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A grande jantarada
Luís Gonçalves

Resumo:
Felisberto, convidou a familia, os vizinhos, os colegas de trabalho e os amigos do facebook para irem a uma jantarada em casa do seu amigo crisálio. Só que Crisálio não achou muita piada e a coisa deu para o torto.

Se estiver interessado/a em representar esta peça de teatro agradecia que entrasse em contacto comigo, através do meu email: goncalvesluis_1@hotmail.com


PERSONAGENS:

Crisálio:
Velhota da scooter Egiro:
Felisberto (amigo de Crisálio):
Cliente 1:
Cliente 2:
Antunes (empregado da Pastelaria):
Alice (mulher de Felisberto):
2 filhos de Felisberto (ainda pequenos):
Pai de Felisberto:
Mãe de Felisberto:
Policia:
5 amigos de Antunes:

ATO 1

Esplanada de uma pastelaria.

No toldo da esplanada lê-se com letras bem grandes “Pastelaria Padaria o pão queimado - Especialistas em deixar queimar o pão”, vê-se outro cartaz que diz: “Fazemos Pizzas, Hamburgers e cachorros mas não temos os ingredientes!”

CENA 1

Crisálio está sentado a uma mesa a beber o seu café e a ler um livro. Noutra mesa vê-se uma velhota a ler o jornal e a beber uma bolha tinto. Ao lado da velhota está uma Scooter egiro (scooter de mobilidade reduzida). Entretanto um amigo de Crisálio, o Felisberto sempre sorridente e bem-disposto.

Felisberto: Olha quem é ele, o meu amigo Crisálio!

Crisálio: Olá Felisberto! (cumprimenta o Felisberto) Como tens andado?

Felisberto: Tenho andado, como o carro do senhor Armando.

Crisálio: (confuso) O quê? Como o carro do senhor Armando?

Felisberto: Sim! Um bocadinho a pé, um bocadinho andando. (ri) Ehehehe! (bate-lhe no braço) Estava a brincar meu! Então e tu como andas?

Crisálio: Olha, eu ando como o carro do ferrão. Isto já nem vai de empurrão! (ri) Eheheh!

Felisberto: (escangalha-se a rir) EEHEHEH! Essa está boa! EHEHEHEH! Isto já nem vai de empurrão... EHEHEH Essa está boa!... EHEHEHEH (acalma-se) Olha é verdade, ainda bem que te apanho aqui. É que ontem mandaste-me aquela mensagem para o telemóvel e não deu para te responder. Estava sem saldo!

Crisálio: Não tem mal, o assunto também já está resolvido. Chamei um técnico e arranjou-me o computador.

Felisberto: Não é sobre isso que estou a falar!

Crisálio: Ai não? Então?

Felisberto: É sobre a outra a mensagem que me mandaste!

Crisálio: (confuso) A outra mensagem?

Felisberto: Sim! Ficas já a saber que eu vou, a minha mulher e os meus filhos também vão. Falei com os meus sogros, com os meus pais, com os meus irmãos, com as minhas irmãs, com os meus primos, com os meus tios, com os meus vizinhos, até com os meus colegas de trabalho e eles vão todos.

Crisálio: (confuso) Não estou a entender! Mas vão aonde?

Felisberto: Então, vamos jantar a tua casa!

Crisálio: (ainda mais confuso) Jantar a minha casa?

Felisberto: Sim! Então tu não vais organizar uma jantarada lá em tua casa?

Crisálio: (ainda mais confuso) Eu?

Felisberto: Sim tu! É logo à noite não é? É a que horas?

Crisálio: (chateado) Não é logo à noite, coisíssima nenhuma! Não há jantarada nenhuma! Mas estás maluco, ou perdeste o juízo? Mas a minha casa é algum restaurante ou quê? Então isto agora é assim? Convidas os teus colegas de trabalho, os teus vizinhos e a tua família toda para virem jantar a minha casa?

Felisberto: Não foi a minha família toda, ainda falta mais pessoal, mas se quiseres eu posso convidar mais...

Crisálio: (grita) NÃO VAIS CONVIDAR MAIS NINGUÉM!

Felisberto: Ai espera aí! Esqueci-me de te dizer que também convidei os meus amigos do facebook.

Crisálio: Tu... Tu... Tu também convidastes os teus amigos do facebook para virem jantar em minha casa?

Felisberto: Quer dizer, não foram só os meus amigos do facebook. Pois o convite foi publico. Foi para toda a gente que tem facebook, estás a topar? Cerca de 100 pessoas já aderiram à jantarada! Quem é amigo, quem é amigo? HÃ?

Crisálio: (grita) 100 PESSOAS?... EU NÃO ACREDITO QUE ME FIZESTE UMA COISA DESTAS!

Felisberto: Mas acredita que é verdade. Vai ser mesmo uma grande jantarada!

Crisálio: (grita) COMO FOSTE CAPAZ FELISBERTO?

Felisberto: Realmente é verdade. Como fui capaz de me esquecer de te avisar que também convidei a malta do facebook.

Crisálio: (grita) ÉS MESMO UM IDIOTA!

Felisberto: (orgulhoso) Pois sou! Pois tenho ideias maravilhosas!

Crisálio: (grita) MARAVILHOSAS COMO A TUA CARA!

Felisberto: (convencido) O quê? Tenho a cara assim tão bonita?

Crisálio: (chateado) Não! Tens a cara horrível! Como foste capaz de meter isso no facebook, Felisberto? Não achas que é a abusar da confiança de uma pessoa?

Felisberto: Por acaso até acho, mas pelos vistos tu não achas! Tu é que disseste para eu convidar mais pessoal para a jantarada.

Crisálio: És mesmo um infeliz!

Felisberto: (brincando) Não! Por acaso até sou um rapaz feliz. Feliz...Berto! Eheheh Topas? (palmada no Crisálio)

Crisálio: (não acha piada) Felisberto, eu não te convidei para nenhuma jantarada em minha casa e muito menos para convidares mais alguém. Foi para vires arranjar o meu computador. Percebeste?

Felisberto: Convidaste sim senhor. Eu até tenho a mensagem aqui guardada no meu telemóvel, queres ver? (procura o telemóvel nas calças. Entretanto lembra-se que se esqueceu dele) Ai pois é! Já me esquecia que o deixei em casa a carregar. Mas se falaste da jantarada, falaste!

Crisálio: (grita) EU NÃO FALEI EM JANTARADA NENHUMA!

Felisberto: Falaste! Falaste!

Crisálio: (grita) JÁ TE DISSE QUE NÃO FALEI!

Velhota da scooter Egiro: (para o Crisálio) O senhor importasse de parar de gritar? É que está a incomodar a minha leitura.

Crisálio: (grita ainda mais alto para a velhota da scooter Egiro) MAS QUEM É QUE ESTÁ A GRITAR? AH? EU NÃO ESTOU A GRITAR!

Velhota da scooter Egiro: (solilóquio) Chiça! Parece que é maluco o rapaz! (levanta-se, pega na sua scooter Egiro e sai de cena chateada)

CENA 2

Crisálio: (para o Felisberto) Vais dizer a essa gente toda que convidaste que não há jantarada nenhuma. Que foi engano teu ou que estavas na brincadeira. Ouviste?

Felisberto: Não posso! Já viste a quantidade de pessoas que eu convidei? Se agora vou dizer que não há jantarada, levo uma carga de porrada que nunca mais me seguro em pé. Ainda por cima, há pessoal que não comeu o dia todo só para ganhar estômago para a jantarada.

Crisálio: Não quero saber. Ninguém te mandou andar a enganar essa gente.

Felisberto: (começa também a ficar chateado) Eu não enganei ninguém, tu é que me enganaste a mim. Convidas-me para uma jantarada em tua casa para eu convidar mais pessoal e afinal não vai haver nada. Mas tudo bem, não queres fazer a jantarada não faças. Mas podes querer que nunca mais acredito na tua palavra.

Crisálio: Tu é inventaste isto tudo. Queres é encher a pança à custa dos outros, é o que é!

Felisberto: (ofendido) Essa agora ofendeu Crisálio.

Crisálio: Ai ofendi o menino? Temos pena!

Felisberto: (ofendido) Eu nunca enchi a pança à custa de ninguém!

Crisálio: Ah pois não! Ainda na semana passada fomos ao “pito da Ermelinda”. Comeste a tua parte e a minha. Ainda voltaste a repetir. Quando chegou a hora de pagar foste-te embora e eu é que tive de pagar tudo.

Felisberto: (ofendido) Pagaste porque quiseste, desculpa lá. Porque eu não me tinha ido embora.

Crisálio: Pois não. Só saíste porta fora do restaurante.

Felisberto: (chateado) Eu só tinha ido ao meu carro buscar a carteira. Mas tudo bem, já que me estás a chapar essa na cara. (tira a carteira do bolso das calças, tira uma nota e atira-a para cima da mesa do Crisálio) Toma lá a porcaria do dinheiro. Não te quero ficar a dever nada. (vai para sair de cena chateado. Volta para trás) Sabes o que tu és? És um amigo da onça!

Crisálio: Podes querer. Onça!

(Felisberto sai de cena. Crisálio continua a ler o seu livro)

CENA 3

Entram dois clientes e sentam-se em outra mesa da esplanada. Entretanto aparece o Antunes, o empregado da pastelaria

Antunes: (para os clientes) Ora viva pessoal. Então o que vai ser?

Cliente 1: Olá Antunes. Queríamos duas minis fresquinhas e um pires com tremoços. Se faz favor.

Antunes: É para já! Vocês vão à grande jantarada que vai haver na vila?

Cliente 1: Sim vamos. Nós vimos o convite no facebook?

Cliente 2: E éramos nós que íamos faltar, Antunes? Comer e beber de borla é connosco?

Antunes: Eu também vou? Sabem a que horas é que é?

Crisálio: (metendo-se na conversa) Não é!

Antunes: (para o Crisálio) O quê?

Crisálio: Não vai haver jantarada nenhuma.

Antunes: (indignado) Não me diga uma coisa dessas.

Crisálio: Mas digo, porque é verdade. Não há jantarada nenhuma! O rapaz que vos convidou no facebook mentiu-vos.

Antunes: (indignado) Então eu recusei um bilhete para ir ver o Benfica ao estádio da luz, por causa desta jantarada e afinal é tudo mentira?

Crisálio: Pois mas o rapaz é um aldrabão. Não se pode confiar naquilo que ele diz!

Antunes: Era enfiar esse patife dentro do forno de cozer o pão!

Crisálio: Se quiser eu dou uma ajudinha!

Antunes: Ai se eu o apanho, ele vai ver como elas lhe mordem. Vou-lhe partir a boca toda. Vou arrebenta-lo todo!

Cliente 1: É assim mesmo!

Cliente 2: Apoiado!

Crisálio: Também não é preciso partir para a violência.

Antunes: Não preciso o quê? Aqui com o Antunes ninguém brinca!

Cliente 1: Eu sei onde ele mora! Vamos a casa dele e tratamos-lhe da saúde.

Cliente 2: Também alinho.

Antunes: Esperem até eu fechar a pastelaria. Depois vamos todos até a casa desse patife e acertamos-lhe o passo.

Cliente 1: Pode ser!

Antunes: Vou ligar a uns amigos meus, também para ajudar à festa. Nem sabe o que lhe espera! Já o estou a imaginar a chamar pela mamã!

(Antunes, Cliente 1 e Clientes 2 mandam uma grande gargalhada maléfica)   

Cliente 2: Trás lá então as minis e os tremoços que eu estou cheio de sede.

Antunes: Ok! Trago para vocês e para mim. Fica por conta da casa. O meu patrão não está cá, por isso é tudo por conta da casa. Patrão fora, dia santo na loja... quer dizer na pastelaria. (ri) Eheheheh! (para o Crisálio) Vai querer tomar mais alguma coisa? É tudo por conta da casa!

Crisálio: Não! Não! Obrigado. Eu já estou de saída, vou ter de ir trabalhar. Quanto é o café?

Antunes: São 65 socos na cara do cliente!

Crisálio: (assustado) Como?

Antunes: Ah pois é! Patrão fora, dia santo na pastelaria. (Crisálio ainda mais assustado. Antunes olha para os cliente e manda uma gargalhada) Eheheh! Olhem para ele, até borrou a cueca com o medo. São 65 cêntimos amigo!

Crisálio: (mais aliviado) Ah!

Antunes: Acha que eu lhe ia bater? Eu não bato em ninguém assim sem mais nem menos. Só quando ando mal disposto!

Crisálio: Ah! Está bem! (tira o dinheiro da carteira) Então ficam aqui os 65 cêntimos! (levanta-se) Adeus!

Antunes: Obrigadinho! Vai pela sombra!

(Crisálio sai de cena. Fecha o pano)


ATO 2

Casa do Crisálio

Sala

Vê-se um sofá, uma mesa de sala, uma televisão e uns moveis.

CENA 1

Crisálio está sentado no sofá a ver televisão. Veste um pijama, com um robe por cima e calça umas pantufas

Entretanto tocam à campainha, Crisálio levanta-se e vai abrir a porta.

Alice entra em cena. Trás dois meninos pela mão.

Crisálio: Alice?

Alice: És um traidor! Como foste capaz?

Crisálio: Eu traidor?

Alices: Sim! Por causa de ti o meu Felisberto foi parar ao hospital.

Crisálio: E qual é admiração? Ele trabalha lá como copeiro!

Alice: Mas ele não está a trabalhar...

Crisálio: Não me admira nada. Deve passar mais tempo andar atrás das enfermeiras do que a tratar das refeições dos doentes.

Alice: O meu Felisberto não é desses, está bem? Ele não está a trabalhar, porque levou uma grande sova do empregado da pastelaria “o Pão queimado” e de mais uns tipos. Agora está muito mal! (chora)

Crisálio: Pois. Normalmente quando se leva uma grande sova, não se costuma ficar lá muito bem.

Alice: Tu é que tiveste a culpa disto tudo! Eu sei muito bem!

Crisálio: Ai agora a culpa é minha?

Alice: Sim tua! Porque foste dizer a esse brutamontes que o Felisberto andou enganar toda a gente com a jantarada.

Crisálio: E andou.

Alice: Não andou nada. Tu é que és um aldrabão!

CENA 2

Entram os pais de Felisberto

Mãe de Felisberto: (chorando) Ai que o meu filho morreu! Ai que o meu querido filho morreu!

Alice: (aflita) O Felisberto morreu? O meu Felisberto morreu? (chora)

Pai de Felisberto: (consolando-as) Temos que ter paciência! Eu tenho a certeza que ele agora está lá cima a olhar por nós.

Mãe de Felisberto: (chorosa) Eu sei, eu sei. O problema é que ele tem vertigens e ainda pode cair cá para baixo.

Pai do Felisberto: (aponta para o Crisálio) A culpa disto tudo foi deste animal. Foi dizer aos outros que não havia jantarada e eles deram cabo do nosso filho!

Crisálio: Não foi nada, por causa de mim! Ele é que teve a culpa. Ele é que andou a convidar toda a gente para jantar em minha casa e era tudo mentira.

Pai do Felisberto: Cala-te seu artolas de meia tigela! Nada que dizes é verdade. Eu vi a mensagem que enviaste para o telemóvel. Sei muito bem que o convidaste para uma jantarada e para ele trazer mais pessoas.

Crisálio: Isso é mentira, eu não convidei o Felisberto para jantarada nenhuma em minha casa. Foi para arranjar o meu computador.

Mãe de Felisberto: Eu sempre disse ao Felisberto que tu és um falso. Mas ele nunca me quis dar ouvidos. Afinal eu tinha razão! Agora por causa de ti está morto!

Crisálio: (grita) EU NÂO SOU NENHUM FALSO! EU NÃO TIVE CULPA DO QUE ACONTECEU!

Alice: (chorosa) E agora o que vai ser de mim? Viúva e com duas crianças para cuidar?

(filhos de Felisberto também choram)

Mãe do Felisberto: E de nós? Que perdemos o nosso rico filho.

CENA 3

Entra um policia

Policia: Boa noite! Procuro o senhor Crisálio.

Pai do Felisberto: É este canalha aqui! (aponta para o Crisálio)

Policia: (para o pai do Felisberto) O senhor Crisálio não tem boca?

Pai do Felisberto: (ameaçando o Crisálio) Por enquanto tem.

Policia: Então cale-se! Senhor Crisálio, o senhor está detido!

Crisálio: Mas porque é que eu estou detido? Eu não fiz nada de errado!

Policia: O senhor é culpado pela morte do senhor Felisberto.

Pai do Felisberto: Pois é! Por causa dele é que o meu filho morreu!

Policia: O senhor é que é o pai da vitima?

Pai do Felisberto: Sou senhor Policia. Eu sou o pai do Felisberto!

Policia: Então cale-se!

Crisálio: (para o policia) Mas eu não tive culpa nenhuma do Felisberto ter morrido, senhor Policia.

Policia: (manda uma gargalhada) Essa está boa! O senhor matou o senhor Felisberto e está-me a dizer a mim que não teve a culpa.

Crisálio: Mas eu não matei ninguém...

Policia: Cale-se! Se eu eu digo que matou é porque matou, mesmo que não tenha matado. Porque eu sou policia. E a policia é uma autoridade! (grita) E COM A AUTORIDADE NÃO SE BRINCA, PERCEBEU?

Crisálio: Mas eu não estou a brincar com ninguém.

Policia: Não está a brincar com ninguém mas está a brincar comigo. Porque eu não sou o ninguém. O Ninguém é este camarada aqui ao meu lado!

Crisálio: (baralhado não vendo ninguém) Mas ninguém está aí!

Policia: Exatamente! Ninguém está aqui! Porque o Ninguém é meu colega imaginário!

Crisálio: Ah! Ok! Sendo assim, eu não estava a brincar consigo.

Policia: Ah! Então era com o ninguém! Você veja lá com quem brinca! Olhe que o ninguém é um tipo sério. Ah!

Crisálio: Pronto! Eu não estava a brincar consigo nem com o ninguém.

Policia: Ah! Assim já nos entendemos! Vá. Chega de conversa. Faça favor de nos acompanhar até à esquadra que eu e o ninguém temos mais que fazer. Ainda temos que investigar o assassinato de uma formiga que encontramos morta à porta da esquadra. Ainda por cima é das rabigas, se a gente não descobre o assassino os familiares revoltam-se contra nós, depois estamos tramados.

Pai do Felisberto: Mas é crime matar uma formiga?

Policia: Claro! Também não é crime matar cães? Porque é que não há-de ser crime matar formigas? Também não são animais? Também não habitam na terra? O que os cães são a mais que as formigas?

Pai do Felisberto: Nada! Nada!

Policia: Então cale-se! (para o Crisálio) Vamos embora senhor Crisálio, antes que eu e o ninguém tenhamos que usar as nossas forças.

Crisálio: Eu não vou a lado nenhum. Eu estou inocente! O senhor não me pode levar assim de qualquer maneira.

Policia: Pois não. Vai algemado. (prepara as algemas para prender Crisálio)

Crisálio: Não vou nada! Não fui eu que matei o Felisberto. Foi o Antunes, o empregado da pastelaria “o pão queimado”, mais uns tipos. Eles é que deviam ir presos, pois eles é que lhe bateram.

Mãe de Felisberto: E porquê? Porque tu lhe foste dizer que o Felisberto mentiu a respeito da jantarada, meu grande sacana. Logo foste tu o responsável pela morte do nosso filho.

Pai de Felisberto: Logo deves ir preso!

Policia: (para o pai do Felisberto) Acha mesmo que ele deve ir preso?

Pai de Felisberto: Eu não acho. Tenho a certeza!

Policia: Então... (agarra no Crisálio) vamos embora! (tenta algemar o Crisálio à força mas este oferece resistência) Esteja quieto homem! Oh Ninguém, dê aqui uma ajuda homem. Não esteja aí especado a olhar para mim!

Crisálio: (grita) ISTO NÃO É JUSTO. EU NÃO MEREÇO IR PRESO! EU NÃO TIVE A CULPA DO QUE ACONTECEU. O ANTUNES E OS OUTROS É QUE DEVIAM IR PRESOS! EU ESTOU INOCENTE! EU ESTOU INOCENTE!

(Escuro total de luzes. Saem todos de cena menos Crisálio que continua aos gritos. Passa uma música algo cómica)

CENA 4

As cenas 1, 2 e 3 do ato 2 era um sonho de Crisálio.

Ligam-se as luzes e a música pára.

O cenário é o mesmo. Crisálio está sozinho em cena. Está deitado no sofá a dormir. Entretanto aparece Felisberto alegre e bem disposto como sempre. Não repara que Crisálio estava a dormir

Felisberto: Crisálio! Amigo! Desculpa ter entrado sem tocar à campainha, mas como tinhas a chave no lado de fora da porta, resolvi abrir e entrar.

Crisálio: (acorda inconsciente. Assustado) Eu estou inocente! Eu estou inocente! Eu não mereço ir preso!

Felisberto: Calma rapaz! Ninguém te vai levar preso!

Crisálio: (assustado) O quê? O Ninguém vai me levar preso?

Felisberto: O que é que estás para a ir a dizer? Mas quem é o Ninguém?

Crisálio: (caindo na realidade) Oh! Não é ninguém.

Felisberto: Mau, mas é ninguém ou não é ninguém.

Crisálio: É um policia imaginário.

Felisberto: Um policia imaginário?

Crisálio: Esquece! Foi um pesadelo que eu tive.

Felisberto: Oxalá todos os policias fossem imaginários. Assim paravam de andar sempre em cima de mim.

Crisálio: Mas o que é que estás aqui a fazer?

Felisberto: Vinha te pedir se podia usar a tua casa de banho para tomar um duche. É que cortaram-me a água lá em casa e... (ri) Ehehe Não é nada disso. Vinha te pedir desculpas por causa daquela cena da jantarada. Acho que exagerei um bocado.

Crisálio: Exageraste e de que maneira. Até já há quem queira ajustar contas contigo!

Felisberto: O quê? Quem é que quer ajustar contas comigo?

Crisálio: O Antunes da pastelaria “o pão queimado” e mais 2 clientes.

Felisberto: Outra vez? Então mas eu já lhe paguei o que devia na pastelaria o que ele quer mais?

Crisálio: Pois, mas não é sobre isso. Enganaste-os com a história da jantarada. Eles viram o convite no facebook e também aderiram. Quando eu lhes disse que não havia jantarada nenhuma, ficaram fulos. Se eles te apanham estás feito ao bife e vão arranjar reforços!

Felisberto: Ui que medo!

Crisálio: Ai não tens medo?

Felisberto: Eu não! Porque eu não convidei ninguém para vir jantar em tua casa. Foi uma mentira que te preguei.

Crisálio: (furioso) Sua grande besta!

Felisberto: Então hoje é dia 1 de Abril, dia das mentiras. (ri)

Crisálio: Não Felisberto! Hoje não é dia 1 de Abril, é dia 1 de Maio, dia do trabalhador.

Felisberto: A sério? Pensei que fosse 1 de Abril!

Crisálio: Pois, mas pensaste mal! E agora por causa da tua santa estupidez alguém se vai lixar com esta brincadeira. Pois alguém os convidou para uma jantarada mesmo a sério.

(Alguém toca à campainha muito aflito e Crisálio vai abrir)

CENA 5

Entra Antunes com ar ameaçador, mais os 2 Clientes da pastelaria e 5 amigos de Antunes

Antunes: Com que então não havia jantarada!

Cliente 1: Afinal sempre havia!

Cliente 2: Quem é o aldrabão afinal?

Crisálio: (assustado) Tenham calma! Tenham calma! Isto foi tudo um mal entendido. Eu posso explicar...

Antunes: Eu não quero explicações nenhumas. Comigo ninguém brinca! Além disso eu ia todo entusiasmado para espetar umas valentes morteiradas na cara do moço que me convidou para a jantarada e não pude lhe bater porque afinal ele não me mentiu! Sempre havia jantarada!

Crisálio: Então se havia jantarada, melhor!

Antunes: Melhor não! Porque houve alguém que me mentiu e eu detesto que me mintam. Por isso, esse alguém vai ter de pagar por aquilo que me fez! Percebeu?

Clientes e amigos de Antunes: Vamo-nos a ele!

Crisálio: (começa a fugir com medo) Não! Por favor não me façam mal! (Antunes, Cliente 1, Cliente 2, amigos de Antunes e Felisberto desatam todos a rir na sala) Mas de que é que se estão a rir?

Antunes: Olhem para ele cheio de medinho! (ri)

Crisálio: Mas o que é que se está aqui a passar afinal?

Antunes: Ninguém te vai bater rapaz! Porque ninguém nos convidou para nenhuma jantarada. Foi tudo um plano para te assustar!

Crisálio: Mas vocês querem me matar do coração ou quê?

Felisberto: Pregamos-te uma valente partida Crisálio!

Crisálio: Pois pregaram. Desta nunca me vou esquecer!

Antunes: Bem, esta brincadeira deixou-me cá com uma larica. E se fossemos jantar todos ao pito da Ermelinda? Hã?

Felisberto: Boa ideia!

Antunes: E desta vez vai ser mesmo uma grande jantarada!

Crisálio: Pois! Chega de mentiras por hoje!

(saem todos. Fecha o pano)

FIM

Autor: Luís Gonçalves

26/6/2016

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Biografia:
A MINHA AUTO-BIOGRAFIA Chamo-me Luís Gonçalves, nasci na data de 30/03/1984, sou de Serpins (Coimbra/Lousã) e um dos meus passatempos é o teatro. Sou ator num grupo de teatro amador e também escrevo teatro. Desde muito cedo que comecei a interessar-me por teatro. Tanto na escrita como na representação. Durante a minha infância e adolescência as minhas brincadeiras estavam sempre ligadas ao teatro. Adorava fazer teatro com a minha irmã, e os alguns vizinhos. Representávamos mesmo sem publico, só por prazer. Também fiz teatro na escola e na catequese. Quando andava no 7º ano da escola preparatória da Lousã, juntei-me a uma colega e fizemos a peça “as lições do Tonecas” para a nossa turma e professores. No 8º ano entrei para o clube de teatro da escola onde participei num festival de teatro escolar no TGV em Coimbra Quando terminei o 9º ano desisti de estudar e fui tirar um curso de formação profissional na área de Cerâmica e Bar numa instituição da Lousã. Um dia, juntei-me a um colega e resolve-mos criar um grupo de teatro com ajuda de uma professora. A direção da instituição aprovou a nossa ideia, contratou um ator de um grupo de teatro existente na Lousã na altura e mais tarde a atriz Cláudia Carvalho do Teatrão. Em 2009, participei num workshop de teatro dinamizado por a atriz/palhaça Alejandra Herzberg da operação nariz vermelho e foi nesse ano que decidi começar a escrever as minhas peças de teatro até aos dias de hoje. Comecei a partilhar os meus textos na internet e o resultado superou as minhas expectativas. As minhas peças tem tido algum êxito. Têm sido representadas norte a sul do país. Também são encenados na Madeira, Brasil, Angola e Moçambique. Em 2015 entrei para o grupo de teatro "Os Canastrões - Associação Cultural e Artística" onde pertenço até hoje como ator e Associado Fundador. O grupo é dirigido pelo encenador Bruno Teixeira e já fizemos duas peças: Em 2015 foi “O costa d'Africa” com 4 secções e em 2017 foi a peça “Comissário de policia” com 2 secções. Em 2018 recebi uma certificação de participação da minha peça “Enquanto ela não aparece” no Amasporto - XXII encontro de teatro associativo pelo grupo de teatro Aldeia Verde de Lazarim. Este grupo tem participado em vários encontros de teatro do país com esta peça e outras da minha autoria. Neste mesmo ano fui convidado pelo senhor Flávio Spiess, diretor da companhia de teatro Rizzo (Brasil) a fazer uma gravação de uma narração da peça “Cabral na esquadra se deu mal” de João Guerreyro, mas acabou por não dar certo, pois a qualidade do som não era a ideal. Neste momento continuo a fazer teatro com o grupo de teatro “Os canastrões” e a escrever uma nova peça. Peças de teatro da minha autoria: 2009- Á espera de ser chamado, 2009- Os turistas, 2009- Uma lição sem o tonecas, 2013- A que horas passará o autocarro?, 2013- Velhos são os trapos!, 2014- Enquanto ela não aparece, 2014- Pai! Mãe! Fomos assaltados!, 2016- O cliente tem sempre razão!, 2016- A grande jantarada
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