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Velhos são os trapos!
Luís Gonçalves

Resumo:
Sinopse: 5 idosos conversam num banco de um jardim sobre os seus problemas de saúde.

TEATRO
COMÉDIA
PERSONAGENS:
Dona Idalete:
Dona Carlota:
Manel:
Quim:
Dona Francelina:

CENA 1

5 idosos estão sentados a conversar num banco de um jardim

Dona Idalete: Como a vida transforma as pessoas! O que eu era para trabalhar! Agora estou, velha, quase cega, tenho reumatismo e agora os malditos dos diabetes. Já não sirvo para nada!

Dona Carlota: Não diga isso Idalete! Nós não devemos pensar assim! Velhos são os trapos!

Manel: Eu também desde que me reformei nunca mais fui o mesmo. Estou gordo que nem um texugo, mal me consigo mover. Depois tenho colestrol alto. Mas o que me vale é aqui o meu camarada Quim. Ás vezes juntamos-nos, mais uns amigos no café do Bernardo, bebemos uns tintos e jogamos sueca. Não é Quim?

Quim: É verdade Manel! E quando nós ganhámos o torneio que houve na vila! Lembraste?

Manel: Então não me lembro? Tinhamos as cartas marcadas e ninguém deu por nada.

Quim: Pois foi! Abençoados tempos! Mas agora tenho de ter uma vida mais saudavel. Também tenho diabetes e o médico proibiu-me de beber bebidas alcoolicas por causa do meu figado.

Manel: Se alguma vez o médico me proíbe de beber vinho, vou para a cova mais cedo.

Dona Carlota: Pois, mas se o senhor Manel tem colestrol alto e põe-se a beber vinho, vai mesmo mais cedo para a cova. Devia seguir o exemplo aí do seu amigo Quim!

Manel: A dona Carlota parece a minha mulher, sempre a chatear-me a cabeçona. (Imita a sua mulher) Oh Manel olha o colestrol! Oh Manel olha o colestrol!

Dona Idalete: A Dona Carlota tem razão Ti Manel! As pessoas que tem colestrol não devem beber bebidas alcoolicas, porque correm o risco de ter um enfarte. O senhor deve cuidar da sua saúde, deve ter uma vida mais activa. Passar o dia no café a jogar ás cartas não bom para si.

Manel: A dona Idalete também não pode falar muito! É uma golosa! Tem diabetes e no outro dia vi-a a comer um bolo! Que eu saiba os diabeticos não podem comer doces!

Dona Idalete: Pois! Pois! Falar é facil! Só quem passa por elas é que sabe! Porque eu bem tento largar os doces mas é mais forte do que eu.

Dona Carlota: Tem de fazer um esforço! Vocês tem que ter juizo nessas cabeças! Parecem uns adolecentes! (mete-se com a Dona Francelina) Então e a Dona Francelina não diz nada? O gato comeu-lhe a lingua ou quê?

Dona Francelina: Eu também não ando muito bem Carlota! Os meus rins dão cabo de mim!

Dona Carlota: A dona Francelina também tem diabetes?

Dona Francelina: Sim tenho diabretes tenho!

Dona Carlota: (ri) Não é diabretes é diabetes!

Dona Francelina: Ou isso! Mas não deixam de ser uns diabretes!

Quim: Então se os diabetes são uns diabretes, a dona Francelina deve beber bastante água. Senão pode ter problemas graves nos seus rins.

Dona Francelina: Mas eu até bebo bastante água! Todas as noites, bebo uns bons chadeiros de água ardente no lambique do meu falecido marido.

Manel: Ah mulher enxuta!

Dona Carlota: A senhora deve beber muita água mas é água mineral, não é agua ardente.

Dona Francelina: Então mas o meu vizinho andava com gripe, bebeu um chadeiro de água ardente e ficou bom. Aquilo queima tudo! Por isso também me pode queimar os diabetes!

Dona Carlota: Ai dona Francelina! Dona Francelina! A senhora já tem idade para ter juizo! O alcool pode aumentar a possibilidade de ocorrência de hipoglicemia. Beba agua mineral que lhe faz muito bem. Assim os seus rins até funcionam melhor.

Manel: Deixe a mulher beber água ardente ao menos morre consolada!

Dona Carlota: Não diga disparates homem. Então mas o senhor quer que a mulher morra ou quê?

Manel: Eu não quero que ela morra. Mas se ela gosta da pinga deixe-a beber á vontade. A Dona Carlota fala, fala porque tem saúde.

Dona Carlota: Eu também sofro de diabetes. Mas compro com as normas. Tomo os medicamentos, faço caminhadas, faço exercicio fisico sempre que me levanto, bebo água, como comida saúdavel e ando no grupo de ginástica para os diabéticos, por isso é que agora estou mais saudavel, elegante e agil. Olhem aí! (faz uns movimentos com braços e pernas). Vocês também podiam ir comigo para a ginástica!

Dona Idalete: Eu já ouvi falar disso! Até era uma boa ideia!

Manel: Não contem comigo! Ginástica faço eu no meu quintal com a minha enxada.

Dona Carlota: Olhe que não é a mesma coisa. É no pavilhão ginodesportivo. Vocês são diabeticos, ainda por cima não pagam nada e cuidam da vossa saúde.

Manel: Mas eu tenho a minha mulher para cuidar da minha saúde. Basta eu chegar a casa bebado que ela trata logo do assunto! E além disso já estou velho demais para andar aos pulos. Ginastica é para a malta nova!

Dona Carlota: Velhos são os trapos! Não é por o senhor já ter idade que não deve fazer ginástica! Deve-se manter activo senão é pior para si! Além disso o nosso grupo de ginástica não é só para pessoas idosas, é tudo pessoal muito activo e dinâmico (de espirito e não só) e você é capaz, tal como nós somos. Só fazes o que puderes!...

Quim: Oh Manel, não sejas casmurro! Eu também ando na ginastica! Aquilo vai te fazer bem!

Manel: Vocês são chatos como a trampa da minha mula! Pronto está bem eu vou! Convenceram-me! Eu até ando a precisar de abater estas banhas!

Dona Carlota: (olha para as horas) Ah por falar nisso, está na hora da ginástica!

Dona Idalete: Vamos lá esticar o pernil!

Dona Carlota: Então e a Dona Francelina vai á ginástica?

Dona Francelina: Sim vou! Assim sempre distraiu um pouco!

(saem todos)

FIM

Autor: Luís Gonçalves

23/10/2013

Visite o meu blogue: http://ohomemdoteatro.blogspot.pt/


Biografia:
A MINHA AUTO-BIOGRAFIA Chamo-me Luís Gonçalves, nasci na data de 30/03/1984, sou de Serpins (Coimbra/Lousã) e um dos meus passatempos é o teatro. Sou ator num grupo de teatro amador e também escrevo teatro. Desde muito cedo que comecei a interessar-me por teatro. Tanto na escrita como na representação. Durante a minha infância e adolescência as minhas brincadeiras estavam sempre ligadas ao teatro. Adorava fazer teatro com a minha irmã, e os alguns vizinhos. Representávamos mesmo sem publico, só por prazer. Também fiz teatro na escola e na catequese. Quando andava no 7º ano da escola preparatória da Lousã, juntei-me a uma colega e fizemos a peça “as lições do Tonecas” para a nossa turma e professores. No 8º ano entrei para o clube de teatro da escola onde participei num festival de teatro escolar no TGV em Coimbra Quando terminei o 9º ano desisti de estudar e fui tirar um curso de formação profissional na área de Cerâmica e Bar numa instituição da Lousã. Um dia, juntei-me a um colega e resolve-mos criar um grupo de teatro com ajuda de uma professora. A direção da instituição aprovou a nossa ideia, contratou um ator de um grupo de teatro existente na Lousã na altura e mais tarde a atriz Cláudia Carvalho do Teatrão. Em 2009, participei num workshop de teatro dinamizado por a atriz/palhaça Alejandra Herzberg da operação nariz vermelho e foi nesse ano que decidi começar a escrever as minhas peças de teatro até aos dias de hoje. Comecei a partilhar os meus textos na internet e o resultado superou as minhas expectativas. As minhas peças tem tido algum êxito. Têm sido representadas norte a sul do país. Também são encenados na Madeira, Brasil, Angola e Moçambique. Em 2015 entrei para o grupo de teatro "Os Canastrões - Associação Cultural e Artística" onde pertenço até hoje como ator e Associado Fundador. O grupo é dirigido pelo encenador Bruno Teixeira e já fizemos duas peças: Em 2015 foi “O costa d'Africa” com 4 secções e em 2017 foi a peça “Comissário de policia” com 2 secções. Em 2018 recebi uma certificação de participação da minha peça “Enquanto ela não aparece” no Amasporto - XXII encontro de teatro associativo pelo grupo de teatro Aldeia Verde de Lazarim. Este grupo tem participado em vários encontros de teatro do país com esta peça e outras da minha autoria. Neste mesmo ano fui convidado pelo senhor Flávio Spiess, diretor da companhia de teatro Rizzo (Brasil) a fazer uma gravação de uma narração da peça “Cabral na esquadra se deu mal” de João Guerreyro, mas acabou por não dar certo, pois a qualidade do som não era a ideal. Neste momento continuo a fazer teatro com o grupo de teatro “Os canastrões” e a escrever uma nova peça. Peças de teatro da minha autoria: 2009- Á espera de ser chamado, 2009- Os turistas, 2009- Uma lição sem o tonecas, 2013- A que horas passará o autocarro?, 2013- Velhos são os trapos!, 2014- Enquanto ela não aparece, 2014- Pai! Mãe! Fomos assaltados!, 2016- O cliente tem sempre razão!, 2016- A grande jantarada
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Teatro A Hora da refeição Luís Gonçalves
Teatro A grande jantarada Luís Gonçalves
Teatro O Cliente tem sempre razão! Luís Gonçalves
Teatro Pai! Mãe! Fomos assaltados! Luís Gonçalves
Teatro Enquanto ela não aparece Luís Gonçalves
Teatro Velhos são os trapos! Luís Gonçalves
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Teatro Uma lição sem o tonecas Luís Gonçalves
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