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Robert Ader e o Sofisticado Sistema Imunológico
Sistema Imunológico.
Ismael Monteiro

Resumo:
É uma breve resenha sobre os mecanismos fisiológicos que podem servir de elo entre a mente e o corpo.

ROBERT ADER, O SOFISTICADO SISTEMA IMUNOLÓGICO E A PSICONEUROIMUNOLOGIA

Robert Ader foi um psicólogo experimental e dedicava-se ao caráter psicossomático das doenças. Em suas experiências com ratos utilizava-se da ciclofosfamida juntamente com a sacarina para que se evitasse a náusea nos animais. Toda vez que os ratos tomavam a sacarina, pensavam tratar-se de ciclofosfamida e os efeitos desta se manifestavam, ocasionando a morte deles. Com esta descoberta, Ader constatou que o sistema imunológico era livre e soberano e tinha vínculo com a mente. Assim, o condicionamento das reações imunológicas sugeria a existência de “um mecanismo que talvez estivesse implicado na complexa patogenia das doenças psicossomáticas”.

Ader acreditava que a doença não se deve a um único fator fisiológico ou psicológico, mas é psicossomática e nasce de uma constelação de elementos e circunstâncias, tanto fisiológicas quanto psicológicas. Ader chegou a estas conclusões a partir de experiências efetuadas com ratos que levados a um confinamento, por exemplo, tinham condições de desenvolver lesões no estômago, porque estavam perturbados ou estressados devido a baixa atividade.

Ader corroborava a idéia de que nenhum fator apresenta um efeito intrínseco no desenvolvimento de doenças, mas é sempre articulado pela presença ou ausência de outros fatores. Ele descobriu que ratos bem tratados na infância estavam pouco sujeitos à lesões gástricas, ao passo que os que haviam recebido choques eram mais suscetíveis. Ao final da década de 60 e começo de 70, Ader concluiu que o sistema imunológico não era uma unidade inviolável, autoreguladora e autônoma dentro do corpo, mas um sistema que acatava os ditames da mente.

Nas experiências de condicionamento levadas a efeito por Ader e Nicholas Cohen, ambos constataram que os ratos condicionados e os não-condicionados pela ciclofosfamida e duas doses de líquido com sabor de sacarina tiveram os seguintes resultados: as reações imunológicas dos ratos condicionados eram mais fracas do que a dos ratos não-condicionados. Assim, os ratos “informaram” a seu sistema imunológico o que fazer e o sistema imunológico correspondeu. Mesmo utilizando a substância imunodepressor diferente (metotreaxate) associada a sacarina, os resultados foram os mesmos.

As experiências de Gorcynski e seus colegas mostrou que também era possível usar o condicionamento para despertar uma reação imunológica. Desta forma, o estudo de Gorcynski mostrou que o sistema imunológico não se limitava a mudanças numa só direção, e dependendo da mensagem, uma reação imunológica podia ser suprimida ou induzida.

Os estudos de George Solomon, Rudolf Moos e Alfred Amkraut contemplaram as conexões entre emoções, imunidade e doença. Ader examinou todos estes estudos com atenção e fez um apanhado das principais pesquisas que focalizavam os elos entre os sistemas imunológicos e nervoso central e sistemas imunes publicando o livro Psychoneuroimmunology (Psiconeuroimunologia) em 1981. Neste livro Ader expõe as investigações que revelam a capacidade do sistema nervoso central para afetar o sistema imunológico e a saúde do corpo, abrangendo questões como: o que torna as pessoas doentes, o que acontece dentro do corpo quando o sistema nervoso central envia uma mensagem ao sistema imunológico. Em 1987 Ader tornou-se editor-chefe de um novo jornal, o Brain, Behavior, and Immunity, “um eufemismo para todos os aspectos da interação entre processos comportamentais neuroanatômicos, neuroendócrinos, neuroquímicos e imunológicos.

Ader e Cohen criaram o placebo, uma substância sem capacidade inerente de alterar a saúde do organismo, mas que atua a partir da mente, que é um fenômeno da mente-corpo. Ader revelou que o sistema imunológico possui uma ligação integral com processos essenciais pelos quais o organismo seleciona experiências, dá-lhes forma e as incorpora às atividades do corpo. Ader concluiu que a mente pode controlar o corpo, mas não é a mente que, por iniciativa própria, faz o corpo se dobrar a seus desejos.






CANDACE PERT E O ENXAME DE NEUROPEPTÍDIOS

Poucos pesquisadores tem se dedicado ao estudo dos mecanismos fisiológicos que podem servir de elos entre a mente e o corpo. A bioquímica Candade Pert é uma exceção e o foco de seu trabalho são os neuropeptídios e os receptores aos quais, como qualquer outra substância química, devem se ligar para desempenhar sua função. Já foram identificados cerca de sessenta neuropeptídios que vêm do cerébro, são candidatos ao papel de mensageiros, concentram-se em áreas específicas do cérebro e do resto do corpo. Pert acredita que a mente se comunica com o corpo através dos neuropeptídios que tem a finalidade de organizar, integrar e priorizar a vida interna do corpo. Pert trabalhou num projeto abrindo uma nova porta para a compreensão dos opiatos, o que representou um importante passo para o controle médico do vício. Pert preparou uma porção de células cerebrais e um opiato com radiatividade, estabelecendo ligações visíveis na primeira porção que incluíam tanto ligações com receptores quanto outros tipos de ligação. Isto porém, não deu certo.

Pert fez nova tentativa com o experimento e estabeleceu uma diferença substancial entre o número de ligações das duas porções de células cerebrais. Ele usou diversos opiatos com o naloxone e obteve bons resultados. Em março de 1973 os documentos de Pert e Snyer sobre suas descobertas apareceram na revista Science. Em 1975 os pesquisadores Hans Kosterlitz e John Hughes proclamaram a descoberta da primeira substância semelhante ao opiato no cérebro e a partir de 1979, descobriram-se mais doze opióides, e coletivamente ficaram conhecidos como endorfinas, contração de “endógeno”, interno e “morfina”.

A descoberta das endorfinas revolucionou as pesquisas sobre mente-corpo. Ficou evidente que o cérebro, por si só, é capaz de fabricar substâncias químicas que podem causar mudanças no corpo em termos de “modulação” e “sentimento” – como o alívio de dores e da fadiga, além de uma sensação de energia.
As experiências de Pert no laboratório de Snyder continuaram e ambos encontraram o receptor de opiato, isolando os receptores de outras substâncias químicas naturais do cérebro. O estudo dos neurotransmissores constatou que eles tem papel fundamental para regular a fisiologia interna do corpo, como a noroadrenalina que pode contrair pequenos vasos sanguíneos, diminuir a freqüência cardíaca, aumentar o nível de pressão arterial e relaxar os músculos do intestino. Pert relatou também, que existia uma densidade surpreendentemente alta de receptores em uma região do cérebro, chamada de sistema límbico, que é um dos componentes menos conhecidos no cérebro, possui duas estruturas (a glândula pituitária e o hipotálamo) entre as quais regula e coordena, entre outras coisas, a atividade hormonal do corpo e as atividades do sistema nervoso autônomo. O sistema límbico está ligado à expressão e talvez até à criação das emoções. Para compreender o propósito dos receptores, a lógica de sua localização e da localização das estruturas reguladoras do corpo, Pert e seus colegas colocavam lado-a-lado os dados referentes a parte da fisiologia que lidavam com as emoções e a concentração de receptores para as mesmas substâncias na área da medula espinhal que permitia a entrada de toda informação sensorial.

Através do trabalho “Os Neuropeptídeos e Seus Receptores: Uma Rede Psicossomática”, Pert concluiu que os receptores e as substâncias que se ligavam a eles constituíam uma vasta rede unindo a mente ao corpo. Assim, ele encontrou receptores em áreas fora do cérebro e na medula espinhal, um número considerável de receptores no intestino, nos testículos e ovário, nos rins e um conjunto de receptores no monócito, célula imunológica que desempenha várias atividades de manutenção da saúde física. Pert concluiu que os neuropeptídios e seus receptores formvam uma rede que cobria o corpo inteiro. Ader e Pert estão convencidos de que o cérebro fala com o sistema imunológico. Os neuropeptídios também viajam pelo sangue e vão aonde têm que ir, para todos os receptores concomitantemente.

A integração mente-corpo segundo Pert revela que os neuropeptídios precipitam-se numa torrente em todas as direções, para energizar os receptores situados estrategicamente, permitindo que o corpo reorganize-se perfeitamente para enfrentar um desafio momentâneo. Por sua vez, a mente desse corpo age automaticamente, possui um repertório infinito das manipulações auto-reguladoras, embora tais manipulações não tenham nenhuma relação com os desejos explícitos do organismo em favor do qual são feitas.


Biografia:
Sou pesquisador científico há vários anos e possuo conhecimento sobre diversas áreas.
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