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A MACACA SORAIA
A busca pelo amor
Ismael Monteiro

Resumo:
É uma estorieta de uma macaca que queria casar com um pavão.

A MACACA SORAIA

     É bem possível que nunca tenha havido uma macaca tão linda como Soraia. Ela possuía todos os dotes de uma verdadeira Miss: simpática, rosto sensual, cabelos ralos por todo o corpo, magra, fala macia, cabeça erguida. Quando andava, parecia uma dessas manequins famosas a desfilar.
     Tudo em sua vida era beleza. Era felicíssima. Não conhecera a tristeza, nem a amargura. Não era solitária, tinha vários amigos, ia sempre à praia. Fazia ginástica numa academia, enfim tudo que uma macaca que se preze quer fazer.
     Um dia, conheceu Anastácio, um pavão com uma plumagem toda colorida, parecia cinematográfico. Quando emplumava suas penas, parecia um leque multicolorido.
     A macaca, que adorava tudo que é colorido, ficou extasiada. – Aquele animal parecia um Deus vivo, pensou ela. Tão logo chegou perto, ela se apaixonou! Diante de toda aquela beleza, ela não teve resistência e se curvou diante do amor!
     Anastácio que a tudo percebera, não mostrou o menor interesse pela macaca. Pensou: aquilo era um bicho todo desengonçado, com pernas e braços longos e um rabo comprido todo disforme. Jamais se casaria com um animal daqueles, ele queria uma pavoa!
     Mas a macaca, não se permitiu a derrota. Queria o pavão a todo custo! E começou assim sua caminhada em nome do amor.
     O primeiro lance amoroso foi tentar descobrir os gostos do pavão. Fez uma pesquisa de campo, consultou todos os seus amigos e familiares. Até parecia uma Sherlocka Holmes.
     Veja, meu caro leitor, o que ela descobriu: Anastácio era um pavão tímido, de poucos amigos, tinha uma vida reservada, usava perfume barato, era bem quisto em casa, quase não saía.
     Aproveitando-se dessas intimidades, a macaca foi a luta. Tratou logo de arrumar um diálogo com o pavão. Olha só o que ela lhe falou:
- Sabia que você é muito bonito e não sabe aproveitar toda sua beleza? Sabia que você pode ser muito famoso? Você pode se casar e ser muito feliz?
Anastácio ficou todo motivado e lhe respondeu:
- Sei que sou bonito, posso ser famoso, me casarei e serei feliz. Mas, ainda não encontrei quem me complete, pois não procurei.
Diante disso, Soraia começou a lançar os seus primeiros lances amorosos:     
- Você já viu como sou bonita, ando nas alturas sobre toda a floresta. Sou feliz e quero me casar com alguém, não importa a raça, mas que seja como eu, feliz, alegre e espontânea.
O pavão, logo percebeu os lances e respondeu:
- Naturalmente, que quero casar, mas com alguém da minha raça!
Soraia, parece que desmoronou. Essa resposta soou como uma flechada fatal em seu coração. Que fazer? Pensava ela! Como conquistar o amor de Anastácio? Um turbilhão de idéias passavam pela sua cabeça!
A alternativa mais provável e que ela chegou a conclusão que poderia fazer, seria elaborar um plano de ação. Vejam só, o que ela tramou: ela ria se vestir de pavoa, para conquistar o bicho. Teria que espichar o seu pescoço e amarrar um bico em cima. Sua cabeça que era maior do que a do pavão, deveria ser achatada e ela passou por uma prensa de contabilista. Ficou meio gozado, mas já começava a adquirir uma nova forma, pensava. Afinal, tudo em nome do amor! Seu corpo que era mais magro do que o do pavão, ela colou várias penas em volta do corpo, e ficou mais ou menos parecido com o Anastácio. Quanto às pernas, ah, as pernas essa seria mais díficil, mas ela deu um jeito, tratou de afiná-las, foi a um salão de beleza e implantou algumas unhas. Mas e seu rabo? Este ela enrolou do corpo até seu pescoço, por baixo das penas coladas. Faltou uma coisa: o rabo do pavão. Para isso, ela mandou importar da China um leque, semelhante ao rabo do pavão e tratou de colar na sua traseira, e com as suas mãos que ficavam por baixo das penas, tratariam de abrir e fechar o falso rabo da pavoa.
E assim, estava pronta para tentar conquistar Anastácio. Ela parecia mais uma loira daquela de farmácia, meio falsa, mas sempre alegre e feliz. E assim, vemos a criatura: meio desengonçada, andar duvidoso, rindo muito.
     Anastácio, ao ver a estranha criatura ficou observando. Até que era bonita, pensava ele. Mesmo com seu andar esguio não parecia uma pavoa, parecia mais uma loira do avesso. Com toda a sua habitual delicadeza, o pavão logo se aproximou da pavoa-mentirosa dizendo:
- Como você é simpática, andas perdida por aí?
- Não, disse ela, justamente queria conhecer você, estou procurando um namorado.
E o papo rolou até altas horas. Na despedida, Anastácio quis levar a pavoa até sua casa, pois os lobos maus estavam sempre à espreita. Ao que ela aceitou.
No trajeto até a sua casa, em dado momento, a pavoa-mentirosa tropeçou e caiu, deixando rolar tudo o que estava colado.
- Meu Deus, pensou Anastácio, o que será aquilo? Soraia havia lhe enganado.
A cena era grotesta. Vejam só: Soraia parecia mais um resto de trombada de automóveis, tudo havia se debulhado.
Está certo que Anastácio tinha visto alguns filmes de zumbis na noite anterior, mas tudo aquilo era horrível, pensara. Saiu correndo e gritando: - Socorro, quase que namorei um alienígina! Um zumbi está solto aqui! O filme de terror que vi tornou-se realidade! Quero minha mãe! Corra papai, um monstro quer me pegar!
Aqui fica a lição: podemos fazer tudo pelo amor, mas não enganar os outros!


Biografia:
Sou pesquisador científico há vários anos e possuo conhecimento sobre diversas áreas.
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