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Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Flora Fernweh

A máxima socrática “Conhece-te a ti mesmo”, revela que desde o período clássico da Grécia Antiga, o ser humano deve buscar primeiramente conhecer-se para então compreender o mundo à sua volta. De modo análogo, a contemporaneidade exige o autoconhecimento por parte dos indivíduos cujo contexto se insere na era digital, visto que o prevalecimento da ignorância sobre si, gera efeitos negativos nos âmbitos sócio emocional e interpessoal. Um exemplo nítido, é o impacto proveniente do fenômeno da espetacularização, conceito proposto por Guy Debord, que acentuou-se significativamente em razão das possibilidades oferecidas pelas redes sociais. Portanto, torna-se fundamental o investimento no processo de conhecer-se, tendo em vista os possíveis riscos que as mídias sociais representam à mente e à verdadeira identidade de cada pessoa.

Em termos científicos, o ato de conhecer-se, é denominado autognose. Essa nomenclatura cunhada pela psicologia, pode se aplicar à conjuntura digital na qual se vive, posto que a exposição de uma vida perfeita, tendo vídeos, fotos, filtros e plataformas como veículo, exclui a realidade crua sobre a vida, além de obstáculos, fraquezas e angústias. Estudos evidenciam que se estabelece uma estreita relação entre o uso excessivo das mídias sociais e a saúde mental dos usuários das redes, com especial destaque ao público jovem, que se encontra em uma fase delicada e oscilante de transição entre a infância e a vida adulta, na qual os desejos, pensamentos e convicções ganham um novo grau de manifestação em decorrência da maior autonomia. No mundo conectado, muitos jovens ainda em fase de consolidação de sua identidade, encontram nas redes sociais, um refúgio que os permite mostrar somente aquilo que eles querem que as pessoas vejam e saibam sobre sua vida, o que gera uma sensação de pseudo-identidade, análoga aos disfarces e pseudônimos utilizados por muitos escritores e artistas. Entretanto, o escapismo inerente às mídias, se revela despreocupado com a reação ou com o bem-estar do outro indivíduo que está do outro lado da tela, visualizando e consumindo um conteúdo na maioria das vezes, teatralizado, em uma aparente comédia aplaudida por likes e um verdadeiro drama no íntimo de quem o acessa e o internaliza.

A bolha tecnológica que nos foi presenteada pela era da informação e do mundo globalizado, não é o único espaço que põe a prova o que se é, quem se é, e do que se trata o sentido da vida. As redes sociais representam sim a nevralgia de condução do indivíduo rumo a distúrbios de ordem psicopatológica, como depressão e ansiedade, além de abrir brechas para o bloqueio de questionamentos relacionados à forma como se tem vivido, cessando de modo gradativo, os pensamentos críticos sobre si e sobre o mundo, que poderiam consistir em um fator que agrega a construção do ser. Contudo, juntamente com as inovações do novo tempo, surgiram grupos reunidos em torno de novas ideologias, meios de ruptura e subversão, tendências, modismos, causas pelas quais o suor e a voz valem o esforço, o que simboliza uma tentativa concreta de se livrar do alheamento, tão incabível às atuais gerações, e por outro lado, mas ao mesmo tempo, tão disseminado entre ela. Em sua obra “O Alienista”, um dos maiores expoentes literários do Brasil, Machado de Assis, descreve que a saúde da alma, é a ocupação mais digna do médico. Com essa reflexão, conota-se que é na alma humana, o ponto de repouso de todos os princípios a partir dos quais alguém se é constituído e através do qual, esbraveja sua essência. É imprescindível que se resguarde o que há de mais precioso dentro de si, e que se fortaleça o pilar fundamental que sustenta o templo interior que não vale o preço de se tornar um espetáculo para a superficialidade de um mundo doente.


Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
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