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O ESGOTAMENTO PROFISSIONAL NA EDUCAÇÃO
Lorivane A Meneguzzo e Taise da Luz Sousa

A educação no Brasil vive um momento de crise sem precedentes, com recordes de afastamentos de professores tanto por questões emocionais quanto físicas. Em 2025, o país registrou mais de meio milhão de licenças médicas por transtornos mentais, um recorde histórico. Atualmente, os transtornos mentais são a segunda maior causa de afastamento do trabalho entre docentes, crescendo 15% apenas no último ano. Os transtornos de ansiedade e depressão são os diagnósticos mais frequentes. Pesquisas indicam que 72% dos professores sentiram sua saúde mental piorar recentemente. O esgotamento profissional extremo atinge cerca de 84% dos docentes, que relatam exaustão emocional constante. Muitos profissionais descrevem um processo de desgaste contínuo, onde o entusiasmo e a saúde são consumidos pela rotina.
Os transtornos mentais, como a Síndrome de Burnout, ansiedade e depressão, são os principais motivos de afastamento. Há dezenas de milhares de licenças médicas concedidas anualmente por esses diagnósticos. Casos de professores que sofreram infartos ou mal súbito dentro das escolas têm sido usados em campanhas de conscientização sobre a pressão insustentável da carreira. O ambiente escolar tornou-se, em muitos casos, hostil. A violência física e verbal contra professores contribui para que a profissão seja vista como insalubre e perigosa.
Embora a saúde mental domine as estatísticas de licenças longas, existem outros problemas que também geram afastamentos. Dorsalgia (Dores nas Costas),distúrbios de voz devido a sobrecarga das cordas vocais, lesões por esforço repetitivo e problemas nos discos intervertebrais (como hérnias) completam o quadro de desgaste físico.
A deterioração da saúde não é um evento isolado, mas fruto de um sistema de trabalho precarizado com jornadas extensas, falta de suporte, aproximadamente 84,5% dos professores relatam nunca ter recebido suporte institucional para saúde mental em suas escolas. Outro fator que contribui é o excesso de burocracia, além de dar aula, existe uma carga muito grande de preenchimento de documentos como: registros pedagógicos, relatórios, diversos planejamentos, pois para cada turma são necessários vários planos, já que são muitos níveis de aprendizagem na mesma turma, além disso alunos de inclusão, cada um com uma ou mais especificidades, familiares cobrando aprendizado de crianças que não tem condições físicas e mentais de aprender da forma que eles exigem do professor enfim, metas inalcançáveis, impossíveis de atingir.
Como Burnout é uma doença ocupacional, a solução não depende apenas do esforço do professor, mas de mudanças no ambiente de trabalho. Algumas estratégias individuais que podem auxiliar: estabelecer limites digitais, evitar responder mensagens relacionadas à escola fora do horário de trabalho. Organize o preenchimento dos documentos burocráticos, planejamento e a correção de provas dentro da carga horária remunerada, evitando levar trabalho para casa. Fique atento a sinais como irritabilidade excessiva, ironia com os alunos (despersonalização), insônia, dores no corpo sem motivo aparente, angústia e sensação de que o trabalho não faz mais sentido, procure auxílio profissional.
[...] fases da síndrome de burnout nos professores: idealismo; realismo; estagnação e frustração ou quase-burnout; apatia e burnout total; fenômeno fênix. Na fase do idealismo, descrita como o momento de grande entusiasmo e energia, parece que o trabalho preenche a vida do professor. Na segunda fase, quando percebe que suas aspirações e ideais não correspondem à realidade, o professor começa a sentir frustração e percebe-se que não é recompensado. Intensifica seu trabalho, em busca de realização, mas, vem o cansaço e a desilusão, acabando o professor por se questionar quanto a sua competência. Quando o entusiasmo inicial dá lugar à fadiga crônica, é o momento da estagnação e frustração, ou quase-burnout. É quando aparecem sintomas como irritabilidade, fuga dos contatos, atrasos e faltas. A seguir, vem a apatia e burnout total, momento no qual o professor já experimenta desespero, auto-estima corroída e até depressão. Pode perder o sentido do trabalho e até da vida. Nesse momento surge o desejo de abandonar o trabalho. (REINHOLD, 2002).

A Instituição (escola) pode e deve auxiliar os professores, reduzindo a burocracia, simplificando o preenchimento de diários, relatórios e construção de portfólios, isso reduz drasticamente a carga de estresse dos professores. Criação de redes de apoio: criação de grupos de escuta ou momentos de troca entre os professores para que não se sintam isolados em seus problemas. Proporcionar ambiente seguro estabelecendo regras rígidas contra o assédio e a violência. Estabelecer as pausas ativas, garantindo que o intervalo de descanso seja respeitado e que haja espaços confortáveis na sala dos professores para desconexão momentânea.
O Estado também tem sua parcela de responsabilidade, proporcionar valorização salarial, para que os professores não tenham a necessidade de dobrar ou triplicar a jornada em diferentes escolas para ter uma renda. Melhoria das condições de trabalho com a redução da sobrecarga administrativa e adequação dos processos de trabalho para diminuir o esforço físico e o estresse mental.
O excesso de cobrança no magistério é um dos principais gatilhos para o esgotamento, pois o professor é pressionado de todos os lados: pela gestão, pela exigência de metas inalcançáveis, cobrança por aprovação em massa ou notas altas, ignorando o contexto social dos alunos. O professor sente que sua autoridade pedagógica e seu critério de avaliação são anulados. Quando um aluno avança de série sem dominar os conteúdos básicos, o docente percebe seu trabalho como "inútil", a aprovação de todos sem o suporte de reforço escolar cria turmas heterogêneas demais. A percepção de que "não se reprova mais" pode diminuir o engajamento dos alunos e o respeito pelas normas escolares. Isso aumenta a incidência de confrontos em sala de aula, elevando os níveis de cortisol e ansiedade dos educadores. Há turmas que o professor precisa ensinar conteúdos do 9º ano para alunos que ainda não foram alfabetizados, gerando uma sobrecarga cognitiva e frustração constante por não conseguir atingir a todos.
A cobrança dos pais em relação ao aprendizado, os professores precisam ensinar conteúdos acadêmicos, valores morais, hábitos de higiene, regras de convivência, ou seja, terceirização da educação familiar. Esse deslocamento de responsabilidades é um dos maiores gatilhos de estresse e esgotamento profissional no magistério. Muitas famílias esperam que a escola supra a carência de limites, educação emocional e princípios éticos que deveriam vir de casa. O professor, que já tem um currículo extenso a cumprir, acaba sobrecarregado com funções que fogem à sua formação pedagógica, gerando fadiga mental. Enfim, quando os pais cobram resultados (aprovação) mas não apoiam o processo (estudar em casa, disciplina, organização de tarefas), o professor precisa mediar a expectativa irreal da família com a realidade do aluno, isso causa um profundo desgaste emocional.
A transformação da educação em apenas "números e metas" muitas vezes ignora a humanidade do professor, que se vê obrigado a lidar com infraestrutura precária e falta de apoio familiar dos alunos. Essa frase reflete um desabafo real e fundamentado sobre o atual estado da educação no Brasil. O termo "morrendo aos poucos" é frequentemente usado para descrever o colapso da saúde mental e física dos docentes, bem como o esvaziamento da própria profissão.
Segundo, estudos do Instituto Semesp e outros órgãos preveem a falta de professores com um déficit de até 235 mil docentes na educação básica até 2040. Há uma queda acentuada na procura por cursos de licenciatura, motivada pela percepção de que a carreira oferece poucos benefícios em troca de altos riscos à saúde.
Diante desses estudos sobre a Síndrome de Burnout em professores entende-se que o esgotamento físico e mental como reflexo do estresse crônico e da precarização do trabalho docente, afetando os educadores básicos. A síntese dos estudos destaca que a tríade de sintomas (exaustão, despersonalização e baixa realização) exige intervenções institucionais urgentes, superando a visão de que o problema é apenas individual. Síndrome de Burnout em professores deve sintetizar como o esgotamento profissional compromete não apenas a saúde do docente, mas todo o sistema educacional. Em suma, a Síndrome de Burnout em professores é um desafio de saúde pública e educacional. Conclui-se que o bem-estar do docente é indissociável da qualidade da educação, tornando urgente a implementação de políticas preventivas e suportes institucionais para garantir a sustentabilidade da profissão.


REFERÊNCIAS
Instituto SEMESP. Disponível em: https://www.semesp.org.br/instituto/home/. Acesso em abr. de 2026.

GOMES, Silvia. Síndrome de Burnout atinge um a cada três professores infantis. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/sindrome-de-burnout-atinge-um-a-cada-tres-professores-infantis-aponta-estudo/. Acesso em: abr. de 2026.

Jornal hoje. Disponível em:
https://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2023/01/24/baixos-salarios-e-falta-de-perspectiva-de-carreira-fazem-professores-desistirem-da-profissao-diz-pesquisa.ghtml. Acesso em abr. de 2026.

REINHOLD, H. H. Burnout. In: LIPP, M. E. N. O stress do professor. Campinas: Papirus, 2002. p. 63-80.

SILVA, Maria. Burnout: porque os professores sofrem? Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-4281200600010000. Acesso em abr. de 2026.






Biografia:
LORIVANE APARECIDA MENEGUZZO
TAISE DA LUZ SOUZA


Este texto é administrado por: Lorivane A Meneguzzo
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