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ALMA PALÁVRICA
Flora Fernweh

Cuidado com tudo que é capaz de ser grafado,
pois é lá que o oculto habita.
Nas palavras escondem-se os grandes segredos do mundo,
os misteriosos sussurros da vida,
as sublimes lembranças juvenis
e as delicadas sementes da emoção.
As paixões seriam inatingíveis sem os resquícios literários
a eternidade que se esconde entre as páginas,
consegue ser maior que o infinito fora delas.
Desconheço aquilo que não pode ser empalavrado,
a fonte humana que jorra os registros sempre foi e será a angústia
eis o vômito escarlate e pontiagudo do cruel que tudo inspira.
Escreva-me agora o que não achares descritível,
assim, verás que nada passa despercebido pelas letras
Mas essas letras que tanto me refugiam,
despem-se de toda formalidade que carregam
quando um significado paira sobre sua gramática reta,
e num sopro, a tinta negra que mancha o papel,
passa a ser luz do dia de uma carta inacabada,
a caneta formosa que dança no fundo branco
passa a ser uma arma atroz que tudo engole
e as almas sedentas por profundidade,
passam a ser corações ardentes no oceano
que separa a terra de sua ilha.
Vive entre os livros quem descobre o poder
emanado da força vital humana,
e encontra o reflexo de seus olhos infantis
na teia que espelha o retrato do sempre.
Já entre a escrita, não se vive,
apenas se abriga temporariamente sobre seu paradoxo radiante,
posto que escrever não é vida, mas sim o sonho fosco e flamejante.







Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
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