Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
Mais um dezembro
O universo perto de nós.
Nilton Salvador


Estive observando nas redondezas e até aqui no pequeno jardim da minha casa que até os passarinhos estão em franca agitação.

O que poderia ser?

Quem sabe é o prato com pedaços de frutas servidos em cada manhã para eles por minha mulher, e ainda um pouco de milho alvo derramado na extensão do muro, que provoca a briga pela comida, já escassa entre eles, pois os capões de mato que existiam no bairro estão sendo dizimados pela especulação imobiliária, e mais, com o beneplácito dos responsáveis pelo meio ambiente que conseguem transferir a culpa das tragédias para quem só tem o espelho para reclamar, pois este não reage com medo das retaliações sob o manto de leis unilaterais.

Emociona-me saber que meus filhos que saem de casa cedo, para o trabalho ou para a escola, ainda podem ouvir o grito de agonia da saracura que está perdendo o lugar para as calçadas. A mistura de cantos do beija-flor, do arranhar do bico de lacre, do mal humorado pardal, do sussurro da rolinha parurú, e da melodiosa sinfonia do sabiá laranjeira, como se fora um maestro, regendo a orquestra na cunheira das casas.

O sabiá é o único passarinho que merece atenção especial. Não há quem não faça um comentário a respeito do seu canto que inicia na madrugada e atravessa o dia, incansável.

Mas, ao me voltar para dentro de casa quase me assusto com a guirlanda de natal, já instalada estrategicamente na porta de entrada, numa posição para ser vista da rua, para ser comentada ou lembrar que já é dezembro.

Daí se entende porque os passarinhos cantam tanto nas manhãs de dezembro. E não é pelo horário de verão não, nem pelo final da primavera que se encaminha. É porque seus cantos são famosos. São clássicos das músicas canoras que sempre aparecem nas épocas certas, falando de amor e coisas fundamentais que não mudam com o passar do tempo.

Aí está dezembro, começando agitado desde novembro, chegando estressado e com muita pressa porque sua permanência é só de trinta e um dias. Parece muito pouco.

Não importam os modismos que vem e vai ao sabor dos caprichos do bicho homem, dezembro muda realmente a nossa compreensão da vida quando nos apercebemos do que é fundamental para nós.

O canto misturado dos passarinhos nos desenvolve a habilidade de distinguir a sonoridade de cada um, como no dezembro de transformação que vivemos, esperando as retrospectivas dos acontecimentos do ano em rádios, televisões, jornais e revistas que desestabilizaram velhas visões do mundo, justamente para que construamos novas perspectivas de vida, mais afinadas com a realidade humana do que a nossa pressa em esquecer que dependemos uns dos outros, que somos interligados a todo o universo tão perto de nós.

Passarinhos cantando no jardim também pode ser a compreensão de como exercer o amor ao próximo como a nós mesmos, mas isso exige muita responsabilidade nas ações, cujas conseqüências não podem ficar só nos dezembros da vida.

Temos que dar sustentabilidade e ter responsabilidade, percebendo que existem outras realidades sociais além das nossas.

Geralmente nos dezembros da vida, quando ganhamos uma roupa qualquer de presente de natal, é que vamos perceber que nosso corpo físico depende da nossa formatação espiritual que atua e sustenta a verdadeira vida.

Dezembro é uma época onde se abrem oportunidades imensas para reflexões sobre como estamos vendo a transformação do homem nestes tempos onde se prioriza o acessório em detrimento da responsabilidade espiritual.

Se na humanidade o joio e o trigo ainda se misturam, o processo de separação já está em curso, igual uma orquestra de passarinhos, onde cada canto se destaca com clareza, delineando a sinfonia de mais um dezembro com esperança de fartura, alegria e amor, sugerindo que todo dia do ano é Natal.


Biografia:
Escritor amador - Articulista em jornais, revistas, sites, grupos e listas de discussão, do ponto de vista bio-psico-sócio-espiritual. Autor dos livros: Vida de Autista; Autismo - Deslizando nas Ondas; Deficiência ou Eficiência – Autismo uma leitura espiritual e Vivo e Imortal - Ensinando a Aprender e Adoção - O Parto do Coração.Vida de Autista... E Eles Cresceram. Autista... Os Pequenos Nadas. Brasileiro,casado com Roseli Antonia, pai do Eros Daniel, a causa, da Anna Carolina e do Gabriel Lucca os efeitos, nascido em Joinville – SC.
Número de vezes que este texto foi lido: 65671


Outros títulos do mesmo autor

Poesias Tatuagens Nilton Salvador
Artigos Aprendendo dar sem receber Nilton Salvador
Artigos Preconceito Velado Nilton Salvador
Artigos EDUCAÇÃO INCLUSIVA OU EXCLUÍDA? Nilton Salvador
Artigos FILHO SEM MANUAL DE INSTRUÇÃO Nilton Salvador
Artigos Autista ou Cobaia Involuntário? Nilton Salvador
Artigos Autistas Nilton Salvador
Crônicas Santos 10 x Cidadania 0 Nilton Salvador
Artigos RETOMADA Nilton Salvador
Artigos Parada para Pensar Nilton Salvador

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última

Publicações de número 11 até 20 de um total de 53.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
A DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR - ADRIANA CARVALHO DOS SANTOS 65875 Visitas
Pequenos Adultos - Pedro Trajano de Araujo 65766 Visitas
MENINA - 65754 Visitas
O Cônego ou Metafísica do Estilo - Machado de Assis 65752 Visitas
IHV (IHU) e ISVA (ISUA) - Gileno Correia dos Santos 65747 Visitas
Abestado - Roberto Machado Godinho 65745 Visitas
Jornada pela falha - José Raphael Daher 65744 Visitas
Carta 2 para Sophie Scholl - Out/2024 - Vander Roberto 65743 Visitas
O Senhor dos Sonhos - Sérgio Vale 65742 Visitas
eu sei quem sou - 65740 Visitas

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última