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Que Ideia!
Lúcia Edwiges Narbot Ermetice

Resumo:
reflexões sobre a retirada do trema


Se eu fosse colunista de jornal, hoje me veria em palpos de aranha, como se dizia antigamente. Porque simplesmente não tenho nenhuma ideia sobre o que escrever.
Aliás, acho que ter ideias ficou ainda mais difícil depois que a palavra perdeu o acento.
Esta estória de reforma ortográfica me deu o que pensar. O que fazer de tudo aquilo que aprendemos e que agora está errado? Quem nos devolve as horas gastas a aprender coisas que se tornaram inúteis, um estorvo mesmo?
Lá pelo fim dos anos 50, um velho professor de Português insistia muito nas regras de acentuação. Com tanta insistência, acabamos aprendendo direitinho. Para quê? Pobre professor, que tanto se esforçou para meter em nossas rebeldes cabecinhas de adolescentes as tais complicadas regras. E pobres de nós, que poderíamos ter melhor aproveitado nosso tempo, sem ocupar nossos jovens cérebros com coisas que, no futuro, haveriam de se tornar inutilidades!
Já há muito tempo que o cafezinho perdeu o acento grave. Tudo bem, não era absolutamente necessário, mas era até bonitinho, charmoso mesmo. Depois outros acentos caíram. E agora mais outros. Aonde vamos parar?
Para piorar a situação, meu computador ainda não foi devidamente informado sobre as mudanças ortográficas. Insiste, tranquilo, em colocar trema com frequência. E quando eu tiro tremas e acentos já agora indevidos, ele sublinha em vermelho tais palavras. E eu, que ainda não assimilei completamente a reforma ortográfica, fico ali cheia de dúvidas, achando-me quase analfabeta!
Sei que mudanças são não só necessárias, como inevitáveis. Não é este o ponto. É que tenho cá minhas dúvidas que se possa unificar realmente o Português falado em Portugal e o falado no Brasil.
Aliás, caberia perguntar ao povo português, verdadeiro dono da língua, se está de acordo com tais reformas. Nós, brasileiros, que usamos a língua portuguesa por empréstimo, não temos o direito de dizer aos verdadeiros proprietários como utilizá-la.
Além do mais uma língua é mais que um conjunto de vocábulos e regras gramaticais. Ela reflete desde o clima do país a vivências, usos e costumes de seu povo, e como tal se modifica ao longo do tempo, acompanhando as modificações do povo que a usa. O Latim originou vários idiomas, entre eles o Português, hoje bastante diferentes entre si.
Com reforma ou sem reforma, daqui a alguns anos novamente estarão diferentes o Português que se fala em Portugal daquele que se fala no Brasil. Talvez, daqui a alguns séculos, nossa língua não seja mais o Português, mas o Brasilês!
Não quero brigar com ninguém, nem ser tachada de retrógrada ou reacionária, mas tenho uma reclamação muito pessoal a fazer. Para mim, ideia sem acento parece que fica menos brilhante, menos inteligente, menos “intelectual” talvez. Acho que ninguém pode ter uma ideia que seja genial, se ela for escrita sem acento!
Senhores reformadores, será que não dá para deixar um acentozinho só, uma única exceção que confirme a regra? Será mesmo que não mais poderei escrever idéia, com acento?
E não é que a queda do acento me deu a ideia, (sem acento), que faltava para escrever?


Biografia:
Médica, nascida em 11/12/1944, poeta nas horas vagas, quando a inspiração permitir.
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