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Nocaute no Theatro Capitólio
Um caso de Box no interior
Paulo Azze

Resumo:
De como uma luta de Box afetou a rotina de uma cidade do interior e suas consequências, e mais outro caso para completar...

Certa vez, ai pelos fins de 1950, apareceu aqui em nossa cidade, Varginha – MG, um lutador de Box da capital paulistana (já sei que havia pensado no E.T, nosso garoto propaganda, mas ele foi bem depois) apregoando suas qualidades e propondo-se a enfrentar o melhor oponente local, certamente por um substancial cache... Isto não pude apurar, apenas supor...
      Arranjou-se uma luta com o Cigano, nosso melhor representante neste esporte e que poderia bem enfrentar tão famoso oponente, sem fazer feio, abrilhantando o evento.
      A cidade ficou em polvorosa. Podia não ter sido a luta do século, mas para nós, interioranos sem muitas opções, sem dúvida foi o acontecimento do ano. Simplesmente imperdível!!! É bom lembrar, naquele tempo nem TV havia, só rádio... Novela era o Gerônimo o Herói do Sertão, além do Anjo.
      Deu até varias vezes no jornal diário do meio dia “Varginha em Foco” da nossa Radio Clube de Varginha ZYB-2, única à época, de grande audiência, até em São Paulo, podem acreditar, certamente os mineiros desgarrados, na pauliceia.
      Para tão auspicioso evento, escolheu-se o Cine Theatro Capitólio, com ‘th’ como é até hoje, único espaço disponível na época, de estilo eclético (se quiser saber, consulte o Google, por sinal não muito claro) com construção de 1927, mas totalmente inadequado ao evento; mais apropriado a cinema, outras artes, convenções e formaturas.
      Assim, adaptou-se o mesmo, recolhendo a tela de projeção, armou-se um ringue improvisado no centro do palco, a plateia ficando somente com a visão frontal da luta, como se fosse um filme em 3D!
      Enfim, o grande dia finalmente chegou, a plateia estava lotada e os camarotes laterais (chamadas na época de frisas) apinhados, afinal era o grande show de se ver!
      Estava lá eu acompanhando o Ari, nosso vizinho e um verdadeiro entusiasta de Box que até treinava num ringue que havia no centro da cidade. Ali, num destes treinamentos, devidamente de luva, servi de sparing e ele sem querer, me pós a nocaute. Vou lhe dizer, não senti absolutamente nada, apenas as pernas amoleceram e fui ao chão, sem maiores consequências. Assim, caros leitores, podem se candidatar a sparing sem se preocupar com o no pain no gain (certo, anglicanismo, mas quem não).
      Pois bem, voltando ao embate, depois das lutas preliminares para esquentar a plateia, chegou o grande momento da noite; a luta tão esperada.
      Dando início a peleja, veio a grande decepção; nem bem passou-se metade do primeiro round e o Cigano desferiu um bem colocado soco e o grande lutador visitante foi a lona... improvisada como dito acima, melhor seria no chão duro coberto de lona!
      O juiz iniciou a contagem e espantosamente... continuou até o fim. O dito cujo não se levantou, terminando-se inesperadamente a luta por nocaute.
      A calorosa ovação inicial transformou-se em indignação e daí para começar as vaias e apupos, intermeados de gritos de “marmelada”, foi um pulo.
      Pior ainda, o vencido resolveu levantar e tentar explicar à plateia, numa boa, que tinha sido mesmo nocauteado. E como, se ele estava ali sarado, de cara limpa?
      Pensando bem, acima me referi ao meu nocaute, pelo jeito se confirmou, se nada senti, ele também não.... Só que a plateia não estava sabendo, só escrevi agora...
      Não deu outra, o tempo fechou e o nosso impetuoso visitante só pode deixar o Theatro e a cidade, devidamente escoltado pela guarnição policial, quiçá no camburão, lugar mais apropriado. Certamente feliz com o bolso recheado, sem grandes hematomas a lamentar e certamente em direção a outro rendoso mambembe embate.
      Não me pergunte a data correta de tal fato, depois de uma certa idade, até se esquece da idade, quanto mais uma data determinada... Porem, como felizmente ainda não se manifestou o Alzheimer, posso apenas adiantar que foi ai pelos finalmentes (obrigado Mussum) dos anos 50... Quem sabe algum leitor conterrâneo ai, se lembre e informe... Isto se tiver um!
      Aliás, tempos após, já na era do majestoso Cine Rio Branco (este, para maiores detalhes veja o site que elaborei em http://cineriobranco.125mb.com/ modéstia a parte), mas também, não muito recente, deu-se outro fato policialesco digno de mencionar, o primeiro cabeludo, masculino né, por aqui apareceu. Melhor dizendo, Cabelos Longos (parece, mas não é nome de índio de faroeste não, que nem Touro Sentado).
      À época era acintoso tal aparência, ainda mais no interior de Minas... Não deu outra, na saída da tradicional sessão das seis do domingo, sempre lotada, justo no estreito beco Monsenhor Leônidas ( travessa ao lado do cinema), o pessoal encantoou o dito cujo que ficou sem espaço para se safar e, se não fosse a pronta intervenção policial, certamente seria linchado. Devidamente escoltado, não se teve mais notícias do dito cabeludo... felizmente, entre mortos e feridos, salvaram-se todos ou melhor ele. Pois é Roberto Carlos, se um outro cabeludo aparecesse, sei não... Questão de Detalhes Roberto e a culpa não seria sua, ou seria?
      Esta crônica, se é que assim pode ser classificada, no que se refere ao Box, lógico, poderia se intitular “O Boxeador Mambembe” por um autor Mambembe justificadamente, mas perderia o impacto do fator surpresa... Quem poderia prever o fim? Nem o autor pode na época.


Biografia:
Somente um mineiro da engenharia aposentado, despendendo algum tempo tentando escrever alguma coisa, mesmo sem um estilo definido e muito menos qualquer pretensão. proseio@outlook.com
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