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Quando a Consciência pôde falar...
Valmir Lima

Quando a Consciência pôde falar...



“O mundo lá fora apenas vende luxúria
E esta é a realidade que ele tanto oferece...

E o mundo aqui dentro sente uma fúria
Quando um sonho...de tão puro...não acontece...

Lá fora tudo se esconde na aparência...
E aqui dentro dói ser apenas verdadeiro.

Lá fora tentam destruir a tua inocência,
E aqui dentro você a destrói primeiro.

E na única vez que esta voz te fala,
Esta voz só te pede isto: me cala!

Lá fora é forte quem luta pela glória,
E aqui dentro você nem ao menos se nota...

Lá fora não basta conquistar uma vitória,
E aqui você só não quer mais uma derrota...

Lá fora você olha tantos amigos...
Aqui dentro é a solidão que te vê.

Lá fora podem existir muitos perigos...
Aqui dentro o único perigo é você.

E na única vez que esta voz te fala,
Esta voz só te pede isto: me cala!

Lá fora você é a voz que eu nunca tive...
E aqui dentro nem o silêncio te socorre.

Lá fora às vezes você sobrevive...
E aqui dentro às vezes você morre.

Lá fora prometem a vida em abundância,
E aqui dentro nem a dor mais te devora,

Até que nada mais faça importância,
Seja viver aqui dentro ou viver lá fora,

E na única vez que esta voz te fala,
Sepulta este teu sonho de forma tão pura,
E seja o teu coração uma mera sepultura!
                Mas me cala!

E na única vez que esta voz te fala,
Celebra os teus erros errando ainda mais!
Satisfaça toda a falta que a vida te faz!
                Mas me cala!

E na única vez que esta voz te fala,
Fique embriagado com os próprios prantos!
Seja banido até das sombras pelos cantos!
                Mas me cala!

E na única vez que esta voz te fala,
Aprenda a paciência da forma mais sofrida
E viva sem esperar mais nada da vida!
                Mas me cala!

E na única vez que esta voz te fala,
Exista como se nada mais pudesse ser vivido!
Até viver como se não tivesse existido!
                Mas me cala!

E na única vez que esta voz te fala,
Anoiteça os teus dias! Odeie o amor!
Enlouqueça com razão! Sorria com a dor!
                Mas me cala!

E na única vez que esta voz te fala,
Descubra meios como melhor se perder!
Desperdice a vida até onde não possa viver!
                Mas me cala!

Até que a dor não possa ser mais evitada,
Até você conseguir andar comigo a sós,

Então eu não precisarei te falar mais nada...
...As minhas palavras já serão a tua voz.”


Biografia:
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