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O trem italiano da felicidade - impressões pessoais
Flora Fernweh

Ontem à noite assisti a um belíssimo drama que fortemente recomendo a todos que gostam de filmes que se passam no contexto da Segunda Guerra Mundial. E o que mais me chamou a atenção foi o fato de que diferentemente de outras produções que já prestigiei, este filme não tem como foco o sofrimento que acompanhou a guerra, não há cenas fortes de morte, sangue, bombas e violência, apenas pequenas passagens que buscam demonstrar a realidade do período.

Ambientado no sul da Itália, é outro tipo de dor que o filme enfatiza: a despedida necessária entre as crianças e as famílias em que nasceram. A história gira em torno do pequeno Amerigo Speranza, criança napolitana de apenas oito anos de idade, que por decisão da mãe, ruma para algum lugar longe dali em um trem cheio de outras crianças, que, não por coincidência com o sobrenome do pequeno protagonista, sonham com um futuro melhor.

Ante a fome e as incertezas do tempo bélico, a viagem não é fácil. Amedrontados por comentários de pais que optaram não enviar seus filhos, como a ideia de que seriam levados para campos de trabalho na Sibéria, queimados vivos em grandes fornos e que teriam seus membros decepados, a tensão que rondava os meninos era imensa e não se sabia em quem confiar, até mesmo a comida, que era escassa e racionada na crise que assolava o sul da Itália era motivo de desconfiança quanto a um possível envenenamento, embora a fome os povoasse.

Chegando ao norte do país, as crianças foram encaminhadas a famílias temporárias que as cuidaram. Amerigo teve a sorte de ser adotado por Derna, uma mulher solteira e à frente de seu tempo, engajada na causa feminista. Neste espaço familiar, Amerigo entrou em contato com outros conhecidos, amigos e parentes dela, além de ter sido agraciado com roupas e sapatos novos, comida abundante, escola e até mesmo um violino. Encantado com a paz e com a boa vida que o norte o proporcionava, quando o trem retornou ao sul, a criança sentia que não pertencia mais àquele lugar tão pobre e triste, e desejou voltar à família que o acolheu por amor.

Não falarei mais tanto sobre o filme nem sobre o que acontece depois, mas a principal lição que podemos extrair da história é a de que deixar ir talvez seja o mais grandioso ato de amor. Nenhum pai e nenhuma mãe gostaria de ver seus filhos partirem sem a certeza de que iriam retornar ou de que ainda estariam um dia ali à sua espera. Mas compreender que nada poderia ser pior que a situação em que se encontravam e deixá-los ir, não foi um abandono, e sim uma atitude corajosa de pais que zelam pelo bem-estar e pelo amanhã das gerações mais jovens.


Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
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