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A Terna Misericórdia de Deus
Charles H. Spurgeon

Resumo:
Exposição do tema a partir do seguinte texto bíblico: “Graças à terna misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas.” (Lucas 1:78).




Sermão nº 3029

Por Charles H. Spurgeon (1834-1892)

Traduzido, Adaptado e
Editado por Silvio Dutra




Out/2019



“Graças à terna misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas.” (Lucas 1:78).
Foi uma prova de grande ternura, da parte de Deus, pensar em sua pecaminosa criatura, o homem. Quando o criado se colocara voluntariamente em oposição ao seu Criador, esse Criador poderia destruí-lo imediatamente ou tê-lo deixado entregue a si mesmo - para resolver sua própria destruição. Foi a ternura divina que olhou para uma criatura tão insignificante, impudentemente engajada numa revolta tão grosseira! Também foi infinita ternura que tinha, muito antes disso, considerando o homem com tanto cuidado quanto, praticamente, para formular um plano pelo qual os caídos poderiam ser restaurados.
Foi uma maravilha de misericórdia que a Sabedoria Infalível se unisse com poder onipotente para preparar um método pelo qual o homem rebelde pudesse ser reconciliado com seu Criador. Foi o mais alto grau possível de ternura que Deus deveria entregar Seu próprio Filho, Seu Filho Unigênito, para que Ele pudesse sangrar e morrer a fim de realizar a grande obra de nossa redenção. É também indescritível ternura que Deus, além do dom de Seu Filho, tenha pena de nossa fraqueza e iniquidade, a ponto de enviar o Espírito Santo para nos levar a aceitar esse “dom indescritível”. É a ternura divina que tem com a nossa obstinação em rejeitar a Cristo - a ternura divina que nos impõe uma inculpação e convite incessantes - tudo para nos induzir a sermos misericordiosos para com nós mesmos, aceitando o dom incomensurável que a terna misericórdia de Deus nos apresenta tão livremente.
Foi maravilhosa ternura da parte de Deus que quando Ele pensou em salvar o homem, Ele não se contentou em levantá-lo até o lugar que ele havia ocupado antes que ele caísse, mas ele deve elevá-lo muito mais do que antes, porque antes da Queda, não havia homem que pudesse realmente chamar a si mesmo de igual ao Eterno - mas agora, na pessoa de Cristo Jesus, a humanidade está unida à Deidade! E de todas as criaturas que Deus criou, o homem é o único que Ele levou em união consigo mesmo e colocou sobre todas as obras de Suas mãos. Havia infinita ternura nos primeiros pensamentos de amor de Deus para conosco e tem estado a ternura divina conosco até agora! E essa mesma ternura levará nossas almas ao céu, onde diremos com Davi: “A tua bondade me engrandeceu”.
Vou falar da ternura da misericórdia de Deus para com os pecadores, na esperança de que, talvez, alguns de vocês que ainda não amaram nosso Deus, possam ver quão grande tem sido o amor dele para com vocês e assim possam se enamorar dele - e confiar em Seu querido Filho, Jesus Cristo - e assim serem salvos!
I. E, primeiro, tentarei mostrar-lhe que na misericórdia de Deus EXISTE GRANDE TERNURA EM SUAS GRANDES PROVISÕES. Há um soldado ferido sangrando sua vida no campo de batalha e aqui vem um amigo, misericordioso e terno, que lhe trouxe um refrigério que ajudará a trazê-lo de volta à consciência e abrir novamente seus olhos semivendados. Ele está coberto com um suor úmido, mas há água fria para limpar sua testa febril. Suas feridas estão escancaradas e sua própria vida está escorrendo dele, mas seu amigo trouxe a pomada e ataduras para amarrar cada ferida. Isso é tudo o que ele forneceu para o guerreiro ferido? Não, pois há uma maca, carregada por homens que escolhem seus passos com cuidado, para que eles não abalem o pobre inválido. Onde eles vão carregá-lo? O hospital está preparado. A cama - tão macia, adequada para suportar tanta fraqueza e dor - está esperando por ele, e a enfermeira está pronta para prestar o serviço que for necessário. O homem logo dorme o sono que traz consigo a restauração - e quando ele abre os olhos, o que ele vê? Apenas a comida que é adequada às suas circunstâncias e necessidades! Um grupo de flores também é colocado perto dele, para alegrá-lo e animá-lo com sua beleza e fragrância. E um amigo vem pisando suavemente e pergunta se ele tem uma esposa, ou uma mãe, ou algum amigo para quem uma carta pode ser escrita para ele. Antes que ele pense em qualquer coisa que precise, está ao lado dele e, quase antes de poder expressar um desejo, é provido! Este é um exemplo da ternura da simpatia humana, mas infinitamente maior é a ternura de Deus para com os pecadores culpados! Ele pensou em tudo o que um pecador pode possivelmente precisar e forneceu em abundância tudo o que a alma culpada pode requerer para trazê-la a salvo para o próprio céu! Para cada caso individual, Deus, no pacto de Sua graça, parece ter preparado alguma coisa boa separada. Para os grandes pecadores, cujas iniquidades são muitas e grosseiras, há palavras graciosas como estas: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlate, serão como a neve branca; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, eles serão como a alva lã.” Se o homem não caiu em profundezas de pecado aberto, o Senhor lhe diz, como o terno coração do Salvador disse àquele que estava naquela condição, “Uma coisa lhe falta” - e aquela coisa que a graça de Deus está preparada para suprir! Há tanto na Palavra de Deus para encorajar a moral a vir a Cristo como há de cortejar o imoral a abandonar seus pecados e aceitar “a terna misericórdia de nosso Deus”. Se houver crianças ou jovens que desejem encontrar o Senhor, há uma promessa especial para eles: “Aqueles que cedo me buscam me acharão.” Sim, até mesmo para os pequeninos há palavras tão ternas como estas: “Deixem que as criancinhas venham a mim e não as proíbam, porque delas é o reino de Deus.” Então, se o pecador é um homem idoso, ele é lembrado de que alguns foram levados a trabalhar na vinha, mesmo na 11ª hora! E se ele está realmente morrendo, há encorajamento para ele na narrativa do ladrão na cruz que confiou no Salvador moribundo e que, quando ele fechou os olhos na terra, os abriu com Cristo no paraíso! Então, novamente, digo que no pacto de Sua graça, Deus parece encontrar o caso peculiar de todo pecador que realmente deseja ser salvo. Se você está muito triste e deprimido, desanimado e quase desistindo, existem declarações e promessas divinas que são exatamente adequadas ao seu caso! Aqui estão algumas delas - “Ele cura os quebrantados de coração e ata suas feridas”. “O Senhor sente prazer naqueles que O temem, naqueles que esperam em Sua misericórdia.” “Um caniço ferido não quebrará. e o pavio fumegante não apagará”. Tudo parece ser feito com o propósito de que, seja qual for a condição em que um homem tenha caído pela grave enfermidade do pecado, Deus pode vir a ele, não grosseiramente, mas com muita ternura, e dar a ele exatamente o que ele mais precisa! Eu me regozijo em poder dizer que tudo que um pecador pode precisar entre aqui e o céu é provido no evangelho de Cristo - tudo pelo perdão, tudo pela nova natureza, tudo pela preservação, tudo pelo aperfeiçoamento e tudo pela glorificação é valorizado em Cristo Jesus, em quem agradou ao Pai que toda a plenitude habitasse! Vamos, então, antes de irmos adiante, abençoar aquela terna consideração de Deus que, prevendo a grandeza de nossos pecados e nossas tristezas, nossas necessidades e nossas fraquezas, proveu para nossas vastas necessidades um armazenamento ilimitado de graça e misericórdia!
II. Mas, em segundo lugar, a ternura de Deus é vista NOS MÉTODOS PELOS QUAIS ELE TRAZ OS PECADORES A SI MESMO. O antigo sistema de cirurgia pode ter sido útil em seu tempo, mas certamente não era muito sensível. A bordo de um homem-de-guerra após a ação, que métodos brutos foram adotados por aqueles que estavam tentando salvar a vida dos feridos! Alguns dos remédios que lemos nos livros dos antigos médicos devem ter sido muito mais horríveis do que as doenças que pretendiam curar, e não duvido que muitos dos pacientes tenham morrido com o uso desses remédios brutos. Mas o método de Deus de mostrar misericórdia ao homem é sempre divinamente terno. É sempre poderoso mas, enquanto masculino em sua força, é feminino em sua ternura. Veja agora, meu querido ouvinte, Deus enviou o evangelho para você, mas como Ele o enviou? Ele poderia ter enviado a você por um anjo - um serafim brilhante poderia ter estado aqui para lhe dizer, em frases flamejantes, a misericórdia de Deus. Mas você ficaria alarmado se pudesse vê-lo e fugir da presença dele! Você estaria completamente fora de ordem para a recepção da mensagem angélica. Em vez de mandar um anjo até você, o Senhor enviou o evangelho a você por um homem que tem paixões iguais às sua - alguém que pode simpatizar com você em sua desobediência e que, carinhosamente, tentará entregar sua mensagem a você de uma forma que melhor irá satisfazer sua fraqueza. Alguns de vocês ouviram o evangelho pela primeira vez a partir dos lábios da sua querida mãe - quem mais poderia contar a doce história tão bem quanto ela? Ou você escutou isso de uma amiga cujos olhos lacrimosos provaram o quão intensamente ela amava sua alma. Seja grato que Deus não trovejou o evangelho do Sinai com o som da trombeta, crescendo alto e longamente, lembrando-o da terrível explosão do último dia tremendo, mas que a bendita mensagem da salvação, “Acredite e viva”, chega a você na língua de um semelhante em tons de derretimento que imploram por sua recepção! Veja também a ternura da misericórdia de Deus em outro aspecto, em que o evangelho não é enviado a você em uma língua desconhecida. Você não precisa ir à escola para aprender a língua grega, hebraica ou latina, a fim de ler sobre o caminho da salvação. Ele é enviado para você em sua língua materna. Eu posso honestamente dizer que nunca busquei as belezas da eloquência e os refinamentos da retórica, mas se houve uma palavra, mais rude e pronta que outra, que achei que favoreceria meu propósito de esclarecer a mensagem do evangelho. Sempre escolhi essa palavra. Embora eu pudesse ter falado de outra maneira se eu tivesse escolhido fazê-lo, achei certo e melhor, como fez o apóstolo Paulo, “usar grande clareza de linguagem”, que nenhum dos meus ouvintes poderia dizer com verdade. “Eu não pude entender o plano de salvação como foi estabelecido pelo meu ministro.” Bem, então, desde que você ouviu o evangelho tão claramente pregado que você não tem necessidade de um dicionário para entendê-lo, veja neste de fato, a terna misericórdia de Deus e Seu desejo de ganhar a sua alma para Si mesmo! Lembre-se, também, de que o evangelho chega aos homens não apenas pela forma mais adequada de ministério, e no estilo mais simples de linguagem, mas também para os homens como eles são. Qualquer que seja sua condição, o evangelho é adequado para você. Se você viveu uma vida de vício, o evangelho chega até você e diz: “Arrependam-se, portanto, e se convertam, para que seus pecados sejam apagados”. Você pode, por outro lado, ter vivido uma vida de justiça própria. Se assim for, o evangelho pede que você deixe de lado essa justiça sem valor, que é como trapos imundos, e pede que você coloque o manto imaculado da justiça de Cristo! Você pode ser muito sensível, ou você pode ser o contrário. Suas lágrimas podem fluir prontamente, ou você pode ser duro como a pedra de moinho, mas, em qualquer caso, o evangelho de Deus é exatamente adequado para você! Sim, bendito seja o nome do Senhor, se um pecador está nos portões do inferno, o evangelho é adaptado à sua condição desesperada e pode levantá-lo até mesmo das profundezas do desespero! Uma outra coisa que eu quero que você perceba particularmente, e é que a misericórdia de Deus é tão suave porque vem até você agora. Se você é capaz de aliviar um pobre paciente de uma só vez, e ainda assim mantê-lo esperando, seu tratamento é tão cruel quanto tardio. Mas o evangelho de Deus diz: “Eis que agora é o tempo aceitável; eis que agora é o dia da salvação!” Se algum pecador fica fora da porta da misericórdia por meia hora, ele deve colocar a culpa por sua exclusão em seu próprio relato, pois, se ele apenas obedecesse à mensagem do evangelho e confiasse na obra terminada de Cristo, a porta seria aberta imediatamente! Atrasos como este não são os atrasos de Deus, mas os nossos! E se nós adiarmos nossa aceitação da Sua misericórdia, nós seremos achados culpados!
III. Agora devo passar adiante para notar, em terceiro lugar, A PROPOSTA DA MISERICÓRDIA DE DEUS NOS REQUISITOS DO EVANGELHO. O que o evangelho pede de nós? Certamente não pede nada de nós, senão o que isso nos dá. Nunca pede a qualquer homem uma quantia em dinheiro para que ele possa resgatar sua alma com ouro. Os mais pobres são tão calorosamente recebidos por Cristo como os mais ricos! E o mendigo que poderia contar todo o seu dinheiro em seus dedos é tão bem recebido quanto o milionário que tem seus estoques e suas ações, suas terras e seus navios! Os pobres são propensos a vir a Jesus "sem dinheiro e sem preço". Nem o Senhor pede de nós penitências e punições severas para nos tornar aceitáveis para ele. Ele não exige que você coloque seu corpo para ser torturado, ou para passar por uma longa série de mortificações externas e visíveis da carne. Você pode confiar em Cristo enquanto está sentado em seu banco - e, se fizer isso, será imediatamente perdoado e aceito! Nenhuma grande profundidade de aprendizagem é solicitada como condição de salvação. Para ser cristão, não é preciso ser filósofo. Você se reconhece pecador - culpado, perdido e condenado - e Cristo é um Salvador? Você confia em Cristo para ser seu Salvador? Então você é salvo, por mais ignorante que você seja sobre outros assuntos! Tampouco qualquer grande medida de depressão espiritual é pedida como qualificação para vir a Cristo. Sei que alguns pregadores parecem ensinar que você não deve vir a Cristo antes de ter ido ao diabo. Quero dizer que você não deve acreditar que Cristo é capaz e disposto a salvá-lo até que você tenha sido, por assim dizer, até os portões do inferno em terror da consciência e terrível depressão de espírito! Jesus Cristo não pede nada parecido com isso - mas se você verdadeiramente se arrepende e abandona seus pecados, desiste dos males que estão destruindo você e confia nas dores e sofrimentos que Ele suportou na cruz, você está salvo! Nem o evangelho pede uma grande quantidade de fé em você. Ser salvo não requer a fé de Abraão, nem a fé de Paulo ou de Pedro. Requer uma fé preciosa semelhante - fé semelhante em substância e em essência, mas não em grau. Se você puder tocar na bainha da vestimenta de Cristo, você será curado! Se a sua visão de Cristo é um olhar tão fraco e trêmulo, que parece que você mesmo não o viu, esse olhar será o meio de salvação para você! Se você pode acreditar, todas as coisas são possíveis para aquele que acredita! E embora sua crença seja apenas como um grão de mostarda, ainda assim garantirá sua entrada no céu! Que precioso Salvador é Cristo! Se você tem confiança sincera nEle, mesmo que seja muito fraca, você será aceito. Se você puder, do seu coração, dizer a Cristo: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”, em breve terás a sua segurança graciosa, “estarás comigo no paraíso”. Não se iluda com a ideia que há muito para você fazer e sentir para se ajustar a vir a Cristo. Toda essa aptidão não é senão inaptidão! Tudo o que você pode fazer para se preparar para Cristo para salvá-lo é tornar-se mais despreparado! A aptidão para a lavagem deve ser imunda - a aptidão para ser aliviado é ser pobre e necessitado. A aptidão para ser curado é estar doente - e a aptidão para ser perdoado é ser um pecador! Se você é um pecador - e eu garanto que você é - aqui está a inspirada declaração apostólica: “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores”. E a essa declaração podemos acrescentar as palavras do próprio Senhor: “Aquele que crê nEle não é condenado”. “Aquele que crer e for batizado será salvo.” Oh, que Deus desse a todos vocês a graça de receber este evangelho gracioso, cujos requisitos são tão carinhosamente e tão misericordiosamente trazidos para o seu estado baixo!
IV. O quarto ponto que ilustra a terna misericórdia de Deus é isso - há uma GRANDE TERNURA SOBRE TODOS OS ARGUMENTOS DO EVANGELHO. Como o evangelho fala aos homens? Diz-lhes, primeiro, do amor do Pai. Você nunca pode esquecer, se já ouviu ou leu alguma vez, a história do filho pródigo que desperdiçou seus bens com uma vida desenfreada. Você se lembra de como ele disse, quando ele estava alimentando os porcos: “Eu me levanto e vou para o meu pai”. Esse foi um toque divino e mostrou a mão do mestre do Salvador quando Ele a colocou e novamente quando adicionou essa descrição afetiva. Quando ele ainda estava longe, seu pai o viu e teve compaixão, correu e caiu em seu pescoço, e o beijou. Pecador, esse é o caminho de Deus para vir ao seu encontro! Se você quiser conhecê-Lo, Ele vê aquele anseio de desejo e aquele tremendo desejo seu e Ele virá mais do que na metade do caminho para encontrar você! Sim, é porque Ele vem todo o caminho que você é capaz de ir a qualquer parte do caminho!
De que outra forma o evangelho fala aos homens? Ora, ele lhes fala do grande amor do Pastor. Ele perdeu uma ovelha do Seu rebanho e deixou 99 no deserto, enquanto foi procurar a que havia se desviado. E quando Ele a encontrou, Ele a colocou sobre os Seus ombros, regozijando-se, e quando Ele chegou em casa, Ele disse aos Seus amigos e vizinhos: “Regozijem-se comigo; porque encontrei a minha ovelha perdida.” Essa ovelha perdida era o tipo de pecador não convertido, e esse Pastor é o Salvador sangrento que veio buscar e salvar o que estava perdido! Não há argumentos como esses que prevalecem com você? Quando o evangelho procura conquistar o coração de um pecador - seu apelo principal vem do coração, do sangue, das feridas, da morte do Deus encarnado, de Jesus Cristo, do compassivo Salvador! Os trovões do Sinai podem afastar você de Deus, mas os gemidos do Calvário devem atraí-lo para Ele! A terna misericórdia de Deus atrai até o interesse pessoal do homem e diz a ele: “Por que você vai morrer? Seus pecados vão lhe matar. Por que você se apega a eles?” Diz-lhe: “As dores do inferno são terríveis”. E menciona-as apenas em amor, para que o pecador nunca precise senti-las, mas possa escapar delas. A misericórdia também acrescenta: “A graça de Deus é ilimitada, assim o seu pecado pode ser perdoado. O céu de Deus é largo e amplo, então há espaço para você lá.” Assim, a misericórdia suplica ao pecador: “Deus será glorificado na sua salvação, pois ele se deleitará em misericórdia e diz que, assim como Ele vive, não tem nenhum prazer na morte do ímpio, mas que o ímpio se converta do seu caminho e viva”. Não posso ampliar este ponto, mas devo me contentar em dizer que toda a Escritura prova o amor de Deus aos pecadores. Quase toda página da Escritura fala a você, pecador, com uma mensagem de amor! E mesmo quando Deus fala em linguagem terrível, advertindo os homens a fugir da ira vindoura, há sempre este propósito gracioso - que os homens possam ser persuadidos a não se arruinarem e possam, através da abundante misericórdia de Deus, aceitar o Seu dom gratuito - a vida eterna, em vez de escolher intencionalmente o salário do pecado que certamente deve ser a morte!
Ó meus queridos leitores, quando penso em alguns de vocês que não são convertidos, mal posso lhe dizer quão triste me sinto quando me recordo contra qual ternura você pecou! Deus tem sido muito bom para muitos de vocês. Você foi mantido longe das profundezas da pobreza, você foi até mesmo conquistado pela prosperidade. No entanto, você se esqueceu de Deus! Outros de vocês tiveram muitas ajudas providenciais na luta da batalha da vida. Você foi muitas vezes assistido por Deus quando estava doente, ou quando sua pobre esposa e seus filhos estavam em necessidade. Deus graciosamente entrou em cena para suprir suas necessidades, mas agora você fala com seus amigos sobre o quão “sortudo” você tem sido, enquanto a verdade é que Deus foi ternamente misericordioso com você! No entanto, você nem viu a mão dEle em sua prosperidade e, em vez de dar glória a Deus por isso, você atribuiu isso à deusa pagã: "Sorte".
Deus tem sido paciente e gentil com você como uma ama pode ser em relação a uma criança rebelde, mas você completamente ignora-o ou se afasta dele! Você estava doente, há pouco tempo, e Deus o ressuscitou para a saúde e a força – e ainda não há queima do seu coração para com Deus? Eu oro para que a graça de Deus possa operar em você a mudança que nenhuma declaração minha pode produzir, e que você possa dizer: “Levantar-me-ei e irei a meu Pai, e direi a ele: Pai, pequei”. Você faz essa confissão de todo o coração ao seu Pai celestial, e Ele vai perdoá-lo e recebê-lo tão livremente quanto o pai da parábola acolheu o pródigo retornando!   
V. O último ponto da ternura da misericórdia de Deus da qual eu posso falar agora é isto, A PROPRIEDADE DE SUAS APLICAÇÕES E DE SUAS REALIZAÇÕES.
O que Deus faz pelos pecadores? Bem, quando eles confiam em Jesus, Ele perdoa todos os seus pecados, sem qualquer censura ou desvantagens. Algumas vezes pensei que, se tivesse sido pai de um filho pródigo, poderia tê-lo perdoado quando ele chegasse em casa e espero ter feito isso muito livremente. Mas eu não acho que poderia tê-lo tratado da mesma maneira que tratei seu irmão mais velho. Eu quero dizer isso - eu os teria sentado à mesma mesa, e festejando a mesma comida - mas eu acho que quando o dia de mercado chegasse, eu teria dito ao meu filho mais novo: “Eu não confiarei em você com o dinheiro. Devo mandar seu irmão mais velho para o mercado com isso, pois você pode fugir com ele.” Talvez eu não fosse tão longe a ponto de dizer isso, mas acho que sentiria isso, pois um filho como esse seria bastante suspeito por um longo tempo. No entanto, veja o quão diferente Deus lida conosco! Depois que alguns de nós foram grandes pecadores e Ele nos perdoou, Ele nos coloca em confiança com o evangelho e nos convida a ir e pregá-lo aos nossos seguidores pecadores! Veja John Bunyan - um palavrento que bebe e adora brincar de “gorjeta de gato” aos domingos - mas, quando o Senhor o perdoou, ele não lhe disse: “Agora, mestre John, você terá que se sentar atrás dos assentos por toda a sua vida. Você irá para o céu, eu lhe darei um lugar lá, mas não posso usar tanto você quanto eu uso alguns que foram guardados de tais pecados como você cometeu.” Oh, não! Ele é colocado na linha de frente dos servos do Senhor, uma caneta de anjo é dada a ele para que ele possa escrever O Progresso do Peregrino, e ele tem a grande honra de ficar por quase 13 anos na prisão por causa da Verdade! E entre todos os santos há pouco maiores do que John Bunyan!
Olhe o apóstolo Paulo também. Ele se chamou o principal dos pecadores, mas seu Senhor e Pai fez dele, após sua conversão, um eminente servo de Cristo que ele realmente poderia escrever: "Em nada estou por trás do próprio chefe dos apóstolos, embora eu não seja nada." É uma prova de grande ternura da parte de Deus que Ele dá liberalmente e não lança em rosto. Ele não apenas perdoa, mas também esquece! Ele diz: “de seus pecados e suas iniquidades não me lembrarei mais”. E embora tenhamos sido o mais vil dos que vis, Ele não faz nenhum inconveniente por causa disso. Conheço um pai que disse a seu falecido filho: “Agora, seu jovem patife, eu o colocarei nos negócios de novo, mas já perdi tanto dinheiro com você que terei que fazer a diferença na minha vontade. porque não posso dar tudo isso a você e depois tratá-lo como trato seu irmão”. Mas, bendito seja Deus, Ele não faz diferença em Sua vontade! Ele não disse que Ele dará os assentos da frente no céu àqueles que pecaram menos do que os outros, e colocará os pecadores maiores em algum lugar no fundo. Ah não! Todos eles estarão com Jesus onde Ele está e contemplarão e participarão da Sua glória! Não há um céu para os grandes pecadores e outro para os pequeninos - mas há o mesmo céu para aqueles que foram os maiores pecadores, mas que se arrependeram e confiaram em Jesus, como há para aqueles que foram impedidos de praticar o mesmo excesso de pecado. Vamos admirar a maravilhosa ternura da graça divina em suas relações com o próprio chefe dos pecadores! Quando Deus se digna a limpar um pecador, Ele não o lava em parte, mas tira todo o seu pecado! Ele não o conforta em parte, mas o carrega com bondade e lhe dá tudo o que seu coração pode desejar! Oh, que os pecadores pudessem ser persuadidos a achegar-se a Ele por Seu perdão total e livre! Possivelmente alguém aqui diz: “Se Deus é tão terno em misericórdia para com aqueles que vêm a Ele através de Cristo, eu ficaria feliz se você pudesse explicar por que Sua misericórdia não foi estendida a mim. Eu tenho procurado o Senhor por meses! Estou em sua casa sempre que posso. Tenho prazer em ouvir o evangelho pregado e anseio que seja abençoado para mim. Eu tenho lido as Escrituras e procurado preciosas promessas para se adequar ao meu caso, mas não consigo encontrá-las. Eu tenho orado por muito tempo, mas minhas preces ainda permanecem sem resposta. Eu não consigo paz alguma! Eu queria poder. Eu tenho tentado acreditar, mas não posso.”
Bem, meu amigo, deixe-me contar uma história que ouvi no outro dia. Não posso garantir sua verdade, mas servirá como ilustração para mim. Havia dois marinheiros bêbados que queriam atravessar uma entrada estreita. Eles entraram em um barco e começaram a remar, na sua maneira bêbada selvagem, mas não pareciam fazer nenhum progresso. Não estava longe, e então eles deveriam estar do outro lado em um quarto de hora, mas eles não estavam do outro lado em uma hora, nem ainda em várias horas! Um deles disse: “Acredito que o barco está enfeitiçado”. O outro disse que achava que eles estavam e suponho que eles estavam, pela bebida que estavam bebendo! Por fim, chegou a luz da manhã e um deles, que ficara sóbrio àquela hora, olhou para o lado do barco e depois gritou para sua companheira: "Ora, Sandy, você nunca puxou a âncora!" foi puxando os remos durante toda a noite, mas não tinha puxado para cima a âncora! Você sorri da loucura deles e eu não me arrependo porque você pode entender o que eu estou dizendo. Há muitos homens que estão, por assim dizer, puxando os remos com suas orações, e lendo a Bíblia, indo à capela e tentando acreditar. Mas, como aqueles marinheiros bêbados, ele não puxou a âncora! Ou seja, ele ou está se apegando à sua própria suposta justiça, ou então está se apegando a algum pecado antigo que ele não pode desistir. Ah meu querido amigo! Você deve puxar a âncora, se ela te prende aos seus pecados ou à sua autojustiça! Essa âncora, ainda fora de vista, é responsável por todo o seu trabalho perdido e sua ansiedade infrutífera. Puxe a âncora e em breve haverá um final feliz de todos os seus problemas - e você encontrará Deus cheio de terna misericórdia e graça abundante até mesmo para você! Que assim seja por nosso Senhor Jesus Cristo! Amém.


Nota do Tradutor:
O Evangelho que nos Leva a Obter a Salvação
Estamos inserindo esta nota em forma de apêndice em nossas últimas publicações, uma vez que temos sido impelidos a explicar em termos simples e diretos o que seja de fato o evangelho, na forma em que nos é apresentado nas Escrituras, já que há muita pregação e ensino de caráter legalista que não é de modo algum o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Há também uma grande ignorância relativa ao que seja a aliança da graça por meio da qual somos salvos, e que consiste no coração do evangelho, e então a descrevemos em termos bem simples, de forma que possa ser adequadamente entendida.
Há somente um evangelho pelo qual podemos ser verdadeiramente salvos. Ele se encontra revelado na Bíblia, e especialmente nas páginas do Novo Testamento. Mas, por interpretações incorretas é possível até mesmo transformá-lo em um meio de perdição e não de salvação, conforme tem ocorrido especialmente em nossos dias, em que as verdades fundamentais do evangelho de Jesus Cristo têm sido adulteradas ou omitidas.
Tudo isto nos levou a tomar a iniciativa de apresentar a seguir, de forma resumida, em que consiste de fato o evangelho da nossa salvação.
Em primeiro lugar, antes de tudo, é preciso entender que somos salvos exclusivamente com base na aliança de graça que foi feita entre Deus Pai e Deus Filho, antes mesmo da criação do mundo, para que nas diversas gerações de pessoas que seriam trazidas por eles à existência sobre a Terra, houvesse um chamado invisível, sobrenatural, espiritual, para serem perdoadas de seus pecados, justificadas, regeneradas (novo nascimento espiritual), santificadas e glorificadas. E o autor destas operações transformadoras seria o Espírito Santo, a terceira pessoa da trindade divina.
Estes que seriam chamados à conversão, o seriam pelo meio de atração que seria feita por Deus Pai, trazendo-os a Deus Filho, de modo que pela simples fé em Jesus Cristo, pudessem receber a graça necessária que os redimiria e os transportaria das trevas para a luz, do poder de Satanás para o de Deus, e que lhes transformaria em filhos amados e aceitos por Deus.
Como estes que foram redimidos se encontravam debaixo de uma sentença de maldição e condenação eternas, em razão de terem transgredido a lei de Deus, com os seus pecados, para que fossem redimidos seria necessário que houvesse uma quitação da dívida deles para com a justiça divina, cuja sentença sobre eles era a de morte física e espiritual eternas.
Havia a necessidade de um sacrifício, de alguém idôneo que pudesse se colocar no lugar do homem, trazendo sobre si os seus pecados e culpa, e morrendo com o derramamento do Seu sangue, porque a lei determina que não pode haver expiação sem que haja um sacrifício sangrento substitutivo.
Importava também que este Substituto de pecadores, assumisse a responsabilidade de cobrir tudo o que fosse necessário em relação à dívida de pecados deles, não apenas a anterior à sua conversão, como a que seria contraída também no presente e no futuro, durante a sua jornada terrena.
Este Substituto deveria ser perfeito, sem pecado, eterno, infinito, porque a ofensa do pecador é eterna e infinita. Então deveria ser alguém divino para realizar tal obra.
Jesus, sendo Deus, se apresentou na aliança da graça feita com o Pai, para ser este Salvador, Fiador, Garantia, Sacrifício, Sacerdote, para realizar a obra de redenção.
O homem é fraco, dado a se desviar, mas a sua chamada é para uma santificação e perfeição eternas. Como poderia responder por si mesmo para garantir a eternidade da segurança da salvação?
Havia necessidade que Jesus assumisse ao lado da natureza divina que sempre possuiu, a natureza humana, e para tanto ele foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria.
Ele deveria ter um corpo para ser oferecido em sacrifício. O sangue da nossa redenção deveria ser o de alguém que fosse humano, mas também divino, de modo que se pode até mesmo dizer que fomos redimidos pelo sangue do próprio Deus.
Este é o fundamento da nossa salvação. A morte de Jesus em nosso lugar, de modo a nos abrir o caminho para a vida eterna e o céu.
Para que nunca nos esquecêssemos desta grande e importante verdade do evangelho de que Jesus se tornou da parte de Deus para nós, o nosso tudo, e que sem Ele nada somos ou podemos fazer para agradar a Deus, Jesus fixou a Ceia que deve ser regularmente observada pelos crentes, para que se lembrem de que o Seu corpo foi rasgado, assim como o pão que partimos na Ceia, e o Seu sangue foi derramado em profusão, conforme representado pelo vinho, para que tenhamos vida eterna por meio de nos alimentarmos dEle. Por isso somos ordenados a comer o pão, que representa o corpo de Jesus, que é verdadeiro alimento para o nosso espírito, e a beber o sangue de Jesus, que é verdadeira bebida para nos refrigerar e manter a Sua vida em nós.
Quando Ele disse que é o caminho e a verdade e a vida. Que a porta que conduz à vida eterna é estreita, e que o caminho é apertado. Tudo isto se aplica ao fato de que não há outra verdade, outro caminho, outra vida, senão a que existe somente por meio da fé nEle. A porta é estreita porque não admite uma entrada para vários caminhos e atalhos, que sendo diferentes dEle, conduzem à perdição. É estreito e apertado para que nunca nos desviemos dEle, o autor e consumador da nossa salvação.
Então o plano de salvação, na aliança de graça que foi feita, nada exige do homem, além da fé, pois tudo o que tiver que ser feito nele para ser transformado e firmado na graça, será realizado pelo autor da sua salvação, a saber, Jesus Cristo.
Tanto é assim, que para que tenhamos a plena convicção desta verdade, mesmo depois de sermos justificados, regenerados e santificados, percebemos, enquanto neste mundo, que há em nós resquícios do pecado, que são o resultado do que se chama de pecado residente, que ainda subsiste no velho homem, que apesar de ter sido crucificado juntamente com Cristo, ainda permanece em condições de operar em nós, ao lado da nova natureza espiritual e santa que recebemos na conversão.
Qual é a razão disso, senão a de que o Senhor pretende nos ensinar a enxergar que a nossa salvação é inteiramente por graça e mediante a fé? Que é Ele somente que nos garante a vida eterna e o céu. Se não fosse assim, não poderíamos ser salvos e recebidos por Deus porque sabemos que ainda que salvos, o pecado ainda opera em nossas vidas de diversas formas.
Isto pode ser visto claramente em várias passagens bíblicas e especialmente no texto de Romanos 7.
À luz desta verdade, percebemos que mesmo as enfermidades que atuam em nossos corpos físicos, e outras em nossa alma, são o resultado da imperfeição em que ainda nos encontramos aqui embaixo, pois Deus poderia dar saúde perfeita a todos os crentes, sem qualquer doença, até o dia da morte deles, mas Ele não o faz para que aprendamos que a nossa salvação está inteiramente colocada sobre a responsabilidade de Jesus, que é aquele que responde por nós perante Ele, para nos manter seguros na plena garantia da salvação que obtivemos mediante a fé, conforme o próprio Deus havia determinado justificar-nos somente por fé, do mesmo modo como fizera com Abraão e com muitos outros mesmo nos dias do Velho Testamento.
Nenhum crente deve portanto julgar-se sem fé porque não consegue vencer determinadas fraquezas ou pecados, porque enquanto se esforça para ser curado deles, e ainda que não o consiga neste mundo, não perderá a sua condição de filho amado de Deus, que pode usar tudo isto em forma de repreensão e disciplina, mas que jamais deixará ou abandonará a qualquer que tenha recebido por filho, por causa da aliança que fez com Jesus e na qual se interpôs com um juramento que jamais a anularia por causa de nossas imperfeições e transgressões.
Um crente verdadeiro odeia o pecado e ama a Jesus, mas sempre lamentará que não o ame tanto quanto deveria, e por não ter o mesmo caráter e virtudes que há em Cristo. Mas de uma coisa ele pode ter certeza: não foi por mérito, virtude ou boas obras que lhes foram exigidos a apresentar a Deus que ele foi salvo, mas simplesmente por meio do arrependimento e da fé nAquele que tudo fez e tem feito que é necessário para a segurança eterna da sua salvação.
É possível que alguém leia tudo o que foi dito nestes sete últimos parágrafos e não tenha percebido a grande verdade central relativa ao evangelho, que está sendo comentada neles, e que foi citada de forma resumida no primeiro deles, a saber:
“Então o plano de salvação, na aliança de graça que foi feita, nada exige do homem, além da fé, pois tudo o que tiver que ser feito nele para ser transformado e firmado na graça, será realizado pelo autor da sua salvação, a saber, Jesus Cristo.”
Nós temos na Palavra de Deus a confirmação desta verdade, que tudo é de fato devido à graça de Jesus, na nossa salvação, e que esta graça é suficiente para nos garantir uma salvação eterna, em razão do pacto feito entre Deus Pai e Deus Filho, que nos escolheram para esta salvação segura e eterna, antes mesmo da fundação do mundo, no qual Jesus e Sua obra são a causa dessa segurança eterna, pois é nEle que somos aceitos por Deus, nos termos da aliança firmada, em que o Pai e o Filho são os agentes da aliança, e os crentes apenas os beneficiários.
O pacto foi feito unilateralmente pelo Pai e o Filho, sem a consulta da vontade dos beneficiários, uma vez que eles nem sequer ainda existiam, e quando aderem agora pela fé aos termos da aliança, eles são convocados a fazê-lo voluntariamente e para o principal propósito de serem salvos para serem santificados e glorificados, sendo instruídos pelo evangelho que tudo o que era necessário para a sua salvação foi perfeitamente consumado pelo Fiador deles, nosso Senhor Jesus Cristo.
Então, preste atenção neste ponto muito importante, de que tanto é assim, que não é pelo fato de os crentes continuarem sujeitos ao pecado, mesmo depois de convertidos, que eles correm o risco de perderem a salvação deles, uma vez que a aliança não foi feita diretamente com eles, e consistindo na obediência perfeita deles a toda a vontade de Deus, mas foi feita com Jesus Cristo, para não somente expiar a culpa deles, como para garantir o aperfeiçoamento deles na santidade e na justiça, ainda que isto venha a ser somente completado integralmente no por vir, quando adentrarem a glória celestial.
A salvação é por graça porque alguém pagou inteiramente o preço devido para que fôssemos salvos – nosso Senhor Jesus Cristo.
E para que soubéssemos disso, Jesus não nos foi dado somente como Sacrifício e Sacerdote, mas também como Profeta e Rei.
Ele não somente é quem nos anuncia o evangelho pelo poder do Espírito Santo, e quem tudo revelou acerca dele nas páginas da Bíblia, para que não errássemos o alvo por causa da incredulidade, que sendo o oposto da fé, é a única coisa que pode nos afastar da possibilidade da salvação.
Em sua obra como Rei, Jesus governa os nossos corações, e nos submete à Sua vontade de forma voluntária e amorosa, capacitando-nos, pelo Seu próprio poder, a viver de modo agradável a Deus.
Agora, nada disso é possível sem que haja arrependimento. Ainda que não seja ele a causa da nossa salvação, pois, como temos visto esta causa é o amor, a misericórdia e a graça de Deus, manifestados em Jesus em nosso favor, todavia, o arrependimento é necessário, porque toda esta salvação é para uma vida santa, uma vida que lute contra o pecado, e que busque se revestir do caráter e virtudes de Jesus.
Então, não há salvação pela fé onde o coração permanece apegado ao pecado, e sem manifestar qualquer desejo de viver de modo santo para a glória de Deus.
Desde que haja arrependimento não há qualquer impossibilidade para que Deus nos salve, nem mesmo os grosseiros pecados da geração atual, que corre desenfreadamente à busca de prazeres terrenos, e completamente avessa aos valores eternos e celestiais.
Ainda que possa parecer um paradoxo, haveria até mais facilidade para Deus salvar a estes que vivem na iniquidade porque a vida deles no pecado é flagrante, e pouco se importam em demonstrar por um viver hipócrita, que são pessoas justas e puras, pois não estão interessados em demonstrar a justiça própria do fariseu da parábola de Jesus, para que através de sua falsa religiosidade, e autoengano, pudessem alcançar algum favor da parte de Deus.
Assim, quando algum deles recebe a revelação da luz que há em Jesus, e das grandes trevas que dominam seu coração, o trabalho de convencimento do Espírito Santo é facilitado, e eles lamentam por seus pecados e fogem para Jesus para obterem a luz da salvação. E ele os receberá, e a nenhum deles lançará fora, conforme a Sua promessa, porque o ajuste feito para a sua salvação exige somente o arrependimento e a fé, para a recepção da graça que os salvará.
Deus mesmo é quem provê todos os meios necessários para que permaneçamos firmes na graça que nos salvou, de maneira que jamais venhamos a nos separar dele definitivamente.
Ele nos fez coparticipantes da Sua natureza divina, no novo nascimento operado pelo Espírito Santo, de modo que uma vez que uma natureza é atingida, ela jamais pode ser desfeita. Nós viveremos pela nova criatura, ainda que a velha venha a se dissolver totalmente, assim como está ordenado que tudo o que herdamos de Adão e com o pecado deverá passar, pois tudo é feito novo em Jesus, em quem temos recebido este nosso novo ser que se inclina em amor para Deus e para todas as coisas de Deus.
Ainda que haja o pecado residente no crente, ele se encontra destronado, pois quem reina agora é a graça de Jesus em seu coração, e não mais o pecado. Ainda que algum pecado o vença isto será temporariamente, do mesmo modo que uma doença que se instala no corpo é expulsa dele pelas defesas naturais ou por algum medicamento potente. O sangue de Jesus é o remédio pelo qual somos sarados de todas as nossas enfermidades. E ainda que alguma delas prevaleça neste mundo ela será totalmente extinta quando partirmos para a glória, onde tudo será perfeito.
Temos este penhor da perfeição futura da salvação dado a nós pela habitação do Espírito Santo, que testifica juntamente com o nosso espírito que somos agora filhos de Deus, não apenas por ato declarativo desta condição, mas de fato e de verdade pelo novo nascimento espiritual que nos foi dado por meio da nossa fé em Jesus.
Toda esta vida que temos agora é obtida por meio da fé no Filho de Deus que nos amou e se entregou por nós, para que vivamos por meio da Sua própria vida. Ele é o criador e o sustentador de toda a criação, inclusive desta nova criação que está realizando desde o princípio, por meio da geração de novas criaturas espirituais para Deus por meio da fé nEle.
Ele pode fazê-lo porque é espírito vivificante, ou seja, pode fazer com que nova vida espiritual seja gerada em quem Ele assim o quiser. Ele sabe perfeitamente quais são aqueles que atenderão ao chamado da salvação, e é a estes que Ele se revela em espírito para que creiam nEle, e assim sejam salvos.
Bem-aventurados portanto são:
Os humildes de espírito que reconhecem que nada possuem em si mesmos para agradarem a Deus.
Os mansos que se submetem à vontade de Deus e que se dispõem a cumprir os Seus mandamentos.
Os que choram por causa de seus pecados e todo o pecado que há no mundo, que é uma rebelião contra o Criador.
Os misericordiosos, porque dão por si mesmos o testemunho de que todos necessitam da misericórdia de Deus para serem perdoados.
Os pacificadores, e não propriamente pacifistas que costumam anular a verdade em prol da paz mundial, mas os que anunciam pela palavra e suas próprias vidas que há paz de reconciliação com Deus somente por meio da fé em Jesus.
Os que têm fome e sede de justiça, da justiça do reino de Deus que não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Os que são perseguidos por causa do evangelho, porque sendo odiados sem causa, perseveram em dar testemunho do Nome e da Palavra de Jesus Cristo.
Vemos assim que ser salvo pela graça não significa: de qualquer modo, de maneira descuidada, sem qualquer valor ou preço envolvido na salvação. Jesus pagou um preço altíssimo e de valor inestimável para que pudéssemos ser redimidos. Os termos da aliança por meio da qual somos salvos são todos bem ordenados e planejados para que a salvação seja segura e efetiva. Há poderes sobrenaturais, celestiais, espirituais envolvidos em todo o processo da salvação.       
É de uma preciosidade tão grande este plano e aliança que eles devem ser eficazes mesmo quando não há naqueles que são salvos um conhecimento adequado de todas estas verdades, pois está determinado que aquele que crê no seu coração e confessar com os lábios que Jesus é o Senhor e Salvador, é tudo quanto que é necessário para um pecador ser transformado em santo e recebido como filho adotivo por Deus.
O crescimento na graça e no conhecimento de Jesus são necessários para o nosso aperfeiçoamento espiritual em progresso da nossa santificação, mas não para a nossa justificação e regeneração (novo nascimento) que são instantâneos e recebidos simultaneamente no dia mesmo em que nos convertemos a Cristo. Quando fomos a Ele como nos encontrávamos na ocasião, totalmente perdidos e mortos em transgressões e pecados.
E fomos recebidos porque a palavra da promessa da aliança é que todo aquele que crê será salvo, e nada mais é acrescentado a ela como condição para a salvação.
É assim porque foi este o ajuste que foi feito entre o Pai e o Filho na aliança que fizeram entre si para que fôssemos salvos por graça e mediante a fé.
Jesus é pedra de esquina eleita e preciosa, que o Pai escolheu para ser o autor e o consumador da nossa salvação. Ele foi eleito para a aliança da graça, e nós somos eleitos para recebermos os benefícios desta aliança por meio da fé nAquele a quem foram feitas as promessas de ter um povo exclusivamente Seu, zeloso de boas obras.
Então quando somos chamados de eleitos na Bíblia, isto não significa que Deus fez uma aliança exclusiva e diretamente com cada um daqueles que creem, uma vez que uma aliança com Deus para a vida eterna demanda uma perfeita justiça e perfeita obediência a Ele, sem qualquer falha, e de nós mesmos, jamais seríamos competentes para atender a tal exigência, de modo que a aliança poderia ter sido feita somente com Jesus.
Somos aceitos pelo Pai porque estamos em Jesus, e assim é por causa do Filho Unigênito que somos também recebidos. Jamais poderíamos fazê-lo diretamente sem ter a Jesus como nossa Cabeça, nosso Sumo Sacerdote e Sacrifício. Isto é tipificado claramente na Lei, em que nenhum ofertante ou oferta seriam aceitos por Deus sem serem apresentados pelo sacerdote escolhido por Deus para tal propósito. Nenhum outro Sumo Sacerdote foi designado pelo Pai para que pudéssemos receber uma redenção e aproximação eternas, senão somente nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que Ele escolheu para este ofício.
Mas uma vez que nos tornamos filhos de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, importa permanecermos nEle por um viver e andar em santificação, no Espírito.
É pelo desconhecimento desta verdade que muitos crentes caminham de forma desordenada, uma vez que tendo aprendido que a aliança da graça foi feita entre Deus Pai e Deus Filho, e que são salvos exclusivamente por meio da fé, que então não importa como vivam uma vez que já se encontram salvos das consequências mortais do pecado.
Ainda que isto seja verdadeiro no tocante à segurança eterna da salvação em razão da justificação, é apenas uma das faces da moeda da salvação, que nos trazendo justificação e regeneração instantaneamente pela graça, mediante a fé, no momento mesmo da nossa conversão inicial, todavia, possui uma outra face que é a relativa ao propósito da nossa justificação e regeneração, a saber, para sermos santificados pelo Espírito Santo, mediante implantação da Palavra em nosso caráter. Isto tem a ver com a mortificação diária do pecado, e o despojamento do velho homem, por um andar no Espírito, pois de outra forma, não é possível que Deus seja glorificado através de nós e por nós. Não há vida cristã vitoriosa sem santificação, uma vez que Cristo nos foi dado para o propósito mesmo de se vencer o pecado, por meio de um viver santificado.
Esta santificação foi também incluída na aliança da graça feita entre o Pai e o Filho, antes da fundação do mundo, e para isto somos também inteiramente dependentes de Jesus e da manifestação da sua vida em nós, porque Ele se tornou para nós da parte de Deus a nossa justiça, redenção, sabedoria e santificação (I Coríntios 1.30). De modo que a obra iniciada na nossa conversão será completada por Deus para o seu aperfeiçoamento final até a nossa chegada à glória celestial.
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.” (Filipenses 1.6).
“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” (I Tessalonicenses 5.23,24).
“Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2.12,13).








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