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E ANSELMO FICOU MESMO MILIONARIO
TITO CANCIAN

Resumo:
Acreditando que um jovem havia sido o único ganhador de um concurso da loteria esportiva, a população de sua cidade proporciona a ele, mas visando sempre obter vantagens, que o rapaz se torne mesmo um milionário

E ANSELMO FICOU MESMO MILIONARIO
Anselmo ao completar 18 anos seguia sem nunca ter saído de sua cidade de nome Porecatú, um pequeno município no norte do Paraná.
Havia estudado muito pouco nem mesmo o ginásio havia concluído.
Na década de 60, onde ele morava a produção de leite era a maior atividade em toda a região, Anselmo era considerado o mestre na ordenha, e disputado por todos os fazendeiros da cidade. Contudo, nas horas vagas sua preferência era cuidar de plantas, e esse dom já herdara de seus antepassados que também adoravam cultivar flores, fosse comum até as mais exóticas.
Outra grande qualidade de Anselmo era ouvir mais e falar menos por isso ninguém sabia que ele tinha um amor profundo pela filha de seu patrão.
Com hábitos normais a rapazes de sua idade, jogava futebol amador e semanalmente apostava na loteria esportiva, pois acompanhava todos os campeonatos pela rádio.
Dizia a todos os amigos que se um dia fosse o único ganhador de um concurso da loteria esportiva, ele, imediatamente se mudaria da cidade e ninguém mais teria noticias dele.
O leite recolhido nas fazendas era feito por caminhões que o levava para laticínios em outras cidades, dessa forma Anselmo tinha amizade com vários motoristas destes.
Certo dia, ainda ordenhando, ele conversava com um desses caminhoneiros, e o assunto era futebol, foi quando surgiu o tema de jogar na loteria esportiva.
No seu horário de almoço naquele dia iria fazer a sua aposta na lotérica da cidade, e o motorista do caminhão leiteiro, sem nada entender de jogos, pede um volante para Anselmo, preenche, e pede para ele fazer também sua aposta, ele iria tirar uma soneca por algumas horas.
Na pequena cidade rara eram as apostas, apenas Anselmo e mais no máximo dez pessoas tinham esse habito. Ele fez a sua aposta e a do caminhoneiro e voltou para a fazenda.
Os jogos eram normalmente no sábado e no domingo, e o resultado dos ganhadores só era conhecido na segunda feira.
Naquele final de semana Anselmo resolveu se declarar para Flora a sua amada e filha de seu patrão. Foi muito humilhado por ela.
A recusa em aceitar seu pedido de namoro foi à gota d água. Anselmo reúne seus pertences e vai embora da cidade.
Na segunda feira, os noticiários dão conta de que apenas um apostador ganhara o premio equivalentes a mais de dois milhões de dólares, e a aposta havia sido feita em Porecatu. Com a fuga inesperada por parte de Anselmo, todos lembraram que ele sempre dizia que ao ganhar sozinho, sumiria da cidade e ninguém nunca mais teria noticias dele.
Assim a conclusão de todos foi ANSELMO agora é um milionário.
Todos procuravam outras pessoas que habitualmente apostavam na esportiva, e a resposta era a mesma,_ Não ganhei nada.
Quando o ônibus que fazia o trajeto entre Porecatu e Londrina, voltou da viagem, veio à confirmação, Anselmo viajara para lá, e o motorista ainda afirmou _Ele estava diferente, não conversou com ninguém durante a viagem.
Logo mais a noite terminaram as especulações, o noticiário, relatava que o único ganhador da loteria havia recebido o seu grande premio em Londrina, e exigiu não ser identificado.
Para os moradores não havia mais nenhuma margem de duvida, Anselmo era o ganhador anônimo. O que ninguém jamais soube que o verdadeiro ganhador fora o motorista do caminhão leiteiro, que também nunca mais apareceu na cidade, e que Anselmo estava calado na viagem por tristeza de um amor não correspondido.
O destino final de Anselmo seria São Paulo, o jovem pretendia ficar bem longe da pessoa amada e poder esquecê-la.
Ao chegar à metrópole, guardou suas poucas bagagens no maleiro da rodoviária comprou um jornal e por sorte e pelo fato de o chamado milagre brasileiro na economia, demandar por muitos empregados, já na primeira pagina encontra três anúncios procurando jardineiros experientes.
Em um deles quem procurava o empregado era um morador do bairro de camada alta por nome Jardim Paulistano, Anselmo descobre que andando poucas quadras tomaria um ônibus para lá, só estranhou ser um ônibus elétrico, coisa que jamais vira.
Apresenta-se ao contratante, um senhor de mais de 70 anos, muito culto, e amante de flores.
A casa imensa era rodeada por enorme jardim, e Anselmo ficou sabendo que a esposa desse senhor era quem cuidava dele, mas ela havia falecido dias atrás. Por sorte este também era paranaense e do interior, assim as afinidades ajudaram e Anselmo é contratado, poderia inclusive morar na residência, pois nela havia aposentos para os empregados. Foi o que Anselmo fez, buscou suas bagagens e se mudou naquele dia mesmo.
No dia seguinte inicia seu trabalho mostrando que realmente entendia e muito de plantas. Seu patrão passa muitas horas do dia conversando com ele, já que embora fosse pai de oito filhos esses raramente o visitavam, e seus empregados acabavam por serem suas únicas companhias.
Um mês depois, quando Anselmo recebe seu primeiro salário, seu patrão, Constantino, lhe pergunta: _ O que pretende fazer com suas economias. Anselmo responde que não tinha ideia, é quando o jardineiro descobre que seu patrão é um dos maiores aplicadores em ações na bolsa de valores do Brasil.
Este o orienta a comprar umas poucas ações com o que sobrasse de seu salário, e que quando fosse comprar roupas ou calçados, que adquirisse apenas uma peça, mas de marca boa, pois elas durariam muito mais.
É quando Anselmo descobre que no centro da cidade na Rua Seminário havia vários brechós que vendiam roupas de marca, com pouco uso e por preços baratíssimos, assim, ele renova seu guarda roupa inteiro.
Constantino seguia orientando Anselmo, e exige que ele frequente o curso de madureza para completar seu ensino ginasial e quando este está concluído, exige que faça o mesmo para o curso cientifico. Orienta o rapaz ler diariamente os jornais e sempre que possível um bom livro.
Mas o conselho que mais gostou foi o de jamais perder a tranquilidade, as ações onde ele já depositara boa parte de seus salários iniciavam render lucros, e Constantino sempre dizia a ele: _Por pior que a situação lhe pareça, sempre espere no mínimo um ano para tomar decisões jamais faça isso apressadamente, e que qualquer oportunidade boa que lhe ofereçam veja sempre se terá um prazo igual para pagar, pois comprar hoje e pagar um ano depois, a quantia lá na frente não será a mesma de hoje, e concluía: _Havendo prazo, compre.
Cinco anos se passam. Anselmo já possuía uma boa carteira de ações que realmente lhe rendiam bons ganhos. Mas numa tarde de domingo o inesperado muda novamente seu destino.
O jardineiro acompanhava os jogos pela radio, ainda seguia apostando na esportiva, deitado atrás de um arbusto no gramado do jardim.
Ninguém nota a sua presença, é quando entram cinco mascarados na casa. Era um assalto, havia inclusive agredido Constantino exigindo o segredo do cofre.
Anselmo sem ser notado, sai pela porta, vai até um orelhão e avisa a policia, que chega rapidamente impedindo o assalto e prendem a todos os facínoras.
Aquele acontecimento apavorou Anselmo, já que todos os companheiros empregados na casa haviam sido espancados com muita crueldade. Por isso resolve voltar para a sua terra, onde teria a modesta casa herdada de seus pais para morar e nenhum perigo de acontecimentos como aquele.
Constantino seu patrão tenta de todas as formas demove-lo dessa intenção, mas ele estava irredutível, pede demissão do emprego e ao fazê-lo, em agradecimento pelos bons serviços prestados seu patrão lhe da uma soma equivalente a seis meses de trabalho em dinheiro e um automóvel novinho pelo fato dele ter evitado o assalto em sua residência.
Anselmo, que havia tirado a carta de habilitação e na categoria profissional volta para Porecatu dirigindo seu próprio carro, vestindo roupas de marca, e com as malas cheias delas que sempre comprou no brechó.
A viagem bem longa, seriam 600 quilômetros a percorrer o que não existiam eram estradas boas, assim preferiu sair ao anoitecer e apenas chegou a sua cidade natal no período da manhã seguinte.
O movimento na praça principal era grande e todos que lá estavam viram a chegada de Anselmo.
Em minutos todos os moradores já sabiam que Anselmo o milionário da esportiva estava de volta. Este foi até a sua casa, que seguia idêntica ao dia de sua partida, tirou uma soneca e na hora do almoço, foi até ao melhor restaurante.
Notou algo diferente no olhar das pessoas que o cumprimentavam com um sorriso, sentou-se em uma das mesas, fez seu pedido e enquanto aguardava ser servido, sentou-se ao seu lado seu antigo patrão que iniciou uma conversa amistosa dizendo: _ Anselmo, que bom que voltou para nossa terra, preciso lhe pagar os dias de serviço que não o fiz por você ter ido embora da cidade.
Anselmo responde com um sorriso largo: _ Que nada Sr. Gregório deixe isso para lá.
Quando já iam mudando o tema da conversa chega Aluísio, o gerente do Banco DIJAU sentasse e pergunta: _ Você é Anselmo o filho da terra que para ela volta? Sim sou eu mesmo.
_Seja bem vindo, e saiba que quando tiver que trazer as suas economias de volta para a cidade nosso banco estará a sua disposição. Anselmo agradece e diz na maior simplicidade, mas era verdade.
Minhas economias, toda ela, esta aplicada em ações na bolsa de valores, e apenas poderei resgatá-la dentro de um ano, será quando essas ações terão uma valorização muito grande.
A noticia se espalha, Anselmo, só trará sua fortuna para a cidade em um ano, mas até lá muitas pessoas tentarão lucrar com o fato.
Porecatu era uma cidade plana, e um enorme rio que todos chamavam de Rio Paraná passava ao longo dela cerca de 10 quilômetros do centro da cidade, ele era utilizado pelos moradores para pesca e recreação, mas Nivaldo o prefeito da cidade e grande fazendeiro tinham uma informação que apenas duas pessoas conheciam na cidade.
Ao longo do Rio Paraná, seria construída uma usina hidroelétrica de grande porte e as fazendas ao lado de seu leito seriam desapropriadas, e pelo preço declarado pelos proprietários na declaração do imposto de renda.
Nivaldo o prefeito que era dono da maior delas, viu na chegada de Anselmo, e para ele um milionário, uma maneira de vendê-la antes de ser alagada. Procura pelo rapaz e oferece a fazenda por um preço até modesto, seriam no máximo 30% do seu valor real, mas uma quantia infinitamente maior que a declarada em seu imposto de renda.
Anselmo fica encantado com a oferta, o preço pedido por ela era realmente muito baixo, mas lamenta não poder aceitar a oferta dizendo que naquele momento não teria recursos financeiros para efetuar a compra. Nivaldo nem pensou duas vezes.
Vamos até o Banco Dijau que o gerente lhe emprestara essa quantia, e lhe dará um ano para pagar.
Aquelas eram as palavras mágicas para o jardineiro, que de imediato acompanhado por Nivaldo vão até o Banco, e realmente efetua o empréstimo e em seguida lavra a escritura de compra da maior fazenda em todo município.
Ainda no cartório Anselmo diz a Nivaldo: _Agora precisaria comprar as vacas para retirar leite delas.
Nivaldo já sabia que esse tipo de assunto surgiria, já havia conversado com seu primo que era apenas arrendatário da fazenda ao lado da sua e que possuía mais de 1.000 novilhas.
Amigo Anselmo, meu primo Joaquim esta cansado e sem muita disposição para criar garrotes, se quiser digo a ele para que venda a sua criação toda para você, que apenas terá que esperar que as novilhas cresçam e possam tirar o leite delas.
Anselmo arremata, mas, comprar com que dinheiro? Nivaldo imediatamente lhe informa: Sei que ele não terá nenhum problema em lhe dar um ano de prazo para pagar pelo gado.
Anselmo se inteira de que as novilhas tinham um ano de vida, logo só produziriam leite com mais um ano, 500 delas eram Girolando muito boas leiteiras e as outras 500 Gir leiteiro, que produzem leite mais gordo e próprio para produção de queijo.
Mas, pede 18 meses para pagar o gado todo e o compra apenas com uma nota promissória sem nenhum aval. O fornecedor de ração também lhe dá credito, fornece o feno para pagamentos futuros.
E dessa forma, com todos imaginando que Anselmo era o milionário anônimo da loteria esportiva, da noite para o dia, ele era o maior fazendeiro e maior criador de gado de Porecatu. Anselmo confiante nos ensinamentos de Constantino nem se preocupava com nada.
Já na fazenda Anselmo, procura diversificar a lucratividade, pois teria que esperar algum tempo para produzir e vender o leite, assim, planta flores nas partes disponíveis e com isso tem receita para ir tocando seu novo negocio.
Oito meses se passaram a criação já estaria pronta para ordenha em quatro meses, e Anselmo recebe a visita do ainda prefeito que inicia uma conversa estranha, mas poderia ser interessante.
O prefeito diz a Anselmo que havia vendido à fazenda, pois estava em litígio com a esposa e esta ameaçava tirar a fazenda dele na separação, e por isso ele teria vendido por um preço tão baixo. E lhe oferece o dobro da quantia paga por ela.
Anselmo argumenta que apenas com as flores o preço da fazenda havia valorizado 300% do valor pago, e que quando seu gado já estivesse pronto para produzir leite ele poderia vendê-la sim, mas por quatro vezes o valor pago.
O prefeito não pensa duas vezes e afirma, negocio fechado, vamos ao banco e ao cartório agora.
Neste momento Anselmo bem tranquilo lhe diz.
Não posso fechar o negocio agora, ainda terei que vender meu gado.
E o prefeito arremata, meu primo os compra de volta.
Mas ele não estava cansado pergunta Anselmo, e o prefeito conclui, serão os filhos que tocarão o negocio.
Mas amigo prefeito, eu comprei 1000 novilhas agora tenho 1000 vacas, e o preço quanto ele me paga? A mesma coisa, quatro vezes mais do que você lhe pagou ou pagaria, pois a promissória nem venceu ainda.
Assim, todos concordaram com o negocio. Anselmo paga sua divida com o banco e fica com enorme lucro, o mesmo ocorre com a venda dos animais, ele recebe de volta a promissória, e mesmo pagando o fornecedor das rações tem enorme lucro no negocio.
Anselmo jamais soube que a desistência na venda da fazenda e do gado, fora por ter o prefeito descoberto que realmente iriam construir uma usina hidroelétrica ali, mas diferentemente do que imaginavam, as águas da represa apenas chegaria ao limite de suas terras, e não seria desapropriado, logo ele poderia construir um hotel fazenda nela e viver com o turismo, mas nosso jardineiro seguindo os conselhos de Constantino havia em nove meses amealhado uma enorme fortuna.
Como de habito, qualquer quantia disponível era aplicada em ações, e desta feita não foi diferente, a quantidade sim, os lucros auferidos nas negociações eram muitos.
Mas Anselmo não poderia ficar parado, propõe ao prefeito seguir cuidando do enorme jardim plantado em sua fazenda, este por nada entender do tema aceita, assim repartem os ótimos lucros na venda das flores.
O jardineiro seguia em contato com Constantino seu patrão em São Paulo, e sabia que sua saúde era precária, mensalmente ia até sua residência para visitá-lo, mas este piorava a cada dia.
Quatro meses após o inevitável acontece. Constantino falece. Dias depois na abertura de seu testamento a surpresa geral.
O maior aplicador da bolsa de valores destina todas as suas ações para serem distribuídas entre seus funcionários igualmente.
Calculadas as quantias, Anselmo é beneficiário de quantia superior a três milhões de dólares.
Esta é de imediato transferido para a agencia do Banco Dijau. A quantia era superior a que imaginavam, e todos diziam_ Não falei que ele era o ganhador anônimo da loteca? E olha que lucrou muito com suas ações. Anselmo nunca desmentiu esses comentários, mas em um final de semana, em passeio a Londrina ele encontrou o motorista que ele sim havia ganhado o grande premio, mas ele estava novamente dirigindo caminhão leiteiro.
Anselmo lhe pergunta. _ mas amigo o que você fez com todo aquele dinheiro? E a resposta foi:
O que vem fácil vai fácil gastei tudo em farras, agora vou recomeçar a vida e tão pobre quanto o dia que lhe conheci.
Anselmo resolve então para não ter o mesmo fim que o caminhoneiro, aplicar toda a sua herança na bolsa, ele sim tinha tido um bom mestre.
Não iria correr risco algum, sabia em caso de crise bastaria esperar um ano.
FIM
Por Tito Cancian - italianodeoderzo@hotmail.com



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