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De meu, só o silêncio que me devora,
por dentro e por fora;
a voz que de mim sai e se arvora
pertence ao tempo que em mim vive e mora...
De meu, como um cálice de ternura,
só esta angústia de cor púrpura,
a límpida correnteza de água pura
que me lava e leva até as alturas...
De meu, só o nada que em tudo se muta,
o pão que como, do que me cubro, a juta,
o rústico papel em que ponho a astuta
poesia que, por não ser minha, me procura...
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