que esta voz te fala,
Esta voz só te pede isto: me cala!
Lá fora você é a voz que eu nunca tive...
E aqui dentro nem o silêncio te socorre.
Lá fora às vezes você sobrevive...
E aqui dentro às vezes você morre.
Lá fora prometem a vida em abundância,
E aqui dentro nem a dor mais te devora,
Até que nada mais faça importância,
Seja viver aqui dentro ou viver lá fora,
E na única vez que esta voz te fala,
Sepulta este teu sonho de forma tão pura,
E seja o teu coração uma mera sepultura!
Mas me cala!
E na única vez que esta voz te fala,
Celebra os teus erros errando ainda mais!
Satisfaça toda a falta que a vida te faz!
Mas me cala!
E na única vez que esta voz te fala,
Fique embriagado com os próprios prantos!
Seja banido até das sombras pelos cantos!
Mas me cala!
E na única vez que esta voz te fala,
Aprenda a paciência da forma mais sofrida
E viva sem esperar mais nada da vida!
Mas me cala!
E na única vez que esta voz te fala,
Exista como se nada mais pudesse ser vivido!
Até viver como se não tivesse existido!
Mas me cala!
E na única vez que esta voz te fala,
Anoiteça os teus dias! Odeie o amor!
Enlouqueça com razão! Sorria com a dor!
Mas me cala!
E na única vez que esta voz te fala,
Descubra meios como melhor se perder!
Desperdice a vida até onde não possa viver!
Mas me cala!
Até que a dor não possa ser mais evitada,
Até você conseguir andar comigo a sós,
Então eu não precisarei te falar mais nada...
...As minhas palavras já serão a tua voz.”
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