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As diversas Violencias na Escola
FRANCISCO CARLOS DE AGUIAR NETO

Resumo:
Fala dos diversos tipos de Violencia dentro da Sala de Aula (Violencia Presumida e de fato)

Por Prof. Francisco C. de A. Neto
Mestre em Educação Comunitária - EST-RS.

Vamos falar um poucos sobre um assunto que assola a nossa sociedade e especificamente na esfera educacional “ A violência nas salas de Aula” .A violência constitui um fator predominante nas sociedades desde os tempos remotos. Contudo, devemos atentar para os diversos tipos de violência existentes nos diversos setores da sociedade. Partindo para a educação, nosso objeto precípuo de estudo, é notória a existência de alguns tipos de violência: a violência presumida ou intelecta, a violência propriamente dita, ou violência de fato, e os diferentes tipos de agressividades que vêm embutidas nos referidos tipos de violência anteriormente citados.

A violência presumida ou intelecta é aquela que não mata, mas fere. Ela é muito comum ainda nos tempos atuais, configurando-se naquela postura em que o profissional de ensino se auto intitula detentor do conhecimento, não admitindo refutações por parte dos alunos, os quais são forçados a receber uma quantidade muitas vezes excessiva de conteúdos, sem o direito a indagações ou reclamações. Paulo Freire critica aquilo que ele denomina de “a pureza em puritanismo do professor”, ou seja, a hipocrisia em se achar o detentor do saber.35



O professor acaba se colocando em uma espécie de “tablado imaginário”, influenciando na grande ojeriza dos seus alunos, impondo assim uma relação de dominação, na qual o aluno não tem direito a indagações ou curiosidades, sendo inibido de se transformar em um ser crítico, gerando com isso, muitas vezes, o surgimento de uma relação de violência recíproca entre educador e educando. A sala de aula passa a ser local de dominação e controle, como demonstrou Michel Foucault, na Microfísica do poder, quando afirma que o poder existe fragmentado nos vários setores da sociedade, podendo ser desde a hierarquia professor-aluno até atingir um nível de maior complexidade. A escola, em sua concepção, é uma das várias instituições de controle social, ao lado dos manicômios, das delegacias, das cadeias e dos hospitais, instituições implantadas principalmente após a Idade Média.36 A partir de Foucault, é possível construir um novo domínio teórico: a abordagem da violência nas “microrrelações da sociedade” e nas “relações de poder” presentes nas diferentes redes e lugares – relação entre pais e filhos, escola e trabalho. Na Pedagogia do oprimido, Paulo Freire faz uma denúncia crítica à concepção bancária da educação, pautada pelas relações hierárquicas

Segundo Freire, estudantes e professores devem ser valorizados porque a relação pedagógica não existe sem estes dois atores. Por este motivo, é preciso denunciar o tipo de violência empreendido pelo professor que, muitas vezes, vem disfarçado em doces falas de repreensão, por um olhar ameaçador, reprovador, apelidos ou ironias, indiferença ou preconceitos de cor ou classe social, denominado na atualmente como bullying. Outras formas de violência presumida ou intelecta são a imposição de pensamentos políticos ou religiosos, a falta de afetividade ou os castigos corporais usados do século passado (palmatória e congêneres).

O bullying é uma palavra inglesa que foi adotada em muitos países para definir o desejo consciente e deliberado de maltratar uma outra pessoa e colocá-la sob tensão.38 Este termo conceitua os comportamentos agressivos e antissociais, sendo utilizado pela literatura psicológica anglo-saxônica nos estudos sobre o problema da violência escolar.39

De acordo com relatos feitos em pesquisa por alunos da Pós-Graduação em Fenômeno Bullying: abordagem psicanalítica da violência escolar, um aluno chamado J.P. (5ª série, 11 anos) chorava com certa facilidade, por ser tímido e sensível, não conseguindo responder aos ataques de alguns companheiros da escola que o apelidaram de “bicha Gorda (hoje já poderia ser encarado pelo aspecto homofóbico )”.40 J.P. chegou a faltar aulas, alegando que estava doente, pensando até mesmo em mudar de escola devido ao fato de ser alvo de gozações. O preconceito se mostra de diversas formas na sociedade, seja por fatores econômicos, seja por fatores sociais, como o enquadramento a um padrão de beleza pré-determinado pela sociedade, jogando à marginalidade as pessoas que nele não se enquadram (gordo, feio, magro, negro, pobre, gay, etc.). Casos raros como o do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, embora ainda acanhados, tentam atenuar o sofrimento dos estigmatizados e marginalizados sociais.

Atualmente, outro tipo de violência engendrada tanto nas escolas quanto nos meandros da sociedade vem sofrendo uma mutação jurídica em sua nomenclatura, a saber, o preconceito em relação às pessoas homossexuais; este vem sendo tipificado como “Homofobia”.41 Esta nomenclatura é usada para expor repulsa em relação às ações de pessoas que realizam atos discriminatórios contra pessoas homoafetivas. A homofobia é caracterizada pelo programa governamental Brasil Sem Homofobia como um dos tipos de violência que mais prejudicam a sociedade.42

As escolas são deixadas devido ao preconceito, conforme pesquisas vêm apontando.43 Estudantes de orientação homoafetiva deixam a escola por causa da discriminação por que vêm passando, sendo a violência simbólica e física sua formalização mais evidente. Estima-se que, de acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) cerca de 20% dos estudantes homoafetivos que iniciam o ano letivo deixem os estudos por causa da discriminação. As escolas possuem papel determinante na construção social das pessoas. No entanto, elas também possuem um papel normatizador.

A Escola tem importante função no processo de conscientização, orientação e instrumentalização dos corpos da criança e do adolescente. A instituição escolar, ao classificar os sujeitos pela classe social, etnia e sexo, tem historicamente contribuído para (re)produzir e hierarquizar as diferenças. Essa tradição deixa à margem aqueles que não estão em conformidade com a norma hegemônica e, desta forma, não contempla a inclusão da diversidade sexual, proposta na atualidade.44

Em matéria veiculada na rede online, Felipe, travesti conhecido por Roberta, 26 anos, diz que acabou largando a escola, no 2º ano do Ensino Médio, depois que um professor fez deboche de sua opção em ser homossexual perante a turma, constrangendo-o. Diz assim, ele:

Ele vivia jogando piadinhas, fazendo insinuações maldosas a respeito da sexualidade, mas nunca tinha sido direto. Certo dia me cansei e lhe perguntei o que tinha contra os gays. Ele se assustou, disse ‘nada’, mas começamos a discutir até que ele me mandou sair da sala. Envergonhada, saí e nunca mais voltei.45

Está explícito nos casos anteriormente relatados que a homofobia, que antes era visto apenas como injúria e xingamento agora tomam novas proporções, indo desde o preconceito por orientação sexual à agressão e ao homicídio. “O termo “homofobia” é um neologismo cunhado pelo psicólogo clínico George Weinberg (1972), que agrupou dois radicais gregos: semelhante µ (semelhante) e medo (φβοσ) para definir sentimentos negativos em relação a homossexuais e às homossexualidades”.46 Esta prática, que não é nova, mas apenas ganha uma nova nomenclatura, funciona como fator precípuo para a evasão escolar, na qual tais alunos discriminados, e perseguidos, só conseguem enxergar na desistência de estudar uma saída viável para este tipo de violência simbólica. No entanto, essa não é a melhor das opções, pois a violência está imbricada na sociedade, ou seja, fora dos muros dos colégios é que esta nasce. Muitas das vezes, é no próprio seio familiar que ela surge e é incutida na cabeça dos jovens desde muito cedo.

O preconceito e ojeriza a qualquer forma de manifestação sexual que vá contra aos padrões Patriarcais de uma sociedade tradicional, torna-se uma agressão ao padrão normativo, tido por “normal”. Tipificação penal especifica poderá inibir, mas não resolver este tipo de violência, devendo-se antes mesmo de se legislar novas leis contra a homofobia, procurar através da Educação, sendo ela fomentada no seio doméstico ou escolar, extirpar este tipo de preconceito em relação às pessoas que manifestam opção homoafetiva, pois como é de praxe em nosso país, prevalece o Principio da Igualdade e Legalidade em que “todos são iguais perante a lei”, não podendo ser forçado a fazer alguma coisa senão em virtude da lei”.47

No Brasil, a violência gerada pelo o preconceito de cor, e de classe social, possui raízes profundas na própria constituição do país.48 Podemos tomar como exemplo professores brancos de classe média alta que discriminam seus alunos por serem negros e de baixa renda, ou ainda alunos que descriminam o professor por ser negro e não admitem serem orientados por profissionais que consideram


inferiores por ganhar menos do que eles. Agir preconceituosamente como exemplificado acima foi cominado apenas pela Lei n. 9.459/97, que trata de todos os crimes de preconceito, tidos no nosso ordenamento jurídico como crimes hediondos, insuscetíveis de fiança, graça ou anistia, não sendo específicos para os casos ocorridos na educação ou em sala de aula.49



Para atenuar a referida guerra, ocorrida muitas vezes em surdina dentro dos muros das escolas, e em virtude da necessidade de melhorar a convivência desses atores ligados à violência, de uma forma ou outra, notou-se a necessidade de uma intervenção educacional e a possibilidade de se efetivar uma anamnese na história do povo brasileiro, para procurar entender melhor a gênese desse constructo social. E por ser, o nosso país, um predominantemente de pessoas afrodescendentes, nada melhor do que traçar diretrizes para uma educação que insira a cultura afro-brasileira como disciplina nas escolas, nascendo assim a Lei de Diretrizes Curriculares Nacional para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, n. 10.639/03.50

Esta norma jurídica serviu, dentre outras coisas, para relativizar o preconceito religioso quanto aos povos negros,51 segundo a qual todos, pelo menos em tese, os professores passaram a ter acesso de forma não dogmática, mas sim filosófica à religião afro-brasileira, negando então o etnocentrismo normatizador arraigado na nossa cultura europeizada.

A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) ressalta, nos Princípios e Fins da Educação Nacional, Art. 3., IV, que é imprescindível o “respeito à liberdade e apreço à tolerância”.52 Podemos, desta forma, ressaltar que o preconceito nasce no âmago de cada um; cada mudança de paradigma é o primeiro passo para podermos entender melhor o outro e aprender com ele, pois cada cultura possui seu modo de produzir subjetividades adequadas conforme seu modo de sentir e compreender a realidade.

De acordo com Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, a escola tem papel conspícuo na reprodução das desigualdades sociais.53 A escola, nesta perspectiva, não seria uma instituição imparcial que simplesmente seleciona os mais talentosos a partir de critérios objetivos. Ela cumpriria o papel fundamental de legitimação das desigualdades sociais e, consequentemente, seria também um veículo de disseminação da violência, ao dissimular as bases sociais, convertendo-as em diferenças acadêmicas e cognitivas, relacionadas aos méritos e dons individuais.

A Escola prolonga os determinismos sociais ditados pela classe de origem, assim como os de género. [...] Contudo, realça a necessidade que as sociedades têm de se reproduzirem (reprodução social é análoga à biológica) e o papel da escola como um dos principais agentes neste processo. Também nos parece importante reflectir sobre o conceito de acção pedagógica como um exercício de violência simbólica de inculcação de arbítrios culturais, assim como sobre a necessidade que as relações de força têm de se ocultarem sob a forma de relações simbólicas.54

Tal afirmação nos leva a entender que a educação é realçada pelo papel que lhe fora atribuído desde há muito: ser uma instância reprodutora do stato quo. As sociedades reproduzem as normas e as diretrizes socioculturais que mais são de interesse àqueles setores dominantes de uma determinada conjuntura. Bourdieu e Passeron argumentam que este processo se dá através dos dispositivos de Habitus e de Campo.55 Por Habitus, Bourdieu considera aquela estrutura fenomenológica que concilia a percepção da realidade interior da pessoa com a realidade exterior, ou seja, com a realidade social. Trata-se de um constructo social que permeia as percepções de tradição e cultura que permitem ao indivíduo apreender de maneira analógica as afinidades entre os agentes e as estruturas sociais. Diz ele que se trata de:

[...] um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de percepções, de apreciações e de ações – e torna possível a realização de tarefas infinitamente diferenciadas, graças às transferências analógicas de esquemas [...].56

Por Campo, entende o autor, uma atmosfera em que existem dinâmicas societárias que configuram determinados grupos com distintos posicionamentos sociais, é um lugar específico em que a disputa e jogo de poderes são fortemente potencializados.

Segundo esse ponto de vista, as ações, comportamentos, escolhas ou aspirações individuais não derivam de cálculos ou planejamentos, são antes produtos da relação entre um habitus e as pressões e estímulos de uma conjuntura. Segundo Bourdieu, a sociedade é composta por vários campos, vários espaços dotados de relativa autonomia, mas regidos por regras próprias.57

A configuração entre estas duas situações moldam o processo educacional que tem nas escolas um dispositivo de reprodução daquilo que deseja uma determinada sociedade em um determinado período histórico. A educação formal, desenvolvida a partir de um aparato conceitual e prático, torna-se assim uma das principais instituições mantenedoras e legitimadoras dos privilégios sociais. Desta forma, criam-se a partir da reprodução conformadora esquemas nos quais as estruturas são regidas por estruturas próprias, tanto ao nível simbólico quanto ao nível praxiológico, ou seja, determinadas estruturas possuem características próprias que estão ligadas a outras estruturas que também possuem lógica própria, embora estejam conectadas aos processos de produção e reprodução social da vida mais abrangentes.

O estigma de que a cultura passada pela escola seria superior a qualquer outra corresponde aos modos de reprodução. No entanto, o que condiciona esse processo é a falta de uma escola crítica que não pensa a si mesma. Uma escola que não medita em sua função social, mas somente reproduz as determinações condicionadoras e mistificadas. Neste sentido, o preconceito, seja qual for sua tendência, será combatido e relativizado somente se se pensar uma educação problematizadora e crítica.58

Alicia Fernandez, no artigo “Agressividade: qual o teu papel na aprendizagem?”, fala-nos a respeito de “mandatos” que nos são impostos na escola por professores arcaicos, que muitas vezes não são ditos de uma forma agressiva, mas oferecido docemente.59 Contudo, marca o aluno para o resto de suas vidas, pois, segundo ela, a figura do professor é de suma importância na construção da subjetividade dos seres humanos.

Outro tipo muito comum de violência nas salas de aula é a violência entre alunos, também por nós elencadas como violência intelecta, muitas vezes incentivada pelos próprios professores, quando, até mesmo sem pensar, incentivam um ranking educacional entre os componentes da sala, colocando em ordem numérica a partir do melhor aluno da sala, em ordem decrescente até chegar ao último. O último do ranking, na maioria das vezes, perde a motivação de estudar, pois se considera “burro” e incapaz.

As metodologias de testar e avaliar a condição intelectual do aluno, dando-lhe um status, um lugar, um altar, uma condecoração dentro de um estabelecimento de ensino, na maioria das vezes não é um bom caminho, visto que ao mesmo tempo em que influenciam alguns, deixam à margem, rotulam, estigmatizam a grande maioria como fracassados ou na linguagem popular da pedagogia arcaica: “alunos orelhudos ou Burros, que nunca serão nada”, ainda que se leve em consideração algumas exceções.

A avaliação é necessária, mas somente ela não determina o nível de inteligência de ninguém. O próprio Einstein foi tido como um aluno relapso e “burro”, na visão de seus professores. No entanto, hoje é consagrado como um gênio da ciência. Podemos também citar Karl Marx, que não tinha um bom desempenho na escola. Contudo, ele escreveu O capital, um bestseller que todo estudante no mundo acadêmico deve conhecer. Dizer que fulano ou sicrano é o melhor da turma, o primeiro, ou o último, também é um tipo de violência para com o aluno, pois como já foi dito a inteligência se manifesta nas mais diferentes formas. Dizem que Beethoven, ao olhar uma corda de varal com passarinhos, conseguia ver uma partitura com notas musicais, podendo escrever uma sinfonia.

Freire, ao nos falar sobre o inacabamento do ser, bebido na antiguidade do pensamento socrático, mostra-nos que, se somos imperfeitos em eterna busca do conhecimento, como podemos punir ou exigir a totalidade do saber de um aluno que também busca o conhecimento? “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”, afirmou Cora Coralina.

O abismo construído entre esse professor “dinossauro do saber”, acaba por gerar outro tipo de violência, ou seja, a violência aluno-professor, a chamada violência propriamente dita ou de fato, que tanto fere fisicamente quanto pode matar. Na maioria das vezes, acontece na ânsia do aluno em se defender da imposição e do autoritarismo do profissional de ensino. Diante de outra solução, ele acaba encontrando na violência de fato e na agressividade a única saída para seu problema. Como não consegue argumentar nem exercer seus direitos, muitas vezes o aluno acuado lança mão do que Hobbes explicitou quando afirmou que o ser humano é um ser agressivo, crápula, que tenta submeter o outro à sua vontade.62



Assim, somente quando há acordo entre as pessoas pode haver a segurança de todos, trata-se de Estado constitucional. Argumenta Hobbes assim:

Diz-se que um estado foi instituído quando uma multidão de homens concordam e pactuam, cada um com cada um dos outros, que a qualquer homem ou assembleia de homens a quem seja atribuído pela maioria o direito de representar a pessoa de todos eles (ou seja, de ser seu representante), todos sem exceção, tanto os que votaram a favor dele como os que votaram contra ele, deverão autorizar todos os atos e decisões desse homem ou assembleia de homens, tal como se fossem seus próprios atos e decisões, a fim de viverem em paz uns com os outros e serem protegidos uns dos outros.63

Sem considerar a conhecida falta de percepção dos interesses de classe embutida nas concepções de Hobbes, e mais tarde de Hegel, a respeito da concepção de Estado, fato é que vivemos em um Estado preconizado pela modernidade, ou seja, um Estado Constitucional de Direito. Por isso, evocar as obrigações deste mesmo Estado é tarefa da sociedade como um todo, exigindo-se o cumprimento por meio da problematização em âmbito público.64

Contudo, o tipo mais comum de violência é a que surge não só nos ambientes escolares, mas em toda a sociedade, a chamada por nós violência propriamente dita ou violência de fato. Esta modalidade de violência deriva do descontrole da sociedade, que está adoecendo devido ao tráfico de drogas, à criminalidade gerada pela fome generalizada, ao ambiente em que a escola está inserida (bairros favelados controlados pelo banditismo) e à baixa ou nenhuma qualificação profissional em que os jovens se encontram no Brasil. De acordo com a Constituição Brasileira, no Art. 5, cumpre ao Estado efetivar por meio de leis o princípio da igualdade formal e material, isto é, ao Estado cumpre impedir que tratamentos desiguais sejam efetivados a pessoas por motivos subjetivos, tais como a etnia, o sexo, a religião, etc, efetivando ações que tomem a formalidade das leis como prumo para a realização material da igualdade de oportunidades e acesso.65

Vê-se que o texto constitucional está imbuído de conotações restritivas a qualquer forma de negatividade dos direitos formais e materiais aos indivíduos que estejam em situação de histórica desvantagem social, o que implica em criações de leis que visem amenizar dívidas históricas com a própria elaboração do país. Por ação afirmativa se quer negar as condições desiguais que há tempos se dão na sociedade brasileira, e esta negação como negação da negação dos direitos que as classes desprovidas dos meios de produção e reprodução da vida foram relegadas na construção do Estado. É uma questão de negar pela positividade legislativa a negação dos direitos formais e materiais a índios, negros, mulheres, crianças, imigrantes, homossexuais, etc.

Outro aspecto relevante no que tange à disseminação da violência nas escolas seria o papel da mídia, pois é comum os filmes holywoodianos mostrarem um ambiente escolar hostil, com gangues e quadrilhas controlando o tráfico e a violência dentro e fora das escolas; também há filmes de ação que exploram tiroteios nas ruas ou em colégios, acabando por banalizar a violência, escondendo dos telespectadores a verdadeira consequência de tais atos de violência. O que os filmes não mostram é o sofrimento das famílias que perderam seus entes queridos em confrontos de gangues, ou seus filhos que se encontram presos em cadeias públicas, vítimas de balas perdidas ou de algum atirador de elite desequilibrado, ou simplesmente vitimados pelo vício do uso das drogas.

Os meios de comunicação têm um caráter de extrema influência no que se refere à proliferação da violência. Sendo esse um assunto a ser abordado mas profundamente em um outro artigo que fala sobre a Mídia e Violência na Sociedade. Então lembremos que a violência está velada em varias ações que muitas vezes fazemos e que intrinsecamente não consideramos como violência, pois muitas vezes quem pratica a violência seja ela intelecta ou de fato se disfarça em hálibes de brincadeiras de mau gosto que esconde o verdadeiro caráter criminoso de tais atos.

BIBLIOGRAFIA:

PONCE, Aníbal. Educação e luta de classes. 11. ed. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1991.

SANT’ANA, Ruth Bernardes de. Psicologia Social na Escola: as contribuições de G. H. Mead. Psicologia & Sociedade, v. 17 (1), n. 17/28, jan./abr, 2005.

RIBEIRO, Dinalva Mota et al. Relacionamento entre a escola e a comunidade. Bahia: UNEB/Campus V, 2001.


Biografia:
Nascido na ilha da gamboa do morro, distrito da cidade historica de Cairu,graudou-se em Historia pela UNEB, é Graduando em Filosofia pela Faculdade Batista Brasileira-Salvador-BA;pós graduou-se em Psicopedagogia pela FACE,é Mestrando em Educação e Contemporaneidade UNEB; Mestrando em Teologia e Educação Comunitaria pelas Faculdades EsT-São Leopoldo-RS e Bacharelando em Direito pela FAINOR-Vit.Conquista. Professor Universitario e Funcionario Publico Estadual.Atualmente está como Diretor de PóLO DA FACE-Faculdade de Ciencias Educacionais em Jaguaquara-Ba,na Região Sudoeste da Bahia e é Diretor Geral do IESTE-Instituto de Educação Social e Tecnologico.Desenvolve projetos Sociais adotando o esporte como uma forma de Educação "Projeto Respeito Acima de Tudo"-aulas de artes marciais(Karatê) e filosofia Oriental.Teve suas poesias escolhidas no premio literário Valdeck Almeida e publicadada no livro Ontologias Poeticas que fora lançado na 20ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo em Agosto de 2008 e publicou o livro "A história da Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Valença.Tem poesias publicadas no Livro Ontologia Cidade em 2009.Em 2010 publicou o livro "Vivendo e Lembrando:História, filosofia e Poesias pela editora Ieste" e Escreve para a revista especializada em História com tiragem Nacional "Leituras da História".É membro permanente da AVELA-Academia Valenciana de Letras,Educação e Artes,ocupando a cadeira Imortal do Poeta Satírico Gregório de Matos.
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