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...então o Poeta respondeu à Poesia:
Valmir Lima

...então o Poeta respondeu à Poesia:


Assim seja! Qualquer palavra se distorça
Tentando te expressar, ó Silêncio feroz,
Que mesmo eu te gritando com toda força
Não escuto nem a minha própria voz!

Silencia-me então mais uma voz perdida,
Uma voz que até vomitar sangue te brada!
Como quem sempre te sacrificou a vida
E espera morrer...sem ter te escrito nada!

Silencia-me este meu olhar desconhecido,
Que se vejo o espelho, nada ali me inclui!...
Como se um dia eu tivesse mesmo existido?!...
Mas se existi...nunca soube quem eu fui!

Silencia-me o amor que apenas me engasga
E que clamor algum arranca para fora!
E como uma fera, me ataca, prende e rasga
E quanto mais se sacia, mais me devora!

Silencia-me aquele indigente sombrio
Para quem o dia passa sem o menor brilho!
Silencia-me o roncar do estômago vazio
Para quem não pode olhar o próprio filho!

Silencia-me quando nenhuma brisa suspira
E uma tempestade tem raios em acúmulo!
Silencia-me a dor que já não mais se delira
E só há o silêncio diante de um túmulo!

Silencia-me até a intenção de um protesto!
Silencia-me até um rude olhar apaixonado!
Silencia-me até a aflição sem nenhum gesto!
Silencia-me até algum gemido calado!

Silencia-me cada palavra reproduzida
Até aonde eu possa rasgar todo o teu estêncil!...
Silencia-me...e, enquanto não me silencia a vida,
Explode meus tímpanos com o teu silêncio.


Biografia:
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Publicações de número 1 até 6 de um total de 6.


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