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PENSANTE.
Sob as quadras cranianas, acima do pescoço
E do couro da cabeça, vive a célula exótica,
Lado a lado, parecendo-se com ovos,
Das gemas semelhantes, e nas claras, que são brancas,
Alongam-se espinhos, de pontas ramificadas
Entretanto, vez em quando, tais negócios dialogam
(prazer que, convenhamos; é de todos)
E após algumas horas, pelas bandas da hipófise,
Riem-se admiradas apercebias que a prosa
Cuidava da mesma coisa, sobre o que se conversavam,
Ou seja, as partes ignoradas, da casa de que são hóspedes
E nessa qualidade, apartem-se linfáticas, debatendo num fórum
E antecedem conhecê-las, ou quem sabe lhes sabê-las
Para o que, incontinenti, tomam suas precauções
Ajuntando a expedição, e ordenando sua missão
Para aquelas que se vão, explorarem o recôndito
E se vão subjacentes às hemácias, seguindo as correntes
Até um ponto embaraçoso, que a teia anterior, se confunde com a seguinte
Confundindo as caminhantes, com artérias transversais e veias paralelas
E exaustas, aportam-se no tórax,
Onde ouvem curiosas, certos sons aconchegantes
De tambores africanos, misturados ao de flautas
Que às vezes se aceleram, noutras tantas vai parando
Era o ritmo cardíaco, advindo de um músculo
No cimo esquerdo do peito, donde vinha a percussão
E com pinta de artista, tocava a vida no sopro
Provocado pela brisa, assoprada de umas válvulas
Como a longa tricúspide amparada na carótida,
Reverberando-se acústico, com os ecos nas costelas.
Preenchidas por pulmões, e os ares que se vão
Encantando a todas elas
Os alvéolos fanfarrões
Que repetem serelepes
O verbo no refrão
Do plural admirável
- ADORAMOS!
Chacoalhando, alucinantes, a demência dos tecidos
Contraídos ao extremo, entornando seus hormônios
Que relembra umidamente, a incumbência científica
E saindo da amnésia, regressam-se às bases
Não sem lágrimas nos núcleos, das células nostálgicas
Voam como libélulas ao encontro de outros grupos
A quem dão as contas de tudo, da festa e do rejubilo,
Da adrenalina e os encantos, que despertam a inveja, das tantas ociosas, que ficaram na cabeça, e dos contos, agora cônscias,
Despertam-se cobiçosas, bem por isso num concílio,
Elevam-se energéticas, em face das boas novas, oriundas do exílio,
Decretando-se intrépidas, na transmissão de umas regras
Para um decreto estrondoso, para outras preguiçosas,
Alçarem-se das redes, onde jazem pachorrentas.
E cumprirem as tarefas, do processo inescrutável
No ofício de ourives, burilarem suas pratas, prepararem sua obra
Nas celas estelares, onde agora são obreiras, tateando o seu quartzo,
Na freqüência dos seus choques, que expulsam das fábricas,
Os produtos das comportas, nos impulsos dessa hora,
Colando logo o rótulo:
PENSAMENTOS.
E o modelam como barco, na amálgama da mente,
E não sendo de cimento, tem a cor de sua nata
Levemente acinzentada, mas, contudo, diverso,
Sobre mares que navegam, nas marés de outras praias.
Do saber maravilhoso a bucólicas palmeiras
Evocadas, ao mesmo tempo, dos sonhos que se ascendem
Espiralando-se no eflúvio, da sonata que recordam
Como os cânticos do tronco, que cantam para o rebento,
Com estribilho constante:
CONTINUAREMOS NOS AGUARDEM!
Elas, umas células nervosas, de pétalas alterosas
Mães dos pensamentos, que amamentam o intelecto
(e diferem das amebas, tão estéreis e apáticas)
Por inúmeros aspectos, histéricos e férteis
E a inteligência que amadurece, arremessada dos seus corpos
Latejante e intermitente, até fragmentar-se
Num pó pungente das idéias
Que se expele pela tromba, convertida em linguagem
Subsumindo-se nela, e esta, naquele
Num ciclo inesgotável,
Em que ambas são erguidas
Nessa estranha simbiose
Ah quero neurônios das aves
Ai quem sabe, sendo leves
Dias sejam diferentes
Pela ausência desse peso
Flutuando suas mágoas
(A do açougueiro, e o boi)
Do operário engraçado, e seu salário sem graça,
A eles: cheques repletos de rosas!
E para a pele debutante
Vestes bordadas com astros
E noites impagáveis
Com mantos de pirilampos
E às horas platônicas
O dispensário de placas
Com ostras cheias de pérolas
Por último, um aviso
Platão era filósofo, Filosofava o exame
Do objeto filosofável, para tradução filosófica.
(Melhores floristas, cujos sentidos deliram!)
Aos sedimentos restantes, nos depósitos pensantes, da espécie sentimento, um sol brilhante de metáfora, e braços que brilham, onde antes iam ondas, no abraço de quem ama, a parte de quem pensa.
É só então se revele
No cerne desta fôrma
O creme mole do molusco
E a polpa doce de uma fruta
Nas perfeitas estações.
Feitas de suspiros macios
Com açúcar da cana,
Que destila docemente.
Coisas inteligentes.
Na realeza de quem pensa
Com a nobreza encefálica,
Para os banquetes do cérebro
Da parte alta e traseira
Mantendo firmes amiúde
A lanterna alvissareira
Que clareia essas partes,
Com a luz do raciocínio.
DIGAMOS PORQUANTO PENSAMOS.
PENSEMOS, PARA DIZÊ-LO.
Desfazendo enormes castelos,
E as masmorras, atrás dos muros
Dos elos e das correntes
Ao escuro do que não pensa
Onde vozes não alcançam.
CHEGA! FALEMOS!
GIUSEPPE D´ETTORRES.
Cachoeiro (ES), 23 de junho de 2010.
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