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O VALE DO RIO UNA ERA CAIRU
francisco carlos de aguiar neto

Resumo:
Trecho da monografia OS TRABALHADORES DO MAR:Labuta Cultura e Momoria na ilha da Gamboa do Morro UNEB Campus V SAJ

O município de Cairu-BA está localizado no Recôncavo Baixo-Sul a 50 Km de Valença, acesso pela BA-001 que dá acesso a Camamu. Sendo composto por 36 ilhas, localizadas no Complexo Estuário, onde as principais ilhas são as de Cairu, Boipeba, Tinharé. Existindo três vilas (Galeão, Gamboa, Velha Boipeba), seis povoados (Morro de São Paulo, Canavieiras, São Sebastião conhecido também por Cova de Onça, Torrinhas, Tapuias, Garapuá) e uma cidade, Cairu. Cidade esta com um clima úmido, onde a temperatura média anual varia de 31,4oC a máxima, 21,8oC a mínima com 25,3oC de média, tendo como período chuvoso os meses de maio e junho, localizando-se a 13o28’ latitude sul e 39o02’ longitude oeste. (Ver mapa)

     Existem várias versões que remontam as terras de Cairu, sendo uma delas levantada, que Cairu teria sido fundada no ano de 1501 sendo o 2o vilarejo do Brasil, e onde foi colocada a pedra fundamental do Convento da Ordem do Santo Antonio em 1554, sendo administrado pelos padres Franciscanos da ordem primeira, tendo São Benedito como Santo de portaria do templo, que com o passar dos anos foi feito em sua homenagem uma festa que durava todo um mês, sendo que no dia da festa era erguida uma bandeira ou estandarte que depois saía em procissão, tal festa era comemorada no mês de dezembro e janeiro, com uma missa solene.

     Fica notório a tradição da religião e cultura Católico/Portuguesa no depoimento do padre Frei Hilton do convento do Santo Antônio em Cairu, que nos relata em seu depoimento:

17“Após a missa solene, tem uma festa com rei, rainha, congo, chegança...”
     


Segundo o Frei, a festa é de total tradição portuguesa, sendo uma liberação que a rainha D. Maria I, mãe de D. João pai de D. Pedro I, fez com direito a edital que após o dia de Reis, depois da festa dos brancos o que sobrasse daquela mesa, seria colocado à disposição dos negros e durante esse dia os negros seriam livres para passearem, cantarem, dançarem, onde poderiam encenar o “REI e RAINHA” de suas tribos.

     Dentro do contexto da escravidão a ação da mãe de D. João, deveria ser encarada como uma benevolência, bondade em deixar os restos de comida da festa para os negros e deixá-los até passar-se por Rei. O autor João José Reis18 cita em “A MORTE E UMA FESTA” uma passagem de encenação na cidade de Cairu em 1846 que foi proibida por autoridades civis e eclesiásticos, onde condenaram a festa do “REINADO NO DIA SANTO” pelo fato de escravos vestirem-se com vestes reais, chegando ao opróbrio a família real.

     A cidade era dividida como até hoje, em cidade alta e baixa tal como Salvador, inspirada na geografia de Lisboa, e também para melhor acomodação militar para proteção dos seus moradores.

     O convento do Santo Antônio erguido em 1554 é basicamente de estilo barroco, estilo predominante da época, tendo em seu interior vários mosaicos de azulejos azuis com passagens bíblicas, vindos de Portugal, ganhando uma magistral pintura no teto no ano de 1749 conseguido a beatificação do santo em 1875.


Na cidade existe ainda uma outra igreja, chamada de Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário que se localiza em um tabuleiro dentro da cidade que dá vista para todo o rio Cairu que banha a cidade. Existindo uma certa dúvida por parte dos moradores de cidade quanto a sua antiguidade, onde afirma-se ser a Matriz mais velha que o convento.

     Em entrevista o Frei Hilton afirma que por tradições e lendas populares o vilarejo de Cairu teria sua fundação datada de 1501 sendo um dos primeiros pontos de povoamento do Brasil, porém esse fato não tem comprovação historiográfica. Existindo ainda uma outra linha historiográfica que aponta para o aparecimento do vilarejo de Cairu no início do século XVII, que era centro abastecedor de alimentos, onde toda a região do vale do Rio Una faziam compras em Cairu, por não existir ainda a cidade de Valença.

     O autor Araken Galvão afirma ainda ser um mito gerado por orgulho pessoal
ou como afirma, uma falácia de que Cairu foi fundada em 1501, onde um jornal declarou no final da década de 80 que em uma das primeiras expedições que Portugal mandou ao Brasil entre 1501 e 1515, cerca de 50 portugueses se instalaram em Cairu, juntos com uma grande nação Tupy da família dos Tupiniquins. Araken discorda da afirmação que Cairu teria sido fundada naquela época, sendo assim uma das vilas e consequentemente uma das cidades mais antiga do Brasil. 20Ressaltando que a fundação de uma vila ou uma cidade, dependia legalmente de uma decisão Reinol. Mesmo porque nenhum homem branco ou seja, europeu, podia sair por aí fundando metrópoles. E completa afirmando que quando Tomé de Souza chegou à Bahia, ali havia um povoado surgido espontaneamente, muito antes de 1549. Porém como o primeiro governador chegou com ordens de fundar uma cidade, a data oficial de fundação da nossa capital ficou mesmo sendo 1549, porque naquela data fundou-se oficialmente a primeira cidade do Brasil.

Igreja da Matriz Nossa Senhora do Rosário erguida pelo Sr. Domingos da Fonseca Santana casado com D. Antônia de Pádua de Góes, fundadores do Povoado de Cairu.


Segundo Eduardo Bueno, 21Fernão de Loronha em 1498 torna-se “armador”, enviando por conta própria algumas “Naus” à Índia, sendo um desses navios que tomou parte da frota de João da Nova, que partiu para a Índia em 1501 e fez escala no Brasil, nesse ano.

Em 1502 D. Manoel assinou um “Contrato de Arrendamento” do Brasil, com um consórcio de ricos mercadores lusitanos, pelo motivo da “Coroa” já ter investido todo seu dinheiro nos esforços para a conquista da Índia (pág. 66). Outro marinheiro ilustre que fez uma expedição no Brasil em Maio de 1501 e julho de 1502, foi Américo Vespúcio que ressaltou em sua carta ao rei; não ter visto nada de proveitoso nessas terras, exceto uma infinidade de pau-de-tinta ou Pau-Brasil,chamados pelo índios de Ibirapitanga.

     Ficando no mínimo curioso que diversas expedições após o descobrimento ocorreram nos primeiros anos aqui no Brasil, onde era comum o naufrágio de vários navios, podendo-nos então inferir que a criação e o povoamento da vila, mesmo que não oficialmente, datasse desta época, porque quase nada nesse período fora oficial, (entre 1500 e 1549), em relação a fundação da cidade, devido a Salvador só ser oficialmente fundada nesta última data, podendo Cairu realmente ter sido desta época de 1501 ou 1502, mostrando-nos que a refutação feita por Araken Vaz Galvão, que critica a versão que o povoamento de Cairu teria sido remanescência de náufragos das primeiras expedições de exploração do Pau-Brasil na Bahia, onde 50 portugueses haviam sobrevivido a naufrágios nessa costa, criando assim, o povoamento de Cairu. 22Outro fato intrigante é que segundo Eduardo Bueno o próprio Diogo A. Correia “O CARAMURU” já morava no Brasil desde 1509, onde sofrera naufrágio na Ponta do Rio Vermelho, sendo ele um português.


Outra linha de pesquisa não sendo essa oral, nos levou uma abordagem sobre o Vale do Rio Una. Onde foi relatado que 25no ano de 1534, quando D. João III, rei de Portugal, foi dividir o Brasil em capitanias hereditárias a área que hoje é a cidade de Cairu ficou pertencendo a capitania de São Jorge dos Ilhéus, sob jurisdição da vila de Nossa Senhora do Rosário, que é a atual cidade de Cairu, onde se fez o primeiro povoado do Vale.

     Os aborígenes da aldeia Una, nome do rio de que titula o vale, eram das tribos Tapuias e Gueréns, descendência dos Aymorés mais valentes e Tupiniquins mais calmos, e localizavam-se mais a Oeste do referido Vale, onde estes travavam incansáveis guerras com os colonizadores, considerados por eles forasteiros, contudo as expedições contra os índios atenuaram-se com a implantação jesuítica no Vale de Cairu.

     Por volta de 1573 com o findar da administração do governante da Vila de Valença o temido Sebastião de Pontes por motivo de sua prisão e deportação para Portugal, o Vale do Rio Una enfrentou novamente várias incursões indígenas, sendo a mais sangrenta a que ficou conhecida por ”Guerra dos Gueréns’’, um ramo dos Aymorés, iniciada pelos anos de 1651, que perdurou por mais de 35 anos, atravancando o dito “desenvolvimento do vale”, onde pelas mãos do comandante João Amaro Maciel Parente, centenas de índios pereceram em nome da colonização, sendo uma carnificina de ambos os lados.

     Na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, da Vila de Cairu, contava de acordo com seu vigário, ’’300 fogos e 2210 almas e mais desta gente, sendo negros e pardos escravos’’, nela existindo além da Igreja Matriz de São Benedito o convento de Santo Antônio e a Igreja de Nossa Senhora do Desterro que foi construída no final do século XVI (1793) ficando mais ao sul do Vale do Rio Una nas imediações do Rio de Graciosa.

     A Ilha do Morro de São Paulo pertencente a Vila de Cairu, quase foi sede da capitania de São Jorge dos Ilhéus, sendo trocada na última hora pelo donatário Jorge de Figueredo Correia, que preferiu empreender viagem mais ao Sul, encontrando a Vila que hoje é a cidade de Ilhéus. Nesta abordagem conseguimos levantar dados que a criação das freguesias de Nossa Senhora do Rosário de Cairu e Divino Espírito Santo de Velha Boipeba, data de 1565, sendo promovidas a freguesia respectivamente nos anos de 1608 e 1618. Logo após a criação dessas vilas, as mesmas foram invadidas pelos índios Aymorés, causando pânico entre os colonos forçando-os a fugirem para as ilhas de Boipeba, Morro de São Paulo, Gamboa sendo extensão do anterior, e Galeão da Igreja de São Francisco. 27Com essa invasão dos índios na sede da capitania de São Jorge dos Ilhéus e outras vilas de nome, em Cairu vários colonos buscaram refúgio nas ilhas de Tinharé (Morro de São Paulo, Gamboa, Galeão) e 28Boipeva; mas ali também os Aimorés logo os sitiaram interrompendo as comunicações entre Ilhéus e a Bahia.

     A Vila de Cairu atingiu nessa época, o seu mais importante núcleo de povoamento, destacando-se moradores ilustres como Domingos da Fonseca Santana, casado com D. Antônia de Pádua de Góes, fundador do povoado que deu origem a Vila de Cairu, onde construiu um engenho e uma Igreja Matriz30. Havia ainda um outro importante morador chamado por capitão Lucas da Fonseca Santana, casado com D. Catarina de Góes, onde é sabido haver erguido sua moradia no alto da Ilha de Tinharé, no Morro de São Paulo, tendo ali mandado edificar uma capela para a invocação de Nossa Senhora da Luz que hodiernamente figura como padroeira desta ilha.

     O Morro de São Paulo, pelo fato da proximidade com a capital de São Salvador e a grande distância da Capitânia de Ilhéus, só nominalmente estavam sob jurisdição da Capitânia de Ilhéus, ficando como afirmara Silva Campos “Isentos, tanto da jurisdição do Governo Geral do Brasil, como também das autoridades do donatário”, transformando o Morro de São Paulo numa espécie de “Zona Franca” freqüentada por aventureiros, traficantes, contrabandistas, piratas, todos seguros de impunidades pelos crimes que praticavam.

     Nos fazendo inferir que talvez a tradição do Morro de São Paulo de estar envolvido nos tempos atuais com o tráfico de drogas e contrabando, seja conseqüência ainda da época das capitânias, onde era comum o tráfico de escravos e outras mercadorias da época.

     Segundo Araken Vaz, na região que hoje é Valença, não existe vestígios de instalações Militares, salvo o Morro de São Paulo, pertencente a Cairu que durante muito tempo foi espécie de terra sem governo, como já foi dito, ponto de desembarque de clandestinos e degredados de todos os tipos. Quando a “Coroa” sentiu a necessidade de coibir a sangria de Tributos que o contrabando desencadeava, construiu ali um forte militar, contudo Araken não cita em seu livro em que ano isto aconteceu.

          No século XVI existiam alguns engenhos na costa meridional, próximos a Cairu e, mais ao Sul, em Ilhéus. Tais engenhos sofreram contínuos ataques dos Aymorés, sendo a maioria deles abandonado.

     Segundo Frei Vicente de Salvador existia fazendas e engenhos de cana de açúcar nas Ilhas de Tinharé e Velha Boipeba, onde dedicavam-se também ao cultivo de mandioca e extração de madeiras de lei de ótima qualidade e a atividade pesqueira. Contudo, Soares Lopes, bandeirante e Senhor de engenho, afirmava que havia pelo menos um engenho que ficava entre Cairu, Camamu e Ilhéus, o engenho de Santana, entretanto ao Sul localizava-se uma zona de pequenas lavouras produtoras de mandioca.

     Devido à invasão Holandesa na Baía de Todos os Santos pelos navios de JOAN VAN DORTH em 1624 e a investida do governo pela retomada dos mesmos, desencadeou uma escassez de alimentos da Capitânia reconquistada, sendo forçado o fornecimento de farinha de mandioca para sua população, vindo diretamente da Ilha de Velha Boipeba. 33O cultivo desta raiz (mandioca) foi incentivado pelo Governador Afonso Furtado em 1673 que proibiu o plantio de canaviais e a construção de engenhos para favorecer a produção de farinha.

     Por volta de 1631, por temer novos ataques holandeses a capital de São Salvador, a Ilha de Tinharé, Morro de São Paulo tornou-se alvo dos olhares do governador DIOGO LUIZ DE OLIVEIRA, onde por terem os navios holandeses primeiro aportados nesta ilha, antes da invasão à capital, foi determinado a construção de um forte destinado a defesa do recôncavo, sendo usado o trabalho escravo. 34Tal fortaleza denominada Forte da Conceição ou Forte Velho, conhecida também como Fortaleza do 35Tapirandu que significa em tupi-guarani “feijão de anta” que contava com um efetivo militar de 183 homens, que zelavam por 51 peças de artilharia e uma muralha de quase mil metros de extensão. Edificada nela a Casa da Guarda, armazéns, Casa dos Oficiais, Casa do Capitão, capela, Casa do Capelão e paiol. A povoação se desenvolveu a partir da fortaleza. Em 1859, quando visitada por D. Pedro II, o povoado possuía apenas 300 famílias residentes. A fortaleza de Morro de São Paulo se constituía no mais extenso sistema defensivo da Bahia e, provavelmente, do Brasil.

     Já como cidade por volta do meado do século XIX (1848) devido ao surto industrial já empreendido pela Europa, o Brasil contagia-se com o capitalismo industrial, onde foi implantada uma fábrica de tecidos na cidade de Valença, sendo toda sua obra prima importada. Em virtude de não existir estradas de ferro até a cidade de Valença todo transporte era feito pelo mar. Onde toda a matéria prima da fábrica entrava pelo oceano Atlântico adentrando a barra do Morro de São Paulo que na maioria das vezes era agitada antes de chegar ao canal, por esse motivo em 1848, foi comprado no’’ estrangeiro’’ os materiais para a instalação na Ilha de Tinharé, Morro de São Paulo, um farol que serviria de guia para os navios da empresa têxtil, sendo o farol instalado e construído pelo engenheiro norte americano João Monteiro Carson ,o mesmo que posteriormente implantaria o elevador Lacerda.

     A Gamboa do Morro surge como anexo do Morro de São Paulo, remontando também do período colonial, sendo por vezes povoado por colonos que fugiam dos ataques dos índios Aymorés e Gueréns. Se firmando como vila de pescadores e carpinteiros, tendo como santo protetor Nossa Senhora da Penha.Seus primeiros habitantes vieram de Portugal com os primeiros núcleos de povoamento da Capitânia de São Jorge dos Ilhéus chefiada por Jorge de Figueiredo Correia.

     Cairu e suas ilhas tiveram um papel conspícuo no desenvolvimento do Vale do Rio Una, onde não remonta nem de perto a atual situação do município, levando em conta os aspectos extrativistas e de produção voltada para a exportação, o processo de decadência das Vilas de Cairu e Boipeba, que já foram credoras de uma dívida externa com Lisboa, pode-se abordar um dos vários aspectos sendo ressaltado que tanto Cairu quanto Boipeba assumiam a liderança da economia da região na época, onde em 1727 quando por determinação da Coroa Portuguesa que todos as câmaras do Brasil contribuíssem com donativos para o casamento dos filhos de D. João I com a herdeira da Coroa Espanhola, coube a contribuição com 6 e 2 contos de réis, respectivamente pagando esse tributo por 20 anos em parcelas.

     Posteriormente foi imposto um tributo para a reconstrução da cidade de Lisboa parcialmente destruída pelo terremoto; com a reforma das tropas em 1748, novos contingentes foram ordenados criando novas vilas e aldeias diminuindo assim a área do domínio de Cairu, crescendo em importância uma vila antes pouco falada a de Camamu, passando Cairu demograficamente.

     Cairu ainda tentou reagir com a implantação de duas novas culturas agrícolas a do café e cacau, sendo já existente a do arroz. Implantou-se também o consumo de carne bovina com a criação de estradas do recôncavo com o sertão, onde antes toda alimentação era a base de peixes e mariscos e raizes.

     No final do século XVIII, crescera assustadoramente nas terras da Capitânia São Jorge de Ilhéus o corte de madeira, principalmente na Ilha de Cairu. O que levou a Coroa nessa época a tentar regularizar esta atividade predatória, sendo criada a Câmara Fiscal de inspeção dos cortes de madeiras de Ilhéus, decidindo então, BALTAZAR DA SILVA LISBOA, no exercício da função, tombar o que ainda restava da Mata Atlântica, sendo a proibição da retirada da madeira ratificada nos dias de hoje, 38pela atual lei 9.605/98 contra Crimes Ambientais, onde fica bem destacada no depoimento de FREI HILTON, do Convento de Santo Antônio de Cairu.

     
     O fato é que a coroa proibiu a retirada da madeira não por estar preocupada com o desmatamento,mesmo por que não havia ainda essa consciência ecológica na época e sim para manter sempre a seus olhos o corte e a venda dessa madeira.

A decadência de Cairu continua com o passar dos anos, quando o povoado do Amparo fora elevado a categoria de Vila de Valença, onde posteriormente o conde dos ARCOS transferira de Cairu para Valença a escola de primeiras letras que antes ali funcionava, continuando em Cairu no Convento Santo Antônio a classe de gramática a cargo dos Franciscanos que ali residiam. A Ilha de Velha Boipeba em 1811 chega a tal grau de decadência que perderia sua condição de Vila para o Povoado de Jequié.

     Na guerra da independência, tanto Valença, Camamu como Cairu estiveram lutando junto com as câmaras de Maragogipe contra os portugueses, contribuindo tanto com homens como mantimentos (mandioca, peixe, mariscos, carne) para a campanha de libertação da Bahia. Nessa época a importância de Valença já se sobrepunha a de Cairu.

     Em depoimento o Frei Hilton do Convento do Santo Antônio de Cairu relata que um outro aspecto da decadência de Cairu teria sido a saída das famílias burguesas para a capital ou para cidades em ascensão como foi o caso de Valença, como é ratificado por 40Valdir Freitas ao citar a mudança de endereço dos Ouvidores e Juízes da comarca de Ilhéus para Valença, onde antes residiam em Cairu. Tais Corregedores e Juízes que em Cairu moravam eram designados pelo 41Tribunal Superior da Relação Colonial, formado por Juízes Régios, sendo este, estabelecido na cidade de Salvador em 1609 e, apesar da suspensão de suas atividades no período 1626-52, desempenhou uma série de funções burocráticas e administrativas, além das judiciais. Estes saiam de uma área em decadência (Cairu) mudando-se para uma em ascensão (Valença começando financeiramente a firmar-se como cidade industrial).

     Outro aspecto que influenciou na decadência definitiva das Vilas de Boipeba e Cairu foram as estradas construídas por volta de 1779-1783 pelo Marquês de Valença que ligavam a dita cidade a outras, inclusive a capital. Mas apesar da decadência a Vila de Cairu, esta ainda manteve relativa importância, inclusive com moradores ilustres como ouvidores e corregedores da Comarca de Ilhéus que aos poucos foram mudando-se, como já foi ressaltado, para a cidade em ascensão “A nova cidade Industrial”.



Biografia:
Nascido na ilha da gamboa do morro, distrito da cidade historica de Cairu,graudou-se em Historia pela UNEB, é Graduando em Filosofia pela Faculdade Batista Brasileira-Salvador-BA;pós graduou-se em Psicopedagogia pela FACE,é Mestrando em Educação e Contemporaneidade UNEB; Mestrando em Teologia e Educação Comunitaria pelas Faculdades EsT-São Leopoldo-RS e Bacharelando em Direito pela FAINOR-Vit.Conquista. Professor Universitario e Funcionario Publico Estadual.Atualmente está como Diretor de PóLO DA FACE-Faculdade de Ciencias Educacionais em Jaguaquara-Ba,na Região Sudoeste da Bahia e é Diretor Geral do IESTE-Instituto de Educação Social e Tecnologico.Desenvolve projetos Sociais adotando o esporte como uma forma de Educação "Projeto Respeito Acima de Tudo"-aulas de artes marciais(Karatê) e filosofia Oriental.Teve suas poesias escolhidas no premio literário Valdeck Almeida e publicadada no livro Ontologias Poeticas que fora lançado na 20ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo em Agosto de 2008 e publicou o livro "A história da Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Valença.Tem poesias publicadas no Livro Ontologia Cidade em 2009.Em 2010 publicou o livro "Vivendo e Lembrando:História, filosofia e Poesias pela editora Ieste" e Escreve para a revista especializada em História com tiragem Nacional "Leituras da História".É membro permanente da AVELA-Academia Valenciana de Letras,Educação e Artes,ocupando a cadeira Imortal do Poeta Satírico Gregório de Matos.
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