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Desejo estar aonde todos possam chegar,
como um caminho que não se fecha ao passo,
como água mansa a se deixar tocar
sem perguntar de onde vem o cansaço.
Que o tempo ali desaprenda a pesar,
e o corpo encontre um lento abraço,
onde até o silêncio saiba pousar.
Que seja um lugar de luz repartida,
sem nome fixo, sem forma de ter,
onde a ausência já não seja ferida
nem o outro precise se esconder.
Desejo estar — como quem faz guarida —
no gesto simples de acolher,
onde chegar seja também florescer.
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