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Fazendo uma retrospectiva do primeiro mês que já se esvai, confesso que não escrevi tanto quanto eu gostaria, comparando o período com a mesma época nos dois últimos anos, de rica produção. Mas há uma explicação minimamente plausível para isso e não é a falta de tempo, já que há momentos em que eu até me encontro ociosa antes do retorno do semestre letivo, mas sim o prenúncio das cobranças de um ano que será bastante exigente em termos acadêmicos para mim.
Tenho algumas metas ambiciosas em 2026, que incluem a feitura de minha monografia e a aprovação no exame de ordem, ritual comum a quase todo estudante de Direito nas fases finais do curso. Quanto ao TCC, não entrei no mérito de sua redação, ainda estou na etapa de revisão bibliográfica, isto é, de seleção de referências teóricas que servirão de base argumentativa, e de levantamento de dados que qualifiquem e concretizem minha pesquisa.
Preciso que fazer um pequeno adendo explicativo, porque não apenas minhas metas para o ano são ambiciosas, como o meu próprio tema de pesquisa a nível de graduação. E é importante que eu externalize algumas de minhas ideias para que seja possível compreender as razões de minha insatisfação na frequência literária livre, longe de dever explicações a alguém neste mundo, embora a demanda intelectual neste momento esteja tolhendo um pouco de minha capacidade criativa.
Além de tudo isso, sei que preciso manter meu índice acadêmico nas alturas - no Direito é muito importante, especialmente por ser o filtro utilizado pelos programas de residência em instituições públicas como forma de seleção preliminar dos candidatos. E no momento, estou lidando com os inúmeros compromissos jurídicos de fim de estágio e na transição para um novo, talvez no Ministério Público ou então na Justiça Federal!
Quanto à monografia, e espero que minhas divagações os interessem, tenho a ideia de realizar um estudo interdisciplinar entre teoria do Direito e teoria do processo com o fim de analisar a dinâmica dos tribunais de justiça brasileiros no aspecto da colegialidade, ou seja, do julgamento conjunto dos recursos que são interpostos na segunda instância judiciária, e o dinamismo que o procedimento vem ganhando nos últimos tempos, especialmente a partir do CPC/2015. Nesse sentido, eu gostaria de tratar sobre a importância do dissenso entre os julgadores como mecanismo de segurança jurídica e de legitimidade decisória no devido processo legal, ao evitar as discricionariedades de um julgamento unipessoal, sempre sob o viés de como equilibrar o julgamento conjunto com outros princípios processuais constitucionais, que têm ganhado primazia devido à saturação do Judiciário, como a celeridade e a eficiência processual.
Posso dizer que a essência do tema talvez traduza um importante objetivo para esse ano: conciliar. Preciso equilibrar as provas da faculdade com a escrita do TCC e com os estudos específicos para a prova da OAB. Para tanto, elaborei uma estratégia que venho aplicando desde a primeira semana de janeiro e que consiste em dedicar uma semana para os preparativos do TCC e a semana seguinte para o exame de ordem. Esse método vem funcionando bem e impede que eu me perca nos estudos ou que eu dê atenção para um enquanto penso no outro. Planejamento e disciplina serão os meus aliados. Em fevereiro terei minha primeira reunião com meu orientador e já quero tentar arriscar um primeiro esboço de escrita. Talvez eu esteja me precipitando um pouco, já que ainda tenho um ano e meio de curso, mas quanto antes eu resolver os requisitos acadêmicos para me formar, tanto melhor.
Sobre fevereiro, tenho a expectativa de que ele seja uma extensão do mês que se passou, e que nele eu possa vislumbrar os próximos passos do que venho construindo. Janeiro foi um bom mês, pude aproveitar um pouco das férias em família, ainda que comprometida com os estudos… como sempre. Iniciei o ano com foco em produtividade, mas ainda assim, prezando pela leveza necessária e pelo natural aproveitamento do verão, tão necessário à energização de meu espírito. Resta ainda um mês completo antes das aulas, que retornam apenas quando o ano de fato começa, ou seja, após o fervo do carnaval brasileiro, e até lá, talvez meus escritos pessoais aguardem em minha alma um momento mais oportuno para transpô-los em palavras, considerando os demais ocupações, que são transitórias ante a face eterna da poesia que jamais deixará de fazer morada em mim.
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