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Texto selecionado
| BONECO INFLÁVEL |
| Rutinaldo Miranda Batista Jùnior |
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Nem é tão antigo assim. Foi só de uns tempos pra cá. Eu comecei a prestar atenção nas conversas que tenho. Sinceramente, nunca dei tanta importância. As pessoas é que me procuravam. E eu apenas fingia escutar. No fundo, estava em outro planeta. No meu planetinha de sempre. Com os meus problemas. As minhas preocupações. Essas coisas que são tão minhas! Mergulhando até o pescoço no meu delicioso e imenso egoísmo.
Vou abrir o jogo. Sabe aqueles bonecos infláveis de posto de gasolina? Eu sou assim. Claro que um modelo mais sofisticado. De carne e osso. Muito mais osso do que carne. E sou muito bom nisso. Fingir que presto atenção em você. Não, eu não presto. Essa frase pode mesmo um ter duplo sentido. Eu não presto, não presto e não presto! Só penso em mim mesmo.
Pois bem, comecei a prestar atenção. A ouvir o que as outras pessoas tinham a dizer. E agora quero cortar os meus pulsos. Elas só falam delas mesmas. De suas vidinhas medíocres. Das suas opiniões tolas. Replicadas preguiçosamente de alguma celebridade vazia. E despejam uma enxurrada de besteiras em meus pobres ouvidos. E como elas reclamam de tudo meu Deus! Eu não tenho nenhuma culpa do preço do tomate. Mas sabe por que nunca se deram contam de que eu estava escutando? Porque também são iguaizinhas a mim.
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Biografia:
Alguém que,às vezes, gosta de escrever. |
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Publicações de número 1 até 3 de um total de 3.
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