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“4 Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.
5 Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
6 Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
7 Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.
8 Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
9 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
10 Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.” (João 14.4-11)
As declarações feitas por Jesus nos versos 1 a 3, seguidas da afirmação feita no verso 4 de que os discípulos sabiam para onde Ele iria e que conheciam o caminho para lá, deram ocasião a que dois dos seus discípulos lhe abordassem com indagações e dúvidas.
O primeiro foi Tomé que afirmou não conhecer nem sequer o lugar para onde Ele ia, e muito menos poderia conhecer o caminho, numa contradição direta ao que Jesus havia afirmado de que eles conheciam tanto o lugar quanto o caminho.
Como eles estavam sonhando com um reino terreno a ser estabelecido pelo Senhor, não seria de se estranhar que não soubessem para onde Ele iria.
Apesar de lhes ter falado várias vezes sobre o céu, e o reino comum que teriam com Ele na presença do Pai, estavam endurecidos e não podiam entender as realidades espirituais que podem ser discernidas somente espiritualmente.
Não se trata de se ter uma idéia sobre o céu, mas de experimentar as realidades celestiais em espírito.
A proposta de Deus para a Igreja através de Cristo é vida eterna, e esta vida está no próprio Cristo, e é somente por se estar nEle que podemos ser achados no caminho para o céu, porque Ele próprio é também o caminho, e não há nenhuma incerteza quanto a isto, porque tudo o que Ele diz e promete é verdadeiro, porque Ele próprio é também a verdade.
Todas estas coisas são testificadas pelo Espírito Santo que habita nos cristãos.
É somente por meio da testificação do Espírito Santo que podemos discernir estas realidades celestiais, como também ter a plena certeza da esperança da participação delas, pelo antegozo do céu, que o Espírito nos propicia ainda neste mundo.
Por isso Jesus disse a Tomé, apesar dele tê-Lo contraditado, que Ele é o caminho, e a verdade e a vida.
A afirmação de Jesus está cheia de significado, porque sendo o caminho, Ele é o princípio; sendo a verdade, Ele é o meio; e sendo a vida, Ele é o fim.
Em outras palavras: só podemos estar caminhando na direção do céu se nos unirmos a Ele, e esta união tem o seu meio e o modo, a saber, estarmos na verdade, assim como Ele é a verdade, e finalmente, o objetivo desta união com Cristo e deste viver na verdade atinge a sua meta que é a vida eterna com Deus.
Somente a doutrina de Cristo é a única verdadeira em relação ao significado da nossa vida e do seu destino eterno.
Somente o Seu ensino sobre o modo de se agradar a Deus e do modo de ser livrado da condenação eterna é verdadeiro.
Por isso todo ensino que não se conforma à doutrina de Cristo, é erro, engano, falsidade e desviará a qualquer que se deixe guiar por tais doutrinas à perdição eterna, ou então fará que tal pessoa caminhe longe do caminho do céu.
Sendo o próprio Cristo o caminho, e a verdade e a vida, é a presença dEle em nós que faz toda a diferença.
Não importa tanto, o que eu creia, porque se Cristo não permanece em mim e eu nEle, terei errado o alvo proposto por Deus para mim.
É a própria participação da Sua vida que nos santifica, e isto é verdadeiro nas palavras proferidas pelo apóstolo Paulo de que não vivia mais ele, mas Cristo era a sua vida.
Daí a necessidade da autonegação determinada por Jesus a todos os que desejarem ser verdadeiramente seus discípulos.
Eles terão que abandonar o governo de suas vidas para que Cristo assuma o comando.
Onde e em quem isto não estiver ocorrendo, terá sido perdido o caminho, e se entrado por um atalho de perdição. Por isso precisamos aprender a verdade como está em Jesus (II Cor 1.20).
Por isso Jesus disse que ninguém pode ir ao Pai senão por Ele.
É somente Ele, pelo Seu sacrifício, que pode nos aproximar do trono da graça, ao qual nos é ordenado que nos aproximemos continuamente.
Afinal, fomos criados para estar permanentemente na presença de Deus.
Quando Caim saiu da presença de Deus, saiu para a morte espiritual eterna, e para viver no pecado.
Afastar-se do Caminho que é Cristo, sem estar nEle em todo o tempo, sem permanecer nEle, conforme é da vontade do Pai, significa morte espiritual e viver no pecado.
Por isso nos é ordenado na Palavra que nos aproximemos do Santo dos Santos, onde está o trono da graça, com um coração puro e sincero, mas não por outro, mas pelo único e vivo caminho que Jesus abriu para nós pela Sua própria carne (Hb 10.19-22).
Não há outro Mediador entre Deus e os homens, e nem mesmo poderia haver, por tudo que se exige do Mediador, quanto ao trabalho de unir a parte ofendida (Deus) à parte ofensora (o pecador), de maneira que a parte ofendida pudesse ficar plenamente satisfeita, pelo trabalho tanto de expiação da culpa quanto da transformação dos ofensores na essência mesma da natureza deles, de maneira que não sejam mais achados como transgressores da lei e da vontade de Deus.
Jesus fala do Pai como o fim tanto da nossa vida quanto do Seu trabalho (v. 7).
Todo nosso relacionamento com Ele tem por fim último a glória do Pai, e o Seu inteiro agrado.
Ele afirmou que caso os discípulos Lhe tivessem conhecido corretamente, e a Sua missão, eles também teriam conhecido ao Pai, porque afinal, tudo o que Ele fez não foi por sua própria e exclusiva conta, mas para cumprir o mandado do Pai de dar vida eterna aos que nEle cressem.
Assim a Sua doutrina que lhes havia ensinado não era propriamente dEle, mas do Pai que Lhe havia enviado ao mundo para salvar os pecadores.
Por isso podia afirmar que os discípulos desde que estiveram com Ele, tiveram a oportunidade de conhecer o Pai, porque quem via a Ele, Jesus, via o Pai.
Filipe esteve tanto tempo com Jesus e não havia feito grande progresso no conhecimento adequado que deveria ter feito dEle.
Não que Jesus não soubesse da dificuldade deles para conhecê-lo, e não somente Filipe, mas a repreensão passada em Filipe serve para nos advertir que é possível ser cristão, ter a habitação do Espírito, e fazer muito pouco progresso na fé, no conhecimento de Jesus pelo crescimento na graça.
É preciso diligência, aplicação nos deveres ordenados na Palavra, meditação na Palavra de Deus, de maneira que possamos ter uma compreensão cada vez maior das realidades celestiais, espirituais e divinas.
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