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ESPELHO, ESPELHO MEU...
Rubemar Costa Alves

1 - ESPELHO, do latim ‘speculum’ - Superfície que reflete um raio luminoso em uma direção definida, em vez de absorvê-lo ou espalhá-lo em todas as direções... (blá blá blá)......... Possivelmente a superfície da água inspirou a fabricação do primeiro espelho (achados arqueológicos registraram Egito, 5º milênio a. C.); espelho citado em Êxodo: “...espelhos das mulheres...’ - depois etruscos, gregos e muitos outros...
          2 - ESPELHO, figura frequente nos contos maravilhosos. Em BRANCA DE NEVE, auto contemplação da madrasta (antagonista “má”, inimiga, rival da protagonista “boazinha”, personagem principal, heroína) e também função de informá-la: “Mais linda que você é Branca de Neve...”
          3 - ESPELHO - 1 - narcisismo (mito grego de admirar a si próprio); 2 - prender a alma (índio não se olha na água parada do lago). A mais antiga versão do mito grego Narciso - que inspirou a teoria freudiana do narcisismo - é atribuída ao poeta romano OVÍDIO (43 a. C. / 17 d. C.). Segundo ele, “Narciso nasceu depois que a ninfa Liríope, sua mãe, se banhou nas águas do rio Zéfiro. Tão belo era o menino que a mãe ficou preocupada, pois os deuses não admitiam que um mortal fosse mais bonito que eles, habitantes do Olimpo. Liríopes ouviu então de um oráculo que o filho viveria até quando não visse a si próprio. Certo dia, sedento, ele se aproximou de um lago, mas, ao deparar com a própria imagem, que não sabia ser sua, sentiu irresistível paixão: um amor impossível. Eco, filha do Ar e da Terra, uma ninfa apaixonada que o seguia, ainda tentou avisá-lo de que aquele rosto era o seu mesmo - foi em vão porque ela só conseguia repetir as ultimas palavras do que ouvia, vítima também da ira dos deuses. E Narciso, não conseguindo se afastar da imagem refletida, definhava de fome e sede. Ao perceber, enfim, que aquele era o seu próprio rosto, chorou ao dar-se conta de que jamais poderia alcançar o objeto amado. Suas lágrimas turvaram o rio, achou que a imagem estava fugindo e morreu de desespero.”
          4 - “ESPELHO, narcisismo primitivo da madrasta demonstrado pela sua busca de confirmação quanto à beleza no espelho mágico, muito antes da beleza adolescente de Branca de Neve (quando faz 7 anos e começa a amadurecer): repetição do tema antigo de Narciso que só amava a si mesmo, de tal forma que foi tragado pelo auto (e alto!) amor. Competição entre BN e a madrasta: o espelho mágico parece falar com a voz da menina, consciente da própria beleza e não da beleza da “mãe” rival.” (Bettelheim, p.242)
            5 - Mas se a MADRASTA perguntasse se existe alguém mais maquiavélica, egoísta e pérfida que ela, o espelho por certo diria “Não!” O que seria da doce Branca de Neve sem a sua diabólica madrasta? Sim, porque outro elemento clássico é a figura da madrasta - em “João e Maria”, em “Cinderela”... O autor BETTELHEIM justifica (?) a existência da megera como uma forma de a criança exprimir sua raiva em relação à mãe de fato. A autora de livros infantis ÂNGELA CARNEIRO arrisca outra explicação, que a madrasta seria mulher sensual, inteligente e poderosa, mulher assim era considerada bruxa na época em que foram escritos esses contos. Na tevê, NOVELA “Vamp” (179 capítulos), madrasta super boa-praça que já tinha 6 filhos e adotou com amor os 6 do Capitão.
          6 - LIVRO - Estreia de FANNY ABRAMOVICH como escritora de literatura juvenil num conto curto, indicado a partir de 11 / 12 anos - dificuldades de uma pré-adolescente com seu corpo. Autora reconhecida e estimada na área educacional.
          7 - CARTUM - Criador NANI - Piada: 1º quadro - Madrasta (chapéu pontudo tradicional, rosto feio, mas sorridente, esperançosa): “Espelho meu, existe mulher mais linda do que eu?” Espelho (rosto receoso): “Sim... A Branca de Neve...” - 2º quadro - Madrasta (gesto agressivo com a mão): “Passe no Departamento Pessoal e acerte suas contas. Está despedido!” Espelho mudo, em estado de choque.
          8 - ESPELHO, imagens reais invertidas: o lado contrário... Como túnel do tempo, NOVELA que virou um marco na tevê - “Espelho mágico” (150 capítulos) e dentro da trama, uma outra novela, “Coquetel de amor”, e ainda citação a uma peça de teatro, “Cyrano de Bergerac”, de EDMOND ROSTAND. Casal na vida real foram os protagonistas da estória principal e também da novela dentro da novela. Bastidores da televisão revelados pela primeira vez: o dia-a-dia de artistas, dentro e fora da TV, e toda a engrenagem que envolve a criação de uma telenovela. Ideia original em texto ousado fazendo referência a muitos tipos que existem no meio artístico: o diretor de novelas da estória, a veterana atriz decadente (a verdadeira atriz pediu para deixar a novela e teve sua personagem assassinada), a jovem que faz tudo pelo sucesso (palavrões substituídos pelo bordão “Pombas!” que logo ganhou as ruas), a ex-miss em novo rumo da carreira após filmes populares, o comediante dos tempos do teatro de revista em dupla com a filha, atriz estrangeira (verdade!) famosa por filmes eróticos aparecendo em ponta na novela etc. Ainda nessa trama, protesto contra certos problemas enfrentados pelos autores. Não foi um sucesso de audiência + visão, porém centro de discussões: aula-polêmica ao revelar “verdades” do mundo das estrelas.

FONTES:
BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fada. Rio, Paz e Terra, 1980.
“Espelho, Espelho Meu - Um jeito de Crescer”, 30 páginas, autora FANNY ABRAMOVICH. Ed. Brasiliense, SP.
“Nostalgia” - Revista da TV - Jornal O GLOBO, Rio, 13/3/05 e 17/6/07.
NOTA DO AUTOR:
“Vamp”, novela de ANTÔNIO CALMON e colaboradores - TV Globo, 1991/92.
“Espelho mágico”, novela de LAURO CÉSAR MUNIZ - TV Globo, 1977.

                    F I M



Biografia:
PARVUS IN MUNDUS EST. (O MUNDO É PEQUENO DENTRO DE UM LIVRO) Ser dedicado, paciente, ousado, crítico, desafiador e sobretudo enlighned são adjetivos de um homem cosmopolita que gostaria de viver mais duzentos, ou quem sabe trezentos anos para continuar aprendendo e ensinando. Muitos de nós acreditam que uma vida de setenta, oitenta anos é muito longa, contudo refuto esse pensamento, pois estas pessoas não sabem do que estão falando. Sempre é tempo de aprender, esquadrinhar opiniões, defender, contestar ou apoiar teses, seguir uma corrente filosófica (no meu caso, a corrente kantiana), não necessariamente crer num ser superior, mas admirar e respeitar quem acredita nele. Entender a diversidade de costumes e culturas denominados de forma polissêmica nas diferentes partes do mundo, falar um ou dois idiomas, se perguntar o porquê e tentar encontrar respostas para as guerras, a segregação racial, as diferenças étnicas, o fanatismo religioso, o avanço tecnológico, o entendimento político. Enfim, apenas estes temas já levaria uma vida para se ter uma compreensão média. A leitura é o oráculo para estas informações, é ela que torna o mundo cada vez menor capaz de se acomodar nas páginas de um livro. É por isso que se diz que não há fronteiras para quem lê. Atualmente as pessoas confundem Balzac com anti-inflamatório, Borges com azeite, Camilo Castelo Branco com rodovia estadual, Lima Barreto com laranja de determinado município paulista, Aristóteles com marca de carro e por aí vai. Embora, eu tenha dissertado sobre o conhecimento culto, os meus trabalhos publicados aqui demonstram o dia a dia das pessoas comuns narrados através de divertidas e curiosas estórias. Meu público alvo são as mulheres. É para elas que escrevo, pois são elas possuidoras de sensibilidade capaz de entender o conteúdo do meu trabalho.
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